Mulher aplica perfume no pulso com frasco de fragrância, gesto associado à rotina de beleza e cuidados pessoais Foto Shuttertock
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Inteligência artificial está a transformar o desenvolvimento de fragrâncias

Estudo da GlobalData indica que a adoção de IA na indústria de fragrâncias está a acelerar a inovação, reduzir custos de desenvolvimento e aproximar as marcas das preferências dos consumidores

A indústria de fragrâncias e aromas atravessa uma transformação impulsionada pela integração de inteligência artificial (IA) em várias fases do desenvolvimento de produtos. De acordo com a GlobalData, esta tecnologia está a alterar a forma como as marcas criam, testam e lançam novas fragrâncias, permitindo responder com maior rapidez às preferências dos consumidores e otimizar processos.

A IA está a ganhar um papel central sobretudo na fase de investigação e desenvolvimento. Através de algoritmos de aprendizagem automática, as empresas conseguem analisar grandes volumes de dados sobre hábitos de consumo e identificar tendências emergentes com maior precisão. Esta abordagem permite antecipar quais os ingredientes ou combinações aromáticas com maior probabilidade de agradar ao público, orientando de forma mais eficaz a criação de novos produtos.

Segundo Ramsey Baghdadi, analista de consumo da GlobalData, as ferramentas de IA ajudam também na fase de design das fragrâncias. “Ao analisar as características de perfumes bem-sucedidos, a tecnologia permite desenvolver novas formulações adaptadas às necessidades específicas dos consumidores”, explica. Num sector onde a personalização ganha cada vez mais relevância, esta capacidade pode reforçar a fidelização dos clientes e melhorar a experiência de consumo.

Mais eficiência, menos custos

Além de apoiar a criação de novos aromas, a inteligência artificial está a tornar mais eficiente o próprio processo de desenvolvimento. Sistemas automatizados podem selecionar ingredientes tendo em conta requisitos de segurança e regulamentação, enquanto modelos de simulação permitem prever o desempenho de um produto antes da sua produção física. Este tipo de ferramentas reduz a necessidade de múltiplos protótipos e encurta os prazos de desenvolvimento, contribuindo também para diminuir custos.

A fase de testes é outra área onde a tecnologia está a introduzir mudanças. Plataformas digitais permitem realizar avaliações em ambientes virtuais, analisando a segurança e eficácia dos produtos sem recorrer a tantos ensaios tradicionais. Ao mesmo tempo, a recolha e análise automatizada de dados melhora a precisão das avaliações.

Interação com os consumidores

A interação com os consumidores também está a evoluir com o recurso à IA. Aplicações como a ScentChat, desenvolvida pela International Flavors & Fragrances, integram feedback em tempo real no processo de criação de fragrâncias. Ao analisar preferências e opiniões dos utilizadores, as marcas conseguem ajustar as suas propostas e desenvolver produtos mais alinhados com as expectativas do mercado.

A adoção crescente desta tecnologia é visível nos relatórios e comunicações das empresas do sector. Segundo a base de dados de filings da GlobalData, as referências à inteligência artificial em documentos corporativos de empresas de cosmética e higiene passaram de 296 em 2020 para uma projeção de 925 em 2025. Apesar de uma quebra temporária em 2023, a tendência aponta para um aumento contínuo do investimento nesta área.

Grandes grupos internacionais, como Estée Lauder e Coty, já reconheceram o impacto da inteligência artificial na melhoria da eficiência operacional e na relação com os consumidores. Para a GlobalData, a capacidade de analisar dados, otimizar cadeias de abastecimento e acelerar o desenvolvimento de produtos será cada vez mais determinante para o crescimento das receitas e para a competitividade das marcas.

Para Ramsey Baghdadi, a integração da IA na indústria de fragrâncias representa mais do que uma tendência tecnológica. “Trata-se de uma mudança estrutural na forma como as marcas desenvolvem produtos e se relacionam com os consumidores”, afirma. Num mercado cada vez mais competitivo, acrescenta, as empresas que adotarem estas ferramentas estarão mais bem posicionadas para inovar, adaptar-se rapidamente às preferências do público e reforçar a sua presença no sector.

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