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Maioria dos líderes organizacionais considera que disrupções como a pandemia vieram para ficar

3/4 classificaram as alterações climáticas como a principal questão que as empresas enfrentarão durante a próxima década

Foto Shutterstock

A maioria dos líderes organizacionais acredita que disrupções como a pandemia vieram para ficar, tendo 60% dos líderes globais do C-Level (CXO) consultados pela Deloitte em todo o mundo considerado que, provavelmente, assistiremos a mais fenómenos disruptivos.

Em Portugal, cerca de metade dos líderes empresariais afirmou que, em 2020, o impacto da Covid-19 no volume de negócios da sua organização foi muito negativo, com o investimento a ser também, de maneira geral, negativamente afetado.

Estas são as principais conclusões do estudo conduzido pela Deloitte, que inquiriu os CEO das maiores empresas dos sectores de comércio, transportes, indústria, atividades financeiras e seguros a operar em Portugal, bem como os líderes empresariais de mais de 21 países, de modo a perceber como é que as organizações estão a lidar com os desafios gerados pela pandemia. A análise revela que as organizações resilientes – com “mindsets” e culturas flexíveis, adaptáveis, inovadoras e de longo prazo – estão melhor posicionadas para superar disrupções e a repor a normalidade no pós-pandemia.

Os desafios dos últimos 12 meses têm sido únicos e implacáveis. A confluência de uma pandemia global, agitação social e política e o agravamento dos acontecimentos climáticos tem apresentado às organizações escolhas difíceis, novas formas de operar, e mudanças estratégicas fundamentais. E, neste âmbito, as organizações que planeiam e investem na antecipação estarão certamente melhor posicionadas para prosperar no futuro, tanto em Portugal como no mundo“, refere Miguel Eiras Antunes, partner da Deloitte e líder de Government & Public Services.

 

Ameaças futuras

Antes de 2020, apenas 24% dos CXO se sentia completamente preparado para liderar durante potenciais interrupções e apenas 21% se sentia completamente confiante de que a sua organização se poderia adaptar e mudar de rumo rapidamente, se necessário.

Durante a pandemia, esses números saltaram para 34% e 30%, respetivamente, indicando que os acontecimentos de 2020 deram a alguns CXO um impulso de confiança sobre a resiliência da sua organização e da sua própria capacidade para gerir este momento.

No entanto, este número aponta para que 66% dos CXO não se sente completamente pronto para liderar em situações de disrupção e 70% que não tem total confiança na capacidade da sua organização de se adaptar a eventos perturbadores.

Os CXO referem, de forma perentória, que as perturbações de mercado não estão a desaparecer. Aliás, três quartos dos participantes dizem acreditar que a crise climática é de magnitude semelhante ou maior por comparação com a pandemia de Covid-19. Os CXO classificaram as alterações climáticas como a principal questão que as empresas enfrentarão durante a próxima década.

 

Líderes portugueses

Praticamente metade dos líderes portugueses afirmou que, em 2020, o impacto do coronavírus no volume de negócios da sua organização foi muito negativo, anulando espaço para o investimento que também foi negativamente afetado. No entanto, os gestores estão relativamente otimistas quanto ao futuro: dentro de três meses, 53% dos inquiridos espera um impacto neutro no volume de negócios e, dentro de 12 meses, 53% dos respondentes espera um aumento de 25%.

Durante o ano de 2020, 60% dos executivos portugueses revela que a pandemia afetou negativamente o número de colaboradores. No entanto, a visão sobre o seu desempenho não foi afetada na mesma proporção. Aliás, 60% dos CEO considera que a pandemia afetou positivamente ou não teve qualquer impacto na performance.

Mas, em matéria de recrutamento e gestão de pessoas, os gestores estão pessimistas quanto ao futuro. Nos próximos três meses, cerca de um quarto dos CEO prevê uma redução de 25% do número de colaboradores e, dentro de 12 meses, espera-se uma situação agravada, com praticamente metade dos CEO a prever uma redução de 25% do seu número de colaboradores.

