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A Covid-19 e as vendas de grande consumo de cinco países

À medida que a pandemia de Covid-19 acelera na Europa e nos Estados Unidos, os Governos, as empresas e os consumidores estão a mudar rapidamente os seus comportamentos, o que se reflete nas compras.

De acordo com a IRI, em Espanha, o impacto do novo coronavírus levou a um antecipado crescimento das vendas, seguido de uma queda e nova subida, impulsionada pelas ordens de isolamento, do mesmo modo que ocorreu em Itália. As categorias de limpeza e higiene, assim como a alimentação não perecível estão entre as que mais cresceram. Destaca-se a evolução de produtos como o sabão, desinfetantes e luvas de uso doméstico e, no alimentar, das leguminosas, por comparação ao desenvolvimento dos produtos de cosmética e bebidas com álcool.

Em Itália, sob a ordem de bloqueio total das atividades económicas exceto as consideradas de primeira necessidade, tinha-se já sentido um crescimento das vendas de alimentos não perecíveis, seguido de uma queda. As vendas dispararam primeiro nas zonas mais afetadas pela Covid-19, como o norte do país, e posteriormente nas restantes regiões, dado o receio de desabastecimento das lojas. Por seu turno, o canal online converteu-se numa referência face aos apelos para os italianos não saírem de casa, de modo a limitar-se a progressão da epidemia, com a faturação do click & collect a disparar até cinco vezes mais que em 2019, face à ausência de disponibilidade para as entregas ao domicílio. Com o avanço das semanas, determinados produtos continuaram a crescer, como é o caso dos relacionados com a limpeza do lar e da alimentação não perecível, nomeadamente, conservas de carne, por oposição ao azeite e refrigerantes.

Os Estados Unidos encontram-se numa fase mais atrasada que Itália e Espanha em termos de medidas restritivas ao movimento dos cidadãos, mas começam já a sentir-se mudanças no consumo. De acordo com a IRI, aumentou a frequência de compra de muitos produtos e observa-se um crescimento acelerado das vendas de alimentação e bebidas, desde a deteção do primeiro caso de Covid-19. O desinfetante para as mãos aumentou a sua frequência de compra em 64,1% e os substitutos do leite em 91,6%. Além disso, observou-se um aumento na frequência de compra em todos os grupos de consumidores, mas sobretudo nas famílias mais jovens. Os seniores, o grupo de maior risco, foram o perfil que mais reduziu as idas às lojas.

Em França, após o primeiro discurso do presidente Emmanuel Macron, entrou-se numa nova etapa no grande consumo, com uma clara aceleração nas compras e um crescimento de 41,3% face a 2019. Apesar desta tendência ser visível em todos os canais, foi mais notável no e-commerce, cujas vendas cresceram 58,4%. De acordo com a IRI, o anúncio do encerramento das escolas fez as vendas crescerem ainda mais, por exemplo, 74% na perfumaria, 51% na alimentação e 32% nos frescos. As luvas foram a categoria com maior evolução, por oposição às bebidas alcoólicas.

No Reino Unido, do mesmo modo que nos Estados Unidos, as medidas mais restritivas foram adoptadas mais tarde. Não obstante, o crescimento no número de infetados por Covid-19 levou as vendas a aumentaram em 487 milhões de libras, alcançando valores muitos próximos dos obtidos no Natal. Observaram-se grande aumentos das vendas tanto em categorias de alimentação como de não alimentação, como consequência do receio de desabastecimento. Nas últimas semanas, este crescimento intensificou-se, sobretudo em categorias relacionados com a limpeza e a alimentação não perecível.

Na Austrália, país também analisado pela IRI, registaram-se grandes picos no crescimento das vendas nos supermercados, com um aumento em valor em 84% das categorias. 40 das categorias analisadas tiveram uma subida igual ou superior a 50%.

Na Grécia, as vendas aumentaram 41,8%, mas, no caso das 54 principais categorias, a subida for superior: 65,9%. Entre as categorias de maior evolução estão os produtos de higiene e a alimentação não perecível.

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