A progressão profissional continua a ser valorizada pelas gerações mais jovens, mas ocupar cargos de liderança deixou de ser o principal objetivo. Em Portugal, apenas 6% da Geração Z e 4% dos Millennials apontam alcançar posições de liderança como a principal ambição profissional, segundo o “Gen Z and Millennial Survey 2026”, da Deloitte.
Ainda assim, 63% da Geração Z e 61% dos Millennials mostram interesse em assumir funções de liderança em algum momento da carreira. A diferença está, sobretudo, naquilo que colocam à frente dessa meta: equilíbrio entre vida pessoal e profissional, independência financeira e estabilidade no emprego.
Equilíbrio vida-trabalho lidera prioridades
Entre os jovens portugueses, manter um bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional é a principal prioridade para 28% da Geração Z e 32% dos Millennials.
A independência financeira surge logo depois, referida por 23% da Geração Z e 30% dos Millennials, enquanto a estabilidade e segurança no emprego é indicada por 14% e 13%, respetivamente.
A maioria prefere também uma progressão mais gradual: 55% da Geração Z e 52% dos Millennials optam por um crescimento estável e sustentado, contra apenas 16% e 18%, respetivamente, que preferem uma evolução rápida em posição ou salário.
Apesar destas prioridades, 31% dos jovens da Geração Z e 39% dos Millennials portugueses já gerem ou supervisionam equipas ou ocupam funções executivas. A nível global, estes valores são superiores, situando-se nos 45% e 61%, respetivamente.
Custo de vida condiciona decisões profissionais
As preocupações financeiras estão a ter impacto direto nas escolhas pessoais e profissionais. O custo de vida é a principal preocupação para 51% da Geração Z e 50% dos Millennials portugueses. Entre os primeiros, a saúde mental da sua geração surge depois, com 20%, enquanto entre os Millennials se destacam a instabilidade política e os conflitos internacionais, com 29%.
Mais de metade dos inquiridos admite já ter adiado decisões importantes por razões financeiras: 57% da Geração Z e 65% dos Millennials adiaram projetos como constituir família, prosseguir estudos ou mudar de carreira.
Habitação pesa nas escolhas de carreira
A habitação é outro dos fatores com maior influência sobre as expectativas destas gerações. Em Portugal, 81% da Geração Z e 78% dos Millennials afirmam que a acessibilidade da habitação influencia as suas decisões de carreira, percentagens bem acima das médias globais de 69% e 64%.
Além disso, 57% da Geração Z e 41% dos Millennials consideram não ter capacidade para comprar casa.
Entre os Millennials portugueses, 46% dizem ter dificuldade em suportar todas as despesas mensais, contra uma média global de 34%.
Salário mais elevado pode tornar liderança mais atrativa
Entre os jovens que atualmente não demonstram interesse por cargos de liderança, um salário mais elevado é o principal fator que os faria reconsiderar, referido por 49% de ambas as gerações.
Seguem-se a disponibilização de formação em liderança, mencionada por 31% da Geração Z e 32% dos Millennials, e modelos de trabalho flexível, indicados por 30% e 31%, respetivamente.
Os dados sugerem, assim, que a liderança não é necessariamente rejeitada, mas passa a estar condicionada pela qualidade das condições associadas à função.
46% sente stress na maior parte do tempo
O bem-estar continua também a ser uma questão crítica. 46% da Geração Z e 46% dos Millennials portugueses afirmam sentir-se stressados permanentemente ou durante grande parte do tempo.
Entre os principais fatores apontados estão os horários de trabalho prolongados, mencionados por 65% da Geração Z e 60% dos Millennials, a falta de reconhecimento e recompensa, com 52% e 61%, e culturas organizacionais tóxicas, indicadas por 44% e 57%.
Há, contudo, alguns sinais de melhoria. Em 2026, 58% da Geração Z e 56% dos Millennials consideram que os empregadores levam a saúde mental a sério, acima dos 54% e 44% registados no ano anterior.
68% já utiliza inteligência artificial no trabalho
A inteligência artificial está já amplamente integrada no quotidiano profissional destas gerações. Em Portugal, 68% da Geração Z e 68% dos Millennials dizem utilizar IA no trabalho diário. A tecnologia é usada não apenas em tarefas profissionais, mas também para aprendizagem, aconselhamento de carreira e gestão do stress relacionado com o trabalho.
Entre a Geração Z, 73% utiliza IA para identificar oportunidades de aprendizagem, 60% para procurar aconselhamento de carreira e 48% para lidar com stress profissional. Entre os Millennials, as percentagens são, respetivamente, 72%, 55% e 52%.
Apesar da elevada utilização, a formação continua limitada. Apenas 20% da Geração Z e 19% dos Millennials concluíram formação em inteligência artificial, abaixo das médias globais.
A falta de confiança nos resultados das ferramentas, conhecimento insuficiente e fraca adaptação às necessidades específicas das funções estão entre os principais obstáculos identificados.
Propósito continua importante, mas poucos sentem alinhamento
O sentido de propósito mantém um peso elevado na satisfação profissional. 95% da Geração Z e 98% dos Millennials consideram importante sentir propósito no trabalho. No entanto, apenas 46% e 43%, respetivamente, sentem que a função atual está alinhada com os seus valores e crenças.
As relações interpessoais também influenciam a retenção. Seis em cada dez jovens de ambas as gerações afirmam ter colegas que consideram amigos pessoais.
Entre os Millennials com amigos no trabalho, 60% planeiam permanecer mais de cinco anos na organização, contra 45% entre aqueles que não estabelecem esse tipo de relação.