 

Atributos das organizações resilientes

O estudo sugere, ainda, que as organizações que, deliberadamente, constroem determinados atributos nas suas operações e culturas empresariais são as que estão mais bem posicionadas para superar as perturbações do futuro e a ajudar a introduzir um “melhor normal”. Estes atributos são preparação, adaptação, adaptação, colaboração, confiança e responsabilidade.

Os CXO devem preparar-se para todos os resultados, tanto a curto como a longo prazo. Mais de 85% dos CXO globais cujas organizações conseguiram equilibrar a abordagem das prioridades a curto e longo prazo sentiu que tinham conseguido uma adaptação muito eficaz face aos acontecimentos de 2020. Na perspetiva dos líderes portugueses, mais de 70% afirma que a sua organização esteve bem ou muito bem no equilíbrio entre as necessidades de curto prazo e a gestão de oportunidades de crescimento no longo prazo. Destaca-se ainda que 93% dos respondentes considera que a sua organização foi mais resiliente que os seus concorrentes na gestão da crise.

Os líderes globais e portugueses reconhecem, também, a crescente importância de ter profissionais versáteis, especialmente após um ano como 2020. Para esse fim, a flexibilidade e adaptabilidade foram os atributos que referiram como os mais críticos para o futuro. Os líderes portugueses sublinham, igualmente, o pensamento crítico e a coragem para desafiar o status quo.

Uma visão que não é partilhada a nível global, onde os líderes globais optam por destacar o conhecimento tecnológico e a “expertise” como características críticas no âmbito do talento. Cerca de três em cada quatro dos participantes afirmaram ter implementado medidas para tornar a sua força de trabalho mais adaptável (tais como, a formação ou requalificação, a implementação de programas de recolocação ou a oferta de modelos de trabalho flexível). Em Portugal, os aspetos críticos continuam relacionados com o teletrabalho, a manutenção da produtividade e a procura de soluções que permitam incutir a cultura e valores da empresa neste contexto de distanciamento social.

 

Importância da colaboração dentro das organizações

Os líderes empresariais referem, ainda, como vital a importância da colaboração dentro das suas organizações, fazendo notar que esta acelerou a tomada de decisões, mitigou o risco e conduziu a mais inovação. A tecnologia foi um facilitador crítico na colaboração organizacional durante toda a pandemia. Apenas 22% dos CXO globais afirmou que a sua organização tinha as tecnologias necessárias para facilitar o trabalho remoto antes da pandemia; 42% desenvolveu e adotou estas tecnologias por necessidade, ao longo do ano de 2020.

Em Portugal, 80% dos CEO considera que a sua organização geriu bem ou muito bem a transição de sistemas/ferramentas para a Cloud, de modo a suportar o teletrabalho, e 60% dos gestores portugueses considera crítico/muito crítico o investimento nos próximos 12 meses em tecnologia e sistemas de modo a conseguir suportar o teletrabalho.

 

Construir confiança

O C-Level compreende o desafio de construir confiança com os principais “stakeholders”, mas a maioria dos líderes portugueses e líderes globais afirma que a sua organização se destacou na manutenção da segurança dos seus colaboradores e clientes, assim como na motivação dos seus colaboradores. Mais de dois terços consideram ter conseguido manter os níveis de confiança entre a liderança e os colaboradores e cerca de 60% acredita ter fornecido aos seus colaboradores recursos adequados com vista a promoção do seu bem-estar mental.

Finalmente, a maioria dos CXO reconhece que o mundo dos negócios tem uma responsabilidade que vai além do óbvio; 87% dos líderes globais afirma ter conseguido equilibrar bem ou muito bem todas as necessidades dos seus “stakeholders” e considera mesmo que as suas organizações poderiam adaptar-se e responder rapidamente a acontecimentos inesperados.

Por seu lado, cerca de 60% das organizações portuguesas considera ter gerido bem ou muito bem o contexto, com o objetivo de criar uma cultura organizacional mais ágil, inclusiva e diversa, um valor abaixo da avaliação das organizações a nível global. As organizações que demonstram preocupar-se com a construção de um ambiente organizacional mais resiliente tendem a ser consideradas mais autênticas, com níveis relevantes de valorização do talento, suportando a comunidade e mostrando preocupação com os compromissos ambientais e sociais.

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