Um estudo do Banco Mundial sobre a gestão de riscos na agricultura na União Europeia conclui que é necessário reforçar a eficácia e a acessibilidade das ferramentas existentes, num contexto de eventos climáticos cada vez mais frequentes e severos. A análise, divulgada esta segunda-feira, examina a utilização dos instrumentos de gestão de risco nos vários Estados-membros e apresenta recomendações para melhorar a sua aplicação e consistência.
O relatório destaca a importância de instrumentos de gestão de risco obrigatórios, articulados com uma rede de segurança robusta, sublinhando a complementaridade entre medidas preventivas e apoios reativos em situações de crise. Ao mesmo tempo, aponta a necessidade de uma abordagem mais uniforme entre países, identificando diferenças significativas na forma como estas ferramentas são implementadas.
Outro dos pontos críticos identificados é o acesso desigual aos instrumentos de gestão de risco, em particular por parte das pequenas explorações agrícolas, que enfrentam maiores dificuldades em aderir a estes mecanismos. O estudo reconhece ainda o papel central dos pagamentos diretos como rede de segurança essencial para os agricultores europeus.
A análise do Banco Mundial surge em paralelo com o trabalho em curso da Comissão Europeia e do Banco Europeu de Investimento, no âmbito da iniciativa fi-compass, que visa melhorar o financiamento no sector agrícola. Ambos os relatórios convergem na necessidade de harmonizar dados, reforçar a assistência técnica e adotar modelos de gestão de risco em camadas, que combinem diferentes instrumentos e níveis de intervenção.
Num contexto de crescente pressão climática, o estudo sublinha a urgência de investir em medidas de adaptação em larga escala, de forma a garantir a viabilidade económica das explorações agrícolas e a manutenção da sua capacidade de assegurar produção.
O estudo resulta de uma colaboração reforçada entre o Banco Mundial e a Comissão Europeia e foi apresentado esta terça-feira, 25 de março, num evento que reuniu agricultores, seguradoras e representantes institucionais para debater o futuro da política agrícola europeia.







