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Retalhistas europeus ainda têm trabalho a fazer para combater a desflorestação

Foto Shutterstock

Um novo estudo da Global Canopy concluiu que os retalhistas europeus ainda têm muito trabalho a fazer quando se trata de assumir compromissos firmes para combater a desflorestação.

O ranking Forest 500 apresenta as 350 empresas com maior exposição ao risco de desflorestação tropical em todo o mundo. Cada empresa é avaliada quanto à sua abordagem à desflorestação e violações de direitos humanos associados, com base na informação publicada no seu site.

De acordo com o estudo, apenas seis dos 14 grupos europeus de supermercados avaliados comprometeram-se publicamente a acabar com a desflorestação em todas as suas cadeias de abastecimento. Além disso, nenhum satisfaz a definição do Forest 500 de um “compromisso forte” para acabar com a desflorestação, violações dos direitos humanos associados, como direitos laborais, direitos à terra e questões conexas.

 

Compromissos dos retalhistas

A Global Canopy dá como exemplo o Grupo Schwarz, que detém o Lidl, que assumiu um compromisso de conversão bruta zero dos esossistemas, ou seja, sem desflorestação ou outro tipo conversão, para todas as categorias de produtos ou matérias-primas críticas, mas deixa pontos em aberto sobre os compromissos para prevenir as violações dos direitos humanos.

Já o ICA Gruppen da Suécia não se comprometeu com a não desflorestação ou conversão de ecossistemas em qualquer uma das suas mercadorias, mas assumiu o compromisso de utilizar um sistema de certificação credível para o fornecimento de óleo de palma, madeira e pasta de papel e papel. De acordo com a Global Canopy, tem também um “vago compromisso” para que a sua soja seja fornecida de um modo responsável.

O estudo destaca também a SPAR International, que assumiu um compromisso de certificação credível para pasta de papel e papel e compromissos de sustentabilidade para a soja e o óleo de palma.

Globalmente, o desempenho dos retalhistas é mais fraco para a carne de vaca, onde apenas seis supermercados assumiram um compromisso de não desflorestação, e mais forte para a madeira, a pasta de papel e o papel.

O estudo nota, ainda, que apenas o Carrefour relata os seus progressos no sentido da execução dos seus compromissos, em todas as mercadorias abrangidas por um compromisso de não desflorestação. Três supermercados, entretanto, têm um processo em curso para monitorizar o cumprimento das suas políticas, em todas as suas categorias, por parte dos seus fornecedores

Além disso, quatro grupos comprometem-se a verificar se os seus fornecimentos de mercadorias são produzidos legalmente. Nenhum dos supermercados avaliou o relatório sobre a percentagem de todas as suas cadeias de abastecimento que está isenta de processos associados à desflorestação.

 

Processo de implementação

Vários supermercados relatam a forma como implementam os seus compromissos em algumas cadeias de abastecimento. Por exemplo, 12 reportam os progressos na implementação do seu compromisso nas cadeias de fornecimento de óleo de palma e nove dos 12 fornecedores monitorizam o cumprimento por parte dos seus fornecedores.

Embora o panorama geral mostre que nenhum supermercado está a fazer o suficiente para garantir que todas as suas cadeias de fornecimento estão livres de desflorestação, os progressos realizados por algumas empresas apontam o caminho para que outras o sigam também“, afirma a Global Canopy. “Espera-se que a legislação em curso para os mercados da União Europeia e do Reino Unido impulsione novas ações por parte das empresas e é importante que as medidas legislativas cubram todas as mercadorias para ambas as jurisdições“.

Para cumprir os objetivos climáticos estabelecidos na declaração de Glasgow sobre as Florestas e o Uso do Território, os supermercados precisam de ir além das exigências legislativas e tomar medidas mais ambiciosas para garantir que as suas cadeias de abastecimento estão livres da desflorestação e das violações dos direitos humanos associadas, alerta a consultora.

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