Letreiro luminoso vermelho da H&M na fachada de um edifício, visto de baixo Foto Sorbis/Shutterstock

H&M investiga alegações de ciberataque associado a hackers que visaram a ASOS

A H&M está a investigar alegações de um ciberataque informático atribuído ao grupo de hackers ShinyHunters, associado também ao recente incidente de segurança que atingiu a plataforma britânica de moda ASOS.

A informação foi avançada pela publicação especializada Modaes, que refere que o grupo sueco está a analisar as circunstâncias do alegado ataque, ocorrido na semana passada.

Contudo, a H&M afirma não ter encontrado evidências de que os seus sistemas de dados tenham sido comprometidos, nem indícios de exposição de informações dos clientes ou da empresa.

A situação surge num momento de crescente preocupação com a segurança informática no retalho internacional, particularmente entre os operadores que dependem de plataformas digitais, aplicações móveis e serviços tecnológicos externos.

H&M não confirma fuga de dados

Segundo a informação divulgada, a H&M iniciou uma investigação para esclarecer as alegações relativas ao incidente. Um porta-voz do grupo afirmou que, até ao momento, não foram identificados sinais de comprometimento do ambiente de dados da empresa.

A retalhista indicou igualmente não ter encontrado evidências de que informações relacionadas com métodos de pagamento tenham sido expostas.

Perante a ausência de indícios de violação de dados, a empresa não tinha comunicado o caso ao Information Commissioner’s Office (ICO), autoridade britânica responsável pela proteção de dados.

Entretanto, a H&M explicou à Reuters que algumas perturbações na disponibilidade dos seus websites estavam relacionadas com trabalhos de manutenção nas plataformas digitais, cuja execução demorou mais do que inicialmente previsto. A empresa sublinhou que essas dificuldades técnicas não resultaram de interferência externa.

ASOS confirma acesso não autorizado a dados pessoais

As alegações relativas à H&M surgem depois de a ASOS ter confirmado um incidente de segurança que permitiu o acesso não autorizado a informações pessoais de alguns clientes.

O episódio tornou-se público a 6 de outubro, quando utilizadores da aplicação da retalhista britânica receberam notificações enviadas sem autorização, através das quais os atacantes alegavam ter comprometido sistemas utilizados pela empresa.

A ASOS confirmou posteriormente que foram acedidas informações como nomes e contactos de clientes. Segundo a investigação inicial, os dados de cartões de pagamento e as palavras-passe das contas não foram comprometidos.

O ataque terá começado através de uma técnica de engenharia social, na qual um atacante se fez passar por um contacto de confiança para obter as credenciais de acesso de um colaborador. Essas credenciais permitiram o acesso a plataformas externas utilizadas pela empresa na comunicação com os consumidores.

A ASOS anunciou a aplicação de medidas de contenção e iniciou uma investigação com apoio de especialistas internos e externos em cibersegurança.

Outras marcas britânicas também investigam incidentes

A preocupação estende-se a outros operadores do retalho de moda. A TFG London, responsável por marcas como Hobbs, Whistles e Phase Eight, revelou estar a investigar um incidente de cibersegurança detetado nas suas operações britânicas.

Como medida preventiva, a empresa suspendeu temporariamente as encomendas online e limitou algumas funcionalidades dos seus websites.

O grupo está a trabalhar com especialistas externos para determinar a dimensão do incidente e avaliar se houve acesso indevido a informações pessoais.

As lojas físicas mantiveram-se em funcionamento, embora algumas operações tenham sido condicionadas pelas medidas adotadas.

Estes episódios não permitem concluir que exista uma campanha coordenada contra todos os operadores envolvidos, mas evidenciam a crescente exposição do sector a diferentes tipos de ameaça informática.

Dependência tecnológica aumenta riscos para o retalho

A digitalização do retalho transformou profundamente a relação entre marcas e consumidores, mas também ampliou a dependência de plataformas de comércio eletrónico, aplicações, sistemas de pagamento e fornecedores tecnológicos.

A integração destes serviços permite desenvolver experiências de compra mais personalizadas e operações omnicanal, mas cria igualmente novos pontos de vulnerabilidade.

Os ataques através de fornecedores externos e a utilização de técnicas de engenharia social são particularmente relevantes num sector que gere grandes volumes de informação de clientes e transações comerciais.

Mesmo quando não existe exposição de dados financeiros, o acesso indevido a nomes, contactos ou históricos de utilização pode aumentar os riscos de fraude e campanhas de phishing dirigidas aos consumidores.

Para os operadores, os incidentes representam ainda potenciais custos de investigação, interrupção operacional e perda de confiança dos clientes.

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