A inovação alimentar continua a enfrentar um desafio de confiança junto dos consumidores europeus. Segundo um novo Eurobarómetro Especial, divulgado pela Comissão Europeia a 26 de outubro, 72% dos inquiridos afirma não se sentir suficientemente informado sobre alimentos, ingredientes e culturas agrícolas desenvolvidos com recurso a técnicas inovadoras.
O estudo foi realizado entre 22 de maio e 24 de junho, junto de 26.456 participantes com 15 ou mais anos, nos 27 Estados-membros da União Europeia.
Os resultados mostram que 51% dos europeus apresenta uma opinião negativa sobre os alimentos inovadores, enquanto 39% manifesta uma avaliação positiva.
Inovação reconhecida como resposta aos desafios agrícolas
Apesar das reservas manifestadas, 68% dos participantes concorda que a inovação poderá disponibilizar novas ferramentas aos agricultores e fabricantes para enfrentar desafios como as alterações climáticas, as pragas, a escassez de recursos e as perturbações das cadeias de abastecimento.
Entre os produtos analisados, a maior aceitação verificou-se nos frutos e produtos hortícolas provenientes de culturas adaptadas à seca, a pragas ou a fenómenos meteorológicos extremos. Metade dos inquiridos afirmou sentir-se confortável com o consumo destes produtos.
O resultado sugere que o reconhecimento de benefícios concretos, especialmente relacionados com a resiliência da produção alimentar, poderá influenciar a avaliação das novas tecnologias.
Conhecimento e perceção estão associados
Uma das diferenças mais expressivas do estudo encontra-se na relação entre informação e atitude perante os alimentos inovadores. Entre os participantes que se consideram bem informados, 72% apresenta uma opinião positiva sobre estes produtos. Já entre aqueles que afirmam dispor de informação insuficiente, essa proporção diminui para 27%.
A relação identificada não significa necessariamente que disponibilizar mais informação seja suficiente para alterar a opinião dos consumidores. A familiaridade com as tecnologias, a confiança nas instituições e a perceção de riscos também podem influenciar as respostas.
O estudo identifica ainda maior abertura entre consumidores mais jovens, residentes em áreas urbanas e com níveis de escolaridade mais elevados.
Transparência assume papel determinante
A comunicação sobre a inovação constitui uma das questões centrais para fabricantes e distribuidores. Segundo os resultados divulgados, 85% dos consumidores defende que os alimentos inovadores devem apresentar informação clara sobre as características dos produtos, a sua origem, composição e processos de produção.
A exigência de transparência coloca desafios à indústria alimentar, especialmente na comunicação de tecnologias complexas e de conceitos com os quais grande parte dos consumidores ainda não está familiarizada.
Para a Comissão Europeia, a inovação poderá contribuir para sistemas alimentares mais resilientes e sustentáveis, desde que respeitadas as exigências de segurança aplicáveis.
O Eurobarómetro demonstra, contudo, que o desenvolvimento tecnológico precisa de ser acompanhado por informação compreensível e por uma relação de confiança entre produtores, fabricantes, distribuidores e consumidores.






