Juan Roig, presidente da Mercadona, após a Conferência de Imprensa de 2021
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“Em Portugal, ainda não ganhamos dinheiro, lá chegaremos, mas o processo encanta-me“

“Em Portugal, ainda não ganhamos dinheiro, lá chegaremos, mas o processo encanta-me”. As palavras pertencem a Juan Roig, presidente da Mercadona, que, no decorrer da apresentação de resultados alusivos a 2021, voltou a demonstrar a convicção na pertinência da operação explorada em Portugal. “Estamos encantados com os resultados de Portugal, somos 2.500 portugueses na Mercadona, reforçou o executivo.

Com um parque de 29 lojas em funcionamento no país, a Mercadona anunciou esta terça-feira, dia 15 de março, que, em 2021, atingiu um volume de vendas de 415 milhões, em Portugal, num exercício em que investiu 110 milhões de euros. Para 2022, o grande objetivo da cadeia valenciana é abrir mais 10 lojas no mercado português, com a chegada à capital, Lisboa, a dar-se já em 2023. O mesmo exercício onde considera que a operação nacional deverá atingir níveis de rentabilidade, após os diversos investimentos efetuados no país, onde realizou, igualmente em 2021, um total de 500 de milhões de euros de compras a fornecedores portugueses, com vista também a abastecer a cadeia no seu mercado de origem: Espanha.“Estamos a descobrir que há muitos bons fornecedores, em Portugal”.

Os 415 milhões de euros em faturação permitiram à Mercadona atingir os 3% de quota de mercado, com o grupo a prever investir 150 milhões de euros, em 2022. Está contemplada a abertura de mais 10 lojas em território nacional e com Almeirim a acolher um novo centro logístico. “Não somos ninguém em Portugal, temos 3% de quota de mercado”, comentou o presidente da Mercadona.

 

“Não haverá problemas de abastecimento”

Juan Roig reiterou, ainda, que “as cadeias alimentares espanhola e portuguesa são muito poderosas e que não haverá problemas de abastecimento. Haverá, sim, situações pontuais, mas isso já houve no passado”.

Atento à realidade do conflito armado na Ucrânia e o consequente aumento dos custos energéticos e de alguns bens alimentares, Juan Roig aponta para a necessidade de eliminar a burocracia, assim como para a pertinência de baixar o IVA em alguns produtos alimentares. Não antes de assumir que não irão fazer “aumentos artificiais dos preços”, isto quando a inflação é um tema na ordem do dia. O presidente da Mercadona sustentou que os “consumidores têm de poder comprar”, que os fornecedores têm que ter as suas margens “e nós também”, reforçou.

Razão pela qual, e de modo a minimizar o respetivo impacto nos preços de venda, a Mercadona decidiu não repercutir nos seus clientes a totalidade dos aumentos dos custos das matérias-primas na origem, dos transportes e dos preços industriais, “o que gerou um impacto negativo de 100 milhões de euros nas suas margens operacionais e se traduziu numa redução de 6% do seu lucro líquido, que em 2021 foi de 680 milhões de euros”.

 

Mais vendas, menores lucros

Globalmente, a cadeia aumentou, em 2021, as suas vendas consolidadas em base constante em 3,3%, para os 27.819 milhões de euros.

A Mercadona continuou a apostar na transformação do seu negócio, de modo a consolidar um modelo de empresa “mais digital, produtiva e sustentável”. Para isso, e durante 2021, realizou um investimento total de 1.200 milhões de euros, valor que somado ao investimento dos três exercícios anteriores ultrapassa os cinco milhões de euros.

Fruto desse mesmo investimento, a empresa finalizou o exercício de 2021 com um total de 1.662 supermercados, isto após ter inaugurado 79 novos supermercados, nove deles em Portugal, “e fechado 58 lojas que não se ajustavam ao seu modelo mais eficiente e sustentável”. Manteve, igualmente, o processo de renovação das suas lojas, finalizando o ano com 1.200 supermercados adaptados ao Modelo de Loja Eficiente (Loja 8).  A empresa também continuou com a implantação da secção de pronto a comer, o que lhe permitiu finalizar 2021 com 825 lojas com esta nova secção.

O compromisso de investimento da Mercadona materializou-se, ainda na criação de mil novos postos de trabalho diretos, o que fez subir o total da equipa para 96 mil  pessoas, 2.500 em Portugal. Além disso, o comité de direção acordou subir o salário dos colaboradores, de acordo com a subida do Índice de Preços do Consumidor, 2,7% em Portugal e 6,5% em Espanha, para assegurar a manutenção do seu poder de compra.

 

2022: um exercício “muito, muito difícil”

A Mercadona prevê investir um total de 1.100 milhões de euros, em 2022, para continuar a impulsionar o plano estratégico de transformação. Estes recursos destinar-se-ão, principalmente, à abertura de 68 novos supermercados, 58 em Espanha e 10 em Portugal, à remodelação de 43 supermercados para os adequar ao Modelo de Loja Eficiente (Loja 8) e à implantação da nova secção de pronto a comer em mais 150 supermercados.

A companhia considera que o exercício de 2022 está a ser muito difícil, com o cenário inflacionista atual a ter impacto na economia e na empresa e a implicar um aumento das despesas em mais de 500 milhões de euros. “Para minimizar este impacto, a Mercadona continuará a apostar na produtividade e eficiência de cada um dos processos, para serem cada vez mais competitivos. Um exemplo desta estratégia é a retirada do logótipo da máscara corporativa, iniciativa que, por si só gera uma poupança de 400 mil euros por ano”, pode-se ler em comunicado de imprensa.

Juan Roig garantiu que, em 2022, o plano de investimento continua. “Certamente vai continuar a ser um ano muito, muito difícil, que vamos superar aplicando o nosso Modelo de Qualidade Total, que é o nosso farol para navegar neste cenário de incerteza que estamos a viver. Tenho a certeza de que, com o esforço individual e coletivo dos 96 mil colaboradores, vamos conseguir as metas a que nos propusemos”.

 

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