Prateleiras de supermercado com embalagens de snacks em destaque no primeiro plano, com cliente desfocado ao fundo num corredor de loja Foto Shutterstock

Microempresas dominam indústria alimentar, mas sinais de pressão crescem

A indústria alimentar em Portugal continua a assentar numa base de microempresas maduras e fortemente orientadas para o mercado interno, com níveis de risco globalmente controlados. Ainda assim, começam a surgir sinais de maior pressão financeira, nomeadamente nos prazos de pagamento, segundo uma análise da Iberinform, baseada em dados do Insight View.

A nova análise revela que o sector continua profundamente fragmentado: 74% das entidades são microempresas, seguidas por 19% de pequenas empresas. As médias representam apenas 5% e as grandes 2%. Esta distribuição evidencia uma estrutura altamente pulverizada, assente em unidades produtivas de pequena escala, características de um sector tradicional e amplamente disperso.

A antiguidade confirma o carácter maduro do sector. 29% das empresas têm mais de 25 anos de atividade e 17% estão no intervalo dos 16 aos 25 anos. Em contraste, apenas 10% menos de um ano. A escassa renovação empresarial sugere estabilização estrutural, mas também um ritmo limitado de entrada de novos operadores.

No indicador de risco, prevalece um perfil sólido. 49% das empresas apresentam risco baixo, enquanto 39% se situam em risco médio. Apenas 11% estão classificadas com risco elevado e 1% em risco máximo. Estes valores mostram uma base empresarial financeiramente estável, embora a presença de casos de risco elevado exija acompanhamento, sobretudo num contexto de custos crescentes e margens pressionadas.

A localização geográfica reforça a dispersão nacional do sector. A categoria “Resto” concentra 49% das empresas, demonstrando que a indústria não se limita aos grandes centros urbanos. Lisboa representa 17%, seguida do Porto com 13%. Aveiro, Setúbal e Braga surgem cada uma com 7%. Esta distribuição confirma a ligação do sector às zonas agrícolas e aos territórios tradicionais de transformação alimentar.

Sinais de pressão operacional

O prazo médio de pagamento registou uma subida ligeira, passando de 55 para 56 dias entre 2023 e 2024. A evolução indica maior pressão na tesouraria, ainda que de forma moderada.

O prazo médio de recebimento aumentou de 64 para 65 dias. Esta variação significa que as empresas estão a demorar mais tempo a receber, o que prolonga o ciclo financeiro e acentua as exigências sobre a liquidez.

O volume de negócios apresentou uma descida, passando de 19.410 milhões de euros em 2023 para 18.672 milhões de euros em 2024. A quebra sinaliza um abrandamento na atividade económica do sector.

A taxa de exportação diminuiu de 23,5% para 22,9%. A redução mostra um recuo na componente internacional, embora sem alterar de forma significativa o peso externo.

O sector mantém uma base empresarial consolidada e madura, acompanhada por níveis de risco controlados, mas enfrenta sinais de pressão operacional, visíveis no aumento dos prazos financeiros e na redução da atividade económica.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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