Logótipo da Amazon com lettering preto e seta laranja em forma de sorriso sobre fundo branco

Amazon cresce 12% e atinge margem operacional recorde com expansão do retalho e da inteligência artificial

A Amazon encerrou o terceiro trimestre de 2026 com um crescimento das receitas e uma melhoria expressiva da rentabilidade, num período marcado pela expansão dos serviços de computação em nuvem, dos investimentos em inteligência artificial e das operações comerciais.

Segundo os resultados divulgados a 29 de outubro, as vendas líquidas atingiram 201,9 mil milhões de dólares (181,4 mil milhões de euros), face aos 180,2 mil milhões de dólares (161,9 mil milhões de euros) registados no período homólogo de 2025. Excluindo o impacto desfavorável das variações cambiais, o crescimento teria sido de 13%.

A empresa destaca, contudo, uma diferença importante na comparação anual: em 2026, o Prime Day realizou-se no segundo trimestre na maioria dos grandes mercados, enquanto em 2025 decorreu integralmente no terceiro trimestre. Sem esta alteração do calendário, o crescimento homólogo das vendas teria sido aproximadamente quatro pontos percentuais superior.

Rentabilidade atinge máximo histórico

O resultado operacional da Amazon aumentou de 17,4 mil milhões de dólares (15,6 mil milhões de euros) para 28,1 mil milhões de dólares (25,2 mil milhões de euros), permitindo atingir uma margem operacional de 13,9%, a mais elevada de sempre para a empresa.

Na América do Norte, as receitas aumentaram 6%, para 112,9 mil milhões de dólares (101,4 mil milhões de euros), enquanto o resultado operacional passou de 4,8 mil milhões de dólares (4,3 mil milhões de euros) para 8,7 mil milhões de dólares (7,8 mil milhões de euros).

O negócio internacional apresentou vendas de 43,1 mil milhões de dólares (38,7 mil milhões de euros), um crescimento de 5%, ou de 8% excluindo o efeito cambial. O resultado operacional desta área aumentou para 1,6 mil milhões de dólares (1,4 mil milhões de euros), face a 1,2 mil milhões de dólares (1,1 mil milhões de euros) um ano antes.

Apesar da melhoria operacional, o lucro líquido diminuiu ligeiramente, de 21,2 mil milhões de dólares (19 mil milhões de euros) para 20,7 mil milhões de dólares (18,6 mil milhões de euros).

A Amazon atribui esta evolução sobretudo aos ganhos extraordinários associados ao investimento na Anthropic, contabilizados no terceiro trimestre de 2025.

Alimentação e bens essenciais já representam metade das unidades vendidas

Um dos indicadores mais relevantes para o retalho alimentar é o crescimento das operações de supermercado e dos produtos de consumo quotidiano.

Segundo a Amazon, as vendas de produtos alimentares frescos e bens essenciais cresceram cerca de três vezes mais rapidamente do que as restantes categorias comercializadas através da plataforma.

Estes produtos representaram aproximadamente metade de todas as unidades vendidas no terceiro trimestre.

A evolução demonstra a crescente importância das compras recorrentes no negócio comercial da empresa, tradicionalmente mais associado a categorias como eletrónica, livros e produtos para o lar.

O reforço da alimentação e dos bens essenciais permite à Amazon aumentar a frequência potencial de compra e competir de forma mais direta com os operadores tradicionais de distribuição alimentar.

A empresa não divulgou, neste comunicado, um valor autónomo de faturação para a atividade global de alimentação.

Entregas ultrarrápidas expandem-se para 450 cidades

A conveniência e a rapidez das entregas continuam a constituir prioridades estratégicas. Durante o terceiro trimestre, mais de 1,5 mil milhões de artigos foram entregues no próprio dia ou durante a noite aos membros Prime, o melhor desempenho de sempre da empresa neste período do ano.

A Amazon prosseguiu também a expansão do Amazon Now, serviço de entregas ultrarrápidas que está disponível em mais de 450 cidades e localidades a nível mundial. Segundo o grupo, o número de artigos encomendados através deste serviço multiplicou-se por dez em termos homólogos.

Este crescimento mostra a aposta em ocasiões de compra que exigem uma resposta rápida, incluindo produtos de conveniência e artigos de utilização quotidiana. A expansão aproxima a Amazon dos modelos de distribuição alimentar e comércio de proximidade, nos quais o tempo de entrega e a disponibilidade imediata assumem particular importância.

Inteligência artificial já apoia compras de 400 milhões de consumidores

A Amazon está também a reforçar a utilização da inteligência artificial na experiência de compra. Segundo a empresa, o assistente Alexa for Shopping foi utilizado por mais de 400 milhões de clientes nos últimos 12 meses, enquanto as interações aumentaram 570% em termos homólogos.

