Radiador branco em forma do símbolo do euro numa parede cinzenta Foto Shutterstock

Supermercados espanhóis absorvem 110 milhões de euros em custos adicionais de energia

Os supermercados espanhóis terão absorvido cerca de 110 milhões de euros em custos energéticos adicionais desde o início do conflito no Médio Oriente, procurando limitar a transmissão destes aumentos para os preços pagos pelos consumidores, segundo a Associação Espanhola de Distribuidores, Autosserviços e Supermercados (ASEDAS).

A pressão ocorre num contexto de aceleração da inflação em Espanha. Em agosto, a taxa anual do Índice de Preços no Consumidor atingiu 4,3%, mais sete décimas do que em julho e o nível mais elevado desde fevereiro de 2023.

Transportes aceleram 9,5%

Os custos de energia e transporte estão entre os principais fatores de pressão sobre a distribuição alimentar. A inflação dos transportes aumentou mais de três pontos em agosto, atingindo 9,5% em termos homólogos, a taxa mais elevada desde agosto de 2022. O Instituto Nacional de Estatística espanhol atribui esta evolução principalmente ao aumento dos preços dos combustíveis e lubrificantes para veículos particulares.

Segundo a ASEDAS, os operadores estão a enfrentar aumentos em diferentes componentes da estrutura de custos, desde eletricidade e combustíveis ao transporte de mercadorias e matérias-primas essenciais para a produção, transformação e distribuição dos produtos.

As embalagens com forte utilização de plástico encontram-se entre as áreas particularmente expostas à evolução dos custos energéticos e das matérias-primas.

Inflação alimentar sobe para 2,3%

Apesar destas pressões, a inflação dos alimentos e bebidas não alcoólicas continua abaixo da taxa geral. Em agosto, a categoria apresentou uma variação anual de 2,3%, mais 0,7 pontos percentuais do que em julho, mas dois pontos abaixo dos 4,3% do IPC geral.

O INE espanhol atribuiu parte desta aceleração ao comportamento dos preços da fruta e frutos de casca rija, que diminuíram menos do que no mesmo mês de 2025.

A evolução interrompe parcialmente o processo de desaceleração observado nos meses anteriores. Em junho, a inflação alimentar tinha atingido o nível homólogo mais baixo desde o início de 2015, segundo a análise divulgada pela ASEDAS.

Distribuição procura conter passagem dos custos aos preços

A associação considera que a elevada concorrência existente no retalho alimentar espanhol tem funcionado como um amortecedor da inflação, obrigando os operadores a absorver uma parte relevante dos aumentos dos custos em vez de os transferirem integralmente para o consumidor.

Esta estratégia tem, contudo, consequências para a rentabilidade. Durante os picos inflacionistas de 2022 e 2023, as margens do sector recuaram para alguns dos níveis mais baixos dos últimos anos, chegando a 1,85% em 2022, segundo dados do sector citados pela ESM.

A subida continuada de energia, combustíveis e matérias-primas poderá voltar a pressionar as margens e a competitividade dos operadores, sobretudo se as empresas continuarem a limitar a transferência destes custos para o preço final.

Sector tem investido em eficiência energética

A absorção dos aumentos ocorre depois de vários anos de investimento na modernização da rede. Em 2025, o sector espanhol de distribuição alimentar investiu cerca de três mil milhões de euros em novas lojas, mais 10% do que no ano anterior. Nos cinco anos até 2025, mais de 10.500 estabelecimentos, cerca de 40% da rede, foram renovados, com particular atenção à eficiência energética e às melhorias dos edifícios.

Estas medidas contribuíram anteriormente para recuperar rentabilidade. Em 2024, com uma inflação alimentar de 1,8%, a rentabilidade do sector tinha recuperado para cerca de 2,9%, depois dos 1,85% registados em 2022.

A nova pressão energética volta agora a testar essa capacidade de controlo dos custos.

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