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Charcutaria mostra a sua resiliência e dinamismo

A saúde é uma preocupação cada vez maior para osconsumidores portugueses, que tendem a evitar alimentos processados ou produtoscom muita gordura. Esta tendência poderia ter um efeito penalizador nodesempenho do mercado de charcutaria, porém, o dinamismo do último ano indicaque a categoria se mostra resiliente e está a responder às necessidades dosconsumidores. A charcutaria cresce em volume e em valor, mas é, sobretudo,neste último indicador que se regista uma maior evolução, fruto, sobretudo, deuma tendência para a diminuição da profundidade promocional e pelo consumo de produtosde maior valor.

O que é visível, designadamente, no desempenho do presunto, que assinalou o maior crescimento, quer em volume, quer em valor, e onde há cada vez mais lares a entrar para a categoria. De acordo com os dados da Nielsen, as vendas atingiram os 60,8 milhões de euros, num robusto crescimento de 10%. Em volume, foram 4,5 milhões de quilogramas de presunto comprados pelos “shoppers” portugueses, no ano móvel findo à semana 8/2018, num aumento de 9%.

Mas não é só no presunto que esta tendência é visível. Também no fiambre, a maior categoria da charcutaria, presente em 89% dos lares, se pode observar um crescimento das vendas em valor de 2%, para os 148,1 milhões de euros, não obstante os volumes terem contraído 3%, para os 19,1 milhões de quilogramas. “Esta tendência é resultado, essencialmente, do trabalho que as marcas de fabricante têm feito na inovação, através do desenvolvimento de produtos que respondam aos novos hábitos de consumo e que, por isso mesmo, aportam mais valor à categoria”, indica Marco Andrade, Marketing Manager do Grupo Montalva.

Consequência de uma conjuntura económica mais favorável, as categorias de produtos de maior valor acrescentado estão a entrar com maior regularidade na cesta de compras dos portugueses, caso dos presuntos com um tempo de cura superior, dos chouriços regionais, dos fiambres de qualidade superior e das salsichas em frasco. Mas também dos produtos associados ao chamado movimento saudável, como o segmento de aves, cujo crescimento potenciou o desempenho em valor da categoria do fiambre como um todo. “Cada vez mais, as marcas estão a adaptar a sua oferta, por forma a ir buscar novos consumidores e momentos de consumo, assim como reforçar opções mais saudáveis. Produtos isentos de glúten, com menor teor de sal ou gordura e novos sabores são alguns exemplos”, destaca Andreia Agostinho, Brand Manager da Campogrill.

Tendências
Este é um mercado que tem vindo a ganhar algum dinamismo, muito através de subcategorias e não da chamada charcutaria tradicional. Existe uma crescente preocupação dos consumidores com a saúde, traduzindo-se num aumento da procura por alimentos seguros, com qualidade, saudáveis, nutricionalmente equilibrados e prontos a consumir. E que respondam a novas tendências de consumo. “Por diversos motivos, os portugueses procuram cada vez mais novas alternativas de consumo. Não são apenas as pessoas intolerantes ao glúten que compram os produtos isentos, nem tão pouco são os vegetarianos os únicos a fazer refeições sem carne. Por isso, podemos dizer que a charcutaria vegan pode ser uma tendência de futuro e, como todas as tendências, é algo que estudamos e analisamos ao pormenor”, afirma Lia Oliveira, diretora de marketing da Nobre.

As ocasiões de consumo estão também a diversificar-se, à medida que o próprio ritmo de vida se altera e surgem novas necessidades no consumidor, que valoriza cada vez mais a economia de tempo. Neste contexto, questões como a praticidade e o formato ganham relevância no universo da charcutaria. “A conveniência é, sem dúvida, um dos principais fatores atualmente na ótica do consumidor, pelo que as marcas deverão responder com produtos em conformidade, pesando, não obstante, o volume que poderá representar o desenvolvimento de produtos de nicho face à oferta tradicional, tipicamente com menores custos de produto associados”, sublinha Andreia Agostinho.

