A L’Oréal iniciou 2026 em terreno positivo, com um crescimento de 3,6% nas vendas no primeiro trimestre, atingindo 12.152,3 milhões de euros.
Em termos comparáveis, o aumento foi mais expressivo, situando-se nos 7,6%.
A evolução foi transversal à maioria dos mercados, com destaque para a Europa, onde as vendas cresceram 11,5%, para 4.365,3 milhões de euros. Já na América do Norte, o crescimento foi mais moderado, de 2%, atingindo 3.032,3 milhões de euros.
A única região em queda foi o Norte da Ásia, com uma diminuição de 9%, para 2.686,9 milhões de euros.
Por outro lado, as regiões emergentes, que incluem Sul da Ásia, Médio Oriente, Norte de África e África Subsaariana, registaram o maior crescimento, de 12,1%.
Produtos profissionais e dermatológicos em destaque
Ao nível das categorias, os produtos de consumo continuam a liderar em volume de negócios, com 4.368,4 milhões de euros (+2,1%). O segmento de luxo manteve-se estável (+0,3%), enquanto os produtos profissionais registaram o crescimento mais expressivo, de 14,5%.
A divisão de cuidados dermatológicos também apresentou uma evolução positiva, com um aumento de 6,2%, reforçando a tendência de procura por soluções mais especializadas.
Aquisição à Kering reforça portefólio
No final de março, a L’Oréal concluiu a aquisição da divisão de cosmética do grupo Kering, num negócio avaliado em cerca de quatro mil milhões de euros, que inclui marcas como Bottega Veneta e Balenciaga.
Nesse sentido, esta operação deverá reforçar a presença da empresa no segmento premium e contribuir para o crescimento futuro das categorias de maior valor acrescentado.
“Efeito batom” sustenta consumo
Apesar do contexto geopolítico e económico desafiante, a L’Oréal mantém uma perspetiva otimista. Segundo o CEO, Nicolas Hieronimus, a empresa espera continuar a crescer em vendas e lucros ao longo do ano, sustentada por uma procura resiliente.
Este desempenho é reforçado pelo chamado “efeito batom”, fenómeno em que os consumidores continuam a investir em produtos de beleza acessíveis como forma de compensação emocional em períodos de incerteza. “Para mim, a Europa é a demonstração absoluta do que chamamos de ‘lipstick effect’”, afirmou Nicolas Hieronimus, sublinhando que o consumo de cosméticos se mantém robusto mesmo em cenários adversos.
A empresa destaca ainda que, apesar do impacto do conflito no Médio Oriente nalguns mercados, o efeito global permanece controlado, representando menos de 3% das vendas totais.








