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Tamanho da cesta limita crescimento das categorias de pequeno-almoço

O mercado de pequeno-almoço estabilizou no ano móvel findo à semana 52/2017, de acordo com os dados Nielsen Market Track, apresentando um ligeiro crescimento nas vendas em valor, mas diminuindo em termos de quilogramas comercializados. Com os portugueses a reduzir o tamanho da cesta de compra de pequeno-almoço, este período de pouca dinâmica veio dificultar o crescimento das várias categorias que compõem este universo. As insígnias da grande distribuição conseguiram grande parte das vendas, em 2017, mas, refere a Kantar Worldpanel, mesmo o seu dinamismo não evitou a queda das categorias.

A categoria de pastelaria beneficiou da evolução positiva em valor do segmento de bolos embalados individuais, que alcançou os 85,3 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 2%, no período analisado pela Nielsen. Contudo, este segmento estagnou quanto aos volumes vendidos, ficando-se pelos 16,3 milhões de quilogramas comercializados. Por sua vez, o segmento de bolos embalados familiares sofreu uma queda de 4% em volume, com 4,7 milhões de quilogramas comercializados, mas atingiu um leve crescimento em valor, com as vendas a chegarem aos 26,2 milhões de euros (+1%).

Outra categoria, as bolachas, manteve-se em linha com o pouco dinamismo deste mercado. Segundo os dados Nielsen Market Track, não apresentou desenvolvimentos durante o período analisado, atingindo vendas em valor de 226,1 milhões de euros, enquanto em volume evoluiu negativamente, ficando-se pelos 57 milhões de quilogramas, o que significa uma diminuição de 2%.

Também a categoria de cereais de pequeno-almoço, à semelhança das outras, registou uma estabilização do valor de mercado e uma ligeira quebra em termos de volume, segundo confirma João Paulo Rocha, diretor de marketing da Cerealis, não obstante o período de grande dinâmica em termos de oferta ao consumidor.

Em 2017, para compor a sua cesta de compra de pequeno-almoço, os portugueses gastaram menos comparativamente ao ano anterior, indicam os dados da Kantar Worldpanel, consultora que confirma que a dimensão das cestas representa o maior constrangimento ao crescimento destas categorias. Considerando o total das categorias de pequeno-almoço, gastou-se, em 2017, 2.586.964 euros, numa diminuição de 0,4%. Quanto ao volume, este desceu para 1.375.018 quilos (-3,8%). Já o preço médio atingiu os 1,88 euros, o que equivale a uma subida de 3,4%, mas a compra média por ato diminuiu 4,4%.

Todas as categorias de pequeno-almoço apresentaram dificuldades de crescimento, sendo que o leite e a fruta representaram 65% do volume. O leite diminuiu em relação a 2016 (de 36,4% para 35,4% de volume no total das compras da categoria), mas a fruta apresentou um ligeiro crescimento (de 29,3% para 29,8%). A terceira maior categoria em termos de volume de vendas, os iogurtes, também viu crescer o seu peso no total das categorias deste mercado em 2017, de 9,2% para 9,4%.

Inovação
Estes produtos têm vindo a acompanhar todos os movimentos no sentido da redução dos açúcares dos produtos alimentares. O consumidor continua preocupado com a redução de ingredientes como as gorduras, sal e açúcar na sua dieta, com as referências consideradas saudáveis a ganharem preponderância. É de realçar que as bebidas vegetais recrutaram compradores em 2017, apesar da menor intensidade de compra, enquanto o leite sofreu uma redução de compra por parte dos lares portugueses, de acordo com a Kanta Worldpanel.

No caso dos cereais de pequeno-almoço, os principais desafios passam por dar visibilidade a este trabalho realizado pela indústria para melhorar ainda mais o perfil nutricional dos seus produtos. “Dia após dia, os produtos colocados no mercado são nutricionalmente melhores e a informação veiculada nas embalagens e nas diversas plataformas de comunicação promove um consumo equilibrado, tendo por base as doses diárias recomendadas. Mas sabemos que o trabalho está longe de ter terminado. O desafio das equipas de investigação e desenvolvimento continua e é feito dia-a-dia com o objetivo de apresentarmos ao mercado soluções que consigam obter o equilíbrio entre o seu valor nutricional, sabor e textura. Para além disso, existe um outro desafio, que passa por abrir ainda mais a amplitude dos momentos de consumo. Em ambos os casos, a inovação cumprirá aqui um papel decisivo”, afirma o diretor de marketing da Cerealis.

Este artigo foi publicado na edição n.º 49 da Grande Consumo.

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