A charcutaria continua a ser uma categoria presente em cerca de 90% dos lares, mantendo-se o carácter tradicional no seu consumo. Contudo, aumenta a presença dos produtos de algumas subcategorias, especialmente entre os jovens casais e os Millennials, que valorizam igualmente os lanches e pequenas refeições, tipicamente consumidos fora de casa, embora adquiridos para o lar. “As ocasiões de consumo têm vindo a evoluir em função dos novos hábitos e comportamentos do consumidor. Hoje, há mais coisas a acontecer na vida das pessoas e de forma mais rápida, daí que conveniência seja um benefício essencial e inerente a este mercado. A esse respeito, e relativamente às marcas do Grupo Montalva, Izidoro e Damatta, posso dizer que temos no nosso ‘pipeline’ de inovação alguns projetos que visam encontrar novas soluções alimentares”, partilha Marco Andrade.

Soluções para o consumidor cada vez mais em movimento e “on the go”, com a evolução da oferta neste sentido a acontecer também na charcutaria. “O mercado da charcutaria ainda não é aquele onde mais se nota a evolução dessa oferta, talvez por se tratar, na sua maioria, de produtos que, na sua génese, já são muitas vezes consumidos por conveniência, mas não tenho dúvidas que surgirão propostas neste sentido”, acrescenta o Marketing Manager do Grupo Montalva.

Dinâmica promocional
Para fidelizar estes e recrutar novos consumidores para a charcutaria, a estratégia das marcas passa muito por planear e investir na atividade promocional, assegurando presença e competitividade, especialmente na moderna distribuição. “Dependerá de cada marca identificar o mix promocional mais adequado à sua estratégia, para os resultados pretendidos. Atualmente, verifica-se cada vez mais uma aposta direta no ponto de venda para o consumidor final, através de visibilidade e ações promocionais”, salienta a Brand Manager da Campogrill.

A charcutaria continua a gerar tráfego para as lojas, pois é um produto ainda amplamente consumido. As ações promocionais afetam, sobretudo, a charcutaria tradicional, trazendo mais clientes ao ponto de venda e impulsionando a compra. “A dinâmica promocional será sempre um ‘driver’ fundamental de consumo destes produtos, que fazem parte do dia-a-dia do consumidor e que, por isso mesmo, têm um peso significativo no valor do cabaz de compra para o consumidor. Acresce a realidade de continuarmos a ter uma parte significativa dos ‘shoppers’ promodependentes, razão pela qual a estratégia de ‘pack price’, com especial foco na gestão fina da profundidade e frequência promocional, assume tamanha relevância”, reforça Marco Andrade.

Por outro lado, e na perspetiva de desenvolvimento das marcas, a estratégia passa pela proximidade com o cliente, especialmente através da presença digital, um imperativo nos dias de hoje. “Queremos cada vez mais ouvir o que têm a dizer, tanto dos produtos que temos atualmente como também que necessidades têm e que poderemos vir a satisfazer. Sabendo que os consumidores estão cada vez mais ativos no online, temos, nos últimos anos, investido neste canal. Temos vindo a desenvolver ferramentas para comunicarmos mais de perto, não só em termos de marca, como também na vertente corporativa. Estamos a reformular o nosso site, temos um canal no Youtube com várias sugestões de receitas para os nossos produtos, estamos presentes no Facebook com a página de responsabilidade social Portugal é Nobre e com a página Nobre focada nas nossas gamas de produto. Acabámos de lançar a nossa página no Instagram e estamos também presentes no Linkedin”, refere Lia Oliveira.

A utilização de matérias-primas distintas, um leque mais variado de opções vegan, a inovação ao nível dos processos de fabrico e soluções de packaging, as alterações nos canais de distribuição, impactados pela compra online, que é cada vez mais uma realidade, implicando alterações significativas na cadeia de valor, novos pontos de contacto com o consumidor… Tudo isto são tendências de consumo que estão e irão continuar a afetar o mercado da charcutaria e que as marcas deverão saber antever. Sem esquecer, no entanto, que o mercado português de charcutaria é também consistente e onde os consumidores valorizam muito a relação qualidade/preço. “Ou seja, estão dispostos a pagar algo mais quando percebem a qualidade e benefícios de um determinado produto”, conclui a diretora de marketing da Nobre.

Este artigo foi publicado na edição n.º 50 da Grande Consumo.

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