A L’Oréal tornou-se uma das mais recentes multinacionais a avançar judicialmente contra a escalada tarifária decretada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O grupo francês integra agora a lista de mais de 1.400 empresas importadoras que reclamam a devolução dos montantes pagos em tarifas durante o último ano, depois do Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter declarado ilegais as inicialmente aplicadas.
Além do grupo francês, empresas como a Dyson, a Bausch + Lomb, a Sol de Janeiro e a FedEx também aderiram ao processo judicial.
Estima-se que os pedidos de devolução envolvam milhões de dólares em impostos, sendo expectável que a resolução se prolongue por meses ou mesmo anos.
Supremo declara ilegal primeira vaga de tarifas
O Supremo norte-americano pronunciou-se contra as tarifas impostas ao abrigo da Lei de Poderes Económicos de Emergência Internacional (IEEPA), considerando a medida ilegal.
No entanto, poucas horas depois, Donald Trump ordenou a introdução de novas tarifas globais — inicialmente de 10% e posteriormente de 15% — recorrendo à Secção 122 da Lei do Comércio de 1974, instrumento que permite aplicar tarifas até 15% durante um período máximo inicial de 150 dias.
Após esse período, qualquer prorrogação dependerá da aprovação do Congresso dos Estados Unidos.
Impacto para a indústria da cosmética e luxo
Para a L’Oréal, fortemente exposta ao mercado norte-americano e ao segmento de travel retail, a incerteza tarifária representa uma pressão adicional sobre margens. Num sector onde o posicionamento premium e a estratégia de preço são críticos, as alterações tarifárias podem afetar diretamente a competitividade face a marcas locais ou produtos substitutos.
A decisão do Supremo constitui uma das maiores derrotas políticas de Donald Trump desde o seu regresso à Casa Branca. Contudo, a rápida substituição do enquadramento legal demonstra que a volatilidade regulatória deverá manter-se no curto prazo.








