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Retalho aumenta 73% dos recursos necessários à realização da transformação digital

Foto Shutterstock

Cerca de dois terços das empresas inquiridas revelaram possuir os recursos necessários a nível de tecnologia (60%) e de liderança (62%) para serem bem-sucedidas na implementação dos seus programas de transformação digital. Valores que espelham um crescimento de 36% em ambas as áreas no espaço de apenas dois anos, revela o novo estudo “Digital Mastery 2020: How organizations have progressed in their digital transformations over the past two years”, do Capgemini Research Institute.

Para avaliar o grau de evolução das competências/recursos digitais, nos últimos dois anos, a Capgemini analisou a média das apreciações dos inquiridos em quatro categorias: talento e organização, operações, inovação de modelos de negócio e experiência do cliente (CX). Comparando os resultados do estudo realizado em 2020 e em 2018, sobre as competências/recursos digitais das empresas para realizarem com sucesso a transformação digital, conclui-se que, embora todas as empresas tenham evoluído nas suas jornadas de transformação digital em 2020, o fosso entre os digital masters (empresas com elevado nível de competências digitais e de liderança) e as demais empresas agravou.

A pandemia de Covid-19 revelou ser um importante acelerador da digitalização, ao colocar uma maior pressão sobre as empresas no que toca à necessidade de mudança. Os níveis de entusiasmo e otimismo das empresas face à maturidade das suas competências e recursos também aumentaram. Não obstante, desde 2018, verifica-se que as empresas têm demorado a compreender quais os desafios que é necessário superarem para alcançar a transformação digital bem-sucedida. Consequentemente, também os investimentos na transformação digital e o foco renovado no talento e na cultura têm tardado a aumentar.

As grandes empresas, com receitas no valor de 20 mil milhões de dólares ou mais, demonstraram possuir uma clara vantagem na evolução dos seus recursos/competências digitais e de liderança. Cerca de 68% destas empresas que foram inquiridas pelo estudo da Capgemini afirmou possuir as competências e os recursos digitais necessários, contra 55% das empresas com receitas no valor de menos de 10 mil milhões de dólares.

O mesmo se passa no que diz respeito à liderança: apenas 57% das empresas de menor dimensão afirmou possuir as capacidades de liderança necessárias para a concretização dos projetos de transformação digital, um valor marginalmente abaixo da média geral, que se situa nos 62%, mas mais distante dos 70% revelado pelas empresas de grande porte.

O estudo conclui, igualmente, que todos os sectores de atividade registaram uma evolução positiva nas suas competências digitais e de liderança nos últimos dois anos. O sector do retalho destaca-se claramente dos restantes, com 73% das empresas a afirmar que possui os recursos digitais necessários para realizar a transformação, um valor que contrasta claramente com os 37% registados em 2018.

Também o sector das telecomunicações sobressai em 2020, com 71% das empresas a dizer que possui os recursos necessários para a transformação digital e com os operadores a reformularem as propostas de valor dos consumidores, criando e oferecendo experiências digitais completas. O crescimento das competências é liderado pelo sector automóvel, que passou dos 32%, em 2018, para 69%, em 2020.

 

Talento e cultura dominam a equação

O estudo realizado pela Capgemini em 2018 revelou que as pessoas eram uma barreira significativa à transformação digital, dado que as empresas não estavam a conseguir trazer os seus colaboradores para estas jornadas. Atualmente, as empresas já estão a conseguir envolver mais os seus colaboradores nestas iniciativas, o que provocou uma subida deste rácio de 36% registados em 2018 para 63% em 2020.

Apesar deste progresso no que diz respeito ao desenvolvimento das competências, a Capgemini concluiu que menos de metade das empresas (48%) inquiridas está a investir no desenvolvimento de “soft skills”, tais como a inteligência emocional, a adaptabilidade e a colaboração.

O estudo da Capgemini revela também que a cultura se mantém de forma sistemática como uma das principais barreiras ao sucesso da transformação digital. Algumas empresas simplesmente possuem culturas que não valorizam as novas ideias e a experimentação.

 

Sustentabilidade

O estudo sublinha que, embora as organizações devam ter em atenção fatores como a experiência do cliente, as operações e a tecnologia de negócio devem também colocar ênfase na sustentabilidade e no seu propósito mais abrangente. Este aspeto passou a ser muito importante tanto para os clientes, como para os colaboradores.

Os consumidores estão cada vez mais preocupados com a pegada ambiental e o impacto das alterações climáticas e querem fazer a diferença com as suas ações. 78% dos consumidores concorda que as empresas têm um papel mais importante a desempenhar na sociedade e que este vai além dos seus próprios interesses. No entanto, o estudo da Capgemini conclui que apenas 45% das empresas está a acelerar os investimentos, os projetos e os compromissos relacionados com a sustentabilidade.

O estudo recomenda que as empresas reinventem a experiência dos seus colaboradores, tornando o funcionamento das equipas mais fluido e garantindo que os contratos e os acordos sociais com os seus trabalhadores se alinham com a era digital, para poderem avançar mais na transformação digital.

Além disso, as empresas devem desenvolver plataformas de dados robustas, escalar os novos modelos de negócio e de relacionamento, bem como incorporar a sustentabilidade e os seus objetivos no núcleo do seu negócio, tornando-o parte da cultura organizacional. Urge igualmente que passem a encarar a tecnologia numa dupla perspetiva: a da transformação digital e a da sustentabilidade.

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