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Flexitarianos, marcas próprias e rótulos mais limpos impulsionam nova fase do mercado britânico de carne vegetal

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Depois de um período de consolidação nas prateleiras dos grandes retalhistas, o mercado britânico de substitutos de carne de origem vegetal prepara-se para uma nova fase de crescimento. De acordo com a GlobalData, as vendas deste segmento deverão crescer a uma taxa média anual de 4,67% entre 2025 e 2029, atingindo cerca de 1,28 mil milhões de dólares até ao final da década. Um ritmo inferior ao observado entre 2020 e 2024, quando o crescimento médio anual foi de 7,68%, mas que confirma a maturidade e resiliência da categoria.

Segundo a GlobalData Market Analyzers, o futuro do sector será marcado por três grandes vetores: a crescente relevância dos consumidores flexitarianos, a aposta em marcas próprias por parte dos retalhistas e uma reformulação dos produtos com rótulos mais simples e ingredientes mais reconhecíveis.

“As marcas estão a ir além do conceito clássico de ‘substituto de carne’ e a redirecionar o investimento para produtos mais próximos de alimentos integrais e com maior teor proteico”, explica Mark Jephcott, associate consumer analyst da GlobalData. Esta evolução traduz-se numa oferta mais diversificada, que inclui tofu vegetal, produtos com maior presença de legumes e misturas de ingredientes como cogumelos, proteína de ervilha e favas, com o objetivo de tornar as opções vegetais mais acessíveis e apelativas para consumidores fora do nicho vegan.

Os flexitarianos – consumidores que reduzem o consumo de carne sem a eliminar totalmente – assumem aqui um papel central. No Reino Unido, 11% da população identifica-se como flexitariana, funcionando como uma ponte entre o consumo tradicional de carne e a adoção de alternativas vegetais. As gerações mais jovens, nomeadamente millennials e Gen Z, também estão a influenciar o mercado, impulsionadas por preocupações com saúde e sustentabilidade. Um quarto dos consumidores britânicos associa produtos plant-based a um estilo de vida saudável, segundo um inquérito global da GlobalData realizado no primeiro trimestre de 2025.

 

Preço condiciona crescimento

Apesar do dinamismo da inovação, persistem obstáculos ao crescimento. A perceção de que muitos produtos vegetais são “ultraprocessados” continua a afastar consumidores: 26% dos britânicos dizem sentir-se desencorajados a experimentar carne vegetal por essa razão, percentagem que sobe para 30% no caso das refeições prontas. Em resposta, a indústria tem vindo a apostar em rótulos mais limpos, listas de ingredientes mais curtas e numa comunicação centrada em alimentos integrais e proteínas naturais.

Exemplos desta tendência incluem a parceria entre a This e a Omami, que lançou em 2025 uma gama de tofu de grão-de-bico, sem soja, e as novas salsichas vegetarianas “Veggie Tasty” da Richmond, compostas por 42% de vegetais e posicionadas como uma opção menos processada. Também os grandes players globais estão a adaptar-se: a Beyond Meat prevê remover a palavra “Meat” do nome de alguns produtos reformulados, enquanto a Impossible Foods explora soluções híbridas que combinam proteínas vegetais e animais, respondendo a consumidores que querem reduzir o consumo de carne sem abdicar totalmente dela.

O preço continua, no entanto, a ser um fator crítico. Um em cada cinco consumidores britânicos considera os produtos de carne vegetal demasiado caros, sobretudo quando comparados com as alternativas convencionais. Para contrariar esta barreira, os retalhistas estão a reforçar as suas marcas próprias. Cadeias como Lidl e Aldi têm alargado a oferta plant-based a preços mais competitivos, enquanto a Tesco lançou novas refeições prontas e hambúrgueres com ingredientes mais naturais. A IKEA, por sua vez, associou-se à marca This para introduzir salsichas vegetais numa das suas refeições clássicas.

Para Mark Jephcott, o abrandamento do crescimento não é um sinal de declínio, mas sim de maturidade. “O mercado continua a oferecer oportunidades relevantes para as marcas que consigam combinar qualidade, acessibilidade e inovação inclusiva, capaz de atrair consumidores de carne, flexitarianos e vegans”, sublinha. Num contexto de maior concorrência e pressão sobre os preços, o sucesso passará por melhorar sabor e textura, reduzir sinais de ultraprocessamento e criar propostas de valor mais claras através da reformulação dos produtos e de parcerias estratégicas com o retalho.

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