A indústria global de bens de consumo enfrenta uma mudança estrutural nas regras de embalagem, à medida que governos intensificam a regulação ambiental e exigem maior rigor nas alegações de sustentabilidade. Segundo a GlobalData, este novo enquadramento está a obrigar empresas a repensar materiais, cadeias de abastecimento e estratégias de inovação.
Nos Estados Unidos, propostas como o PACK Act visam criar um quadro nacional para alegações ambientais, atribuindo à Federal Trade Commission poderes para definir e fiscalizar termos como “reciclável” ou “compostável”. Em paralelo, vários estados estão a reforçar restrições a substâncias como os PFAS (substâncias per e polifluoroalquílicas) e a eliminar materiais como o poliestireno expandido.
Também a Environmental Protection Agency sinalizou os microplásticos como contaminantes prioritários, antecipando novas exigências de monitorização e conformidade.
Na Europa, a Comissão Europeia prepara a implementação do Packaging and Packaging Waste Regulation (PPWR), que irá impor limites ao espaço vazio nas embalagens de comércio eletrónico. A partir de 2030, estas não poderão exceder 50% de volume vazio, incluindo materiais de enchimento como plástico-bolha ou almofadas de ar, numa tentativa de reduzir resíduos e emissões no transporte.
Já na Austrália, a Australian Packaging Covenant Organisation está a promover reformas para aumentar a utilização de materiais reciclados e melhorar a eficiência do sistema de reciclagem, combatendo a fraca procura por materiais reciclados face a plásticos virgens mais baratos.
Este reset regulatório global está a aumentar a complexidade operacional para as empresas, mas também a redefinir a concorrência. A necessidade de cumprir normas mais exigentes e harmonizadas deverá acelerar a inovação e penalizar práticas de greenwashing, com impacto direto na confiança dos consumidores e no posicionamento das marcas à escala internacional.








