Os eventos e o enoturismo são os principais motores da conversa digital sobre vinho em Portugal, segundo uma análise realizada pela Buzzmonitor, plataforma de inteligência artificial de monitorização e análise de redes sociais do Elifegroup.
O estudo acompanhou as publicações realizadas entre 24 de junho e 22 de setembro, recorrendo aos termos “vinho” e “vinhos” e a marcadores geográficos orientados para Portugal. No total, foram analisados 5.308 posts publicados em perfis abertos.
A análise conclui que a conversa sobre vinho continua pouco centrada nas marcas e mais associada a experiências, território, tradição, consumo em família ou entre amigos e eventos relacionados com a categoria.
Apenas 6,3% das publicações menciona marcas
Só 6,3% dos posts analisados cita marcas, demonstrando o reduzido peso da comunicação diretamente associada a insígnias na conversa digital.
A Tarelo é a marca mais mencionada, com 0,4% das referências, impulsionada tanto pela comunicação própria como pela exposição mediática associada ao enólogo Tiago Macena.
Seguem-se Sogrape e Rocim, ambas com 0,3% das menções. A Sogrape surge sobretudo associada à imprensa económica e à distribuição, enquanto a Rocim ganha visibilidade através da comunicação sobre novas colheitas, vinho de talha, Alicante Bouschet e provas gastronómicas.
Com igual percentagem de referências surgem ainda Casa Santos Lima e Super Bock, neste último caso devido a conteúdos relacionados com a combinação de vinho e cerveja.
Vinho branco lidera entre as categorias
O vinho branco é a categoria mais mencionada, concentrando 10,4% das referências. A sua presença é impulsionada por lançamentos de produtos, concursos e sugestões de verão de produtores e restaurantes, mas aparece também nas publicações de consumidores associadas a encontros familiares e entre amigos.
O vinho tinto surge em segundo lugar, com 9% das menções, frequentemente relacionado com refeições, comida de conforto e restauração mais tradicional.
Nas comunicações de produtores e meios especializados, o tinto aparece sobretudo associado a prémios e fichas técnicas, enquanto entre os consumidores mantém uma forte ligação à refeição e à tradição familiar.
Os vinhos Reserva, Vinhas Velhas e marcas emblemáticas, como Barca Velha e Pêra-Manca, representam 6,9% das menções. Já os Vinhos Verdes concentram 5,6% das referências, sendo particularmente associados ao consumo em períodos de calor.
Feiras e provas representam 29% das referências a momentos de consumo
Os eventos, feiras, festivais e provas são o principal ritual associado ao vinho no digital, representando 29% das referências. Grande parte destas publicações resulta da divulgação de agendas por parte de câmaras municipais, comissões vitivinícolas e restaurantes, mas os consumidores também relacionam estes eventos com lazer, família e convívio entre amigos.
O enoturismo surge em segundo lugar, com 22,6%, impulsionado por conteúdos sobre vindimas e visitas a quintas. Para os produtores, estas experiências são apresentadas como uma forma de aproximação ao território, enquanto os consumidores as associam a tradição, convívio e experiências no campo.
A categoria “Amigos e família” ocupa o terceiro lugar, com 21,9% das referências, reforçando a associação do vinho a momentos de partilha.
Território e tradição são os principais atributos positivos
Quando a análise se concentra nos elogios ao sector, tradição, território e sustentabilidade lideram, com 30,8% das menções positivas. Seguem-se os sabores, aromas e frescura, com 21,5%, e a qualidade reconhecida e prémios conquistados, com 21%.
No sentido inverso, o tema negativo mais referido é a crise provocada pelos excedentes e pela pressão sobre os produtores, presente em 1,8% das referências.
As fraudes e processos judiciais associados a empresas do sector representam 1,6%, enquanto as críticas à existência de vinhos de menor qualidade no mercado correspondem a 1,1%.
Supermercados ganham espaço através das promoções
A restauração e os supermercados são os tipos de ponto de venda que mais aparecem na conversa digital, embora por razões diferentes. Restaurantes, espaços de delicatessen e lojas de gama superior surgem sobretudo através de conteúdos de autopromoção.
Já entre as publicações dos consumidores, são os supermercados que ganham maior notoriedade, quase sempre associados a promoções de vinho. Entre as insígnias mais mencionadas encontram-se Pingo Doce, Lidl, Continente e Mercadona.