A ferramenta recebeu mais de 100 novas funcionalidades destinadas a simplificar tarefas como a criação de listas de presentes, gestão de entregas recorrentes, atualização de métodos de pagamento e alterações nas informações das contas. O objetivo é permitir que ações anteriormente dependentes de vários passos sejam realizadas através de conversas com um assistente digital.

Para os retalhistas, esta evolução representa uma transformação potencial na forma como os consumidores pesquisam produtos, comparam alternativas e concretizam decisões de compra. Contudo, o número de utilizadores divulgado não permite determinar que proporção das compras foi efetivamente concluída através do assistente.

Amazon reforça ferramentas para vendedores independentes

A empresa anunciou igualmente novas soluções destinadas aos vendedores independentes que utilizam a plataforma. Entre as ferramentas desenvolvidas encontram-se funcionalidades de apoio à reposição de stocks, gestão de preços e acompanhamento de diferentes canais comerciais.

O Seller Assistant passa a permitir automatizar tarefas operacionais, enquanto as novas integrações facilitam o acompanhamento de encomendas, listagens e rentabilidade. A Amazon pretende, assim, reduzir a complexidade da gestão comercial para as empresas que vendem através do marketplace.

Esta evolução poderá ter particular interesse para pequenas e médias empresas, incluindo as portuguesas que utilizam a plataforma como canal de internacionalização.

Segundo os resultados anteriormente divulgados pela Amazon Portugal, mais de mil PME nacionais comercializaram cinco milhões de produtos na plataforma em 2025, com exportações superiores a 170 milhões de euros.

AWS cresce 39,3% e reforça aposta na IA

O negócio de computação em nuvem voltou a destacar-se como o principal motor da melhoria da rentabilidade da empresa. As receitas da AWS aumentaram 39,3%, para aproximadamente 46 mil milhões de dólares (41,3 mil milhões de euros), o crescimento mais rápido em quase cinco anos.

A atividade atingiu um ritmo anualizado de receitas de 184 mil milhões de dólares (165,3 mil milhões de euros), indicador que corresponde à extrapolação das vendas trimestrais e não a faturação anual já realizada.

O resultado operacional da AWS passou de 11,4 mil milhões de dólares (10,2 mil milhões de euros) para 17,8 mil milhões de dólares (16 mil milhões de euros).

A empresa anunciou novos acordos empresariais para serviços de computação em nuvem e inteligência artificial, além do desenvolvimento de ferramentas destinadas à criação e utilização de agentes autónomos de IA.

Segundo Andy Jassy, presidente e CEO da Amazon, os investimentos em infraestrutura e funcionalidades estão a contribuir para acelerar o crescimento da AWS. O responsável prevê taxas de crescimento superiores a 40% em 2027 e 2028, mas trata-se de projeções da empresa, sujeitas à evolução da procura e às condições de mercado.

Investimento em inteligência artificial pressiona fluxos de caixa

Não obstante, a expansão tecnológica está a exigir investimentos muito significativos. Nos 12 meses terminados em setembro, o fluxo de caixa operacional aumentou 29%, para 168,3 mil milhões de dólares (151,2 mil milhões de euros).

Contudo, o fluxo de caixa livre passou de um valor positivo de 14,8 mil milhões de dólares (13,3 mil milhões de euros) para um valor negativo de 42,4 mil milhões de dólares (38,1 mil milhões de euros).

A Amazon atribui esta evolução sobretudo ao aumento dos investimentos em ativos físicos e infraestrutura, que cresceram 94,8 mil milhões de dólares (85,2 mil milhões de euros) em termos homólogos, refletindo principalmente as necessidades associadas à inteligência artificial.

Para o conjunto de 2026, a empresa continua a prever despesas de investimento de capital na ordem dos 220 mil milhões de dólares (197,7 mil milhões de euros).

O contraste entre a melhoria do resultado operacional e a deterioração do fluxo de caixa livre evidencia a dimensão financeira da aposta na infraestrutura tecnológica.

Amazon prevê crescimento de até 16% no último trimestre

Para o quarto trimestre de 2026, que inclui a campanha de Natal, a Amazon prevê vendas entre 240 mil milhões e 247 mil milhões de dólares (entre 215,6 mil milhões e 221,9 mil milhões de euros). O intervalo corresponde a um crescimento homólogo entre 12% e 16%.

O resultado operacional deverá situar-se entre 28,5 mil milhões e 33,5 mil milhões de dólares (entre 25,6 mil milhões e 30,1 mil milhões de euros), acima dos 25 mil milhões de dólares (22,5 mil milhões de euros) registados no último trimestre de 2025.

A empresa espera também uma aceleração do crescimento das receitas publicitárias, após um terceiro trimestre condicionado por alterações no calendário promocional.

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