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O interesse dos consumidores europeus pela segurança alimentar está a aumentar, de acordo com o Eurobarómetro 2025 solicitado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA). O inquérito, realizado nos 27 Estados-membros e baseado em mais de 26 mil entrevistas, mostra que 72% dos europeus se diz pessoalmente interessado na segurança dos alimentos que consome.
Contudo, o nível de preocupação varia substancialmente entre países: na Grécia, 98% dos cidadãos refere interesse pelo tema, enquanto na Polónia e na República Checa esse valor não ultrapassa os 40% e os 46%, respetivamente.
Preço e sabor continuam a pesar mais do que a segurança alimentar
O estudo revela que, no momento da compra, o preço continua a ser o principal critério para 60% dos consumidores, seguido do sabor (51%). A segurança dos alimentos surge em terceiro lugar, com 46%.
Em países como Letónia, República Checa e Chipre, o preço é claramente predominante, enquanto Itália e Roménia colocam a segurança alimentar como prioridade máxima. Já em mercados como Eslovénia, Luxemburgo e Países Baixos, ganham relevância critérios como a origem ou o perfil nutricional dos produtos.
Pesticidas, antibióticos e aditivos lideram as preocupações
Os europeus apontam três grandes áreas de risco associadas à segurança alimentar: 39% menciona os resíduos de pesticidas como a sua principal preocupação, 36% os resíduos de antibióticos, hormonas ou esteroides na carne e 35% os aditivos alimentares como corantes e conservantes.
O relatório destaca ainda um aumento da inquietação com microplásticos e nanoplásticos, que preocupam 33% dos consumidores, mais quatro pontos do que em 2022. Em países como Finlândia e Dinamarca, mais de metade dos entrevistados vê este tema como o maior risco alimentar.
Outras menções espontâneas incluem contaminantes químicos (28%), frescura dos produtos (14%) e subida dos preços (12%).
Europeus divididos entre riscos alimentares e dieta saudável
Quatro em cada dez europeus dizem estar igualmente preocupados com os riscos alimentares e com a necessidade de manter uma dieta saudável. Para 53% dos inquiridos, comer mais frutas e legumes é o fator mais importante para uma alimentação equilibrada, seguido da redução do consumo de açúcar (45%) e de gordura (42%).
A televisão continua a ser a principal fonte de informação sobre segurança alimentar para 55% dos consumidores, apesar de ter perdido importância face a 2022 (61%). As redes sociais e blogs subiram de 25% para 29% e os motores de pesquisa representam agora 38%. As conversas com familiares e amigos continuam também a desempenhar um papel relevante, sendo citadas por 42% dos europeus.
As fontes consideradas mais credíveis são médicos e especialistas (90%), cientistas de instituições públicas (84%), organizações de consumidores (82%) e agricultores (82%).
A confiança nas autoridades nacionais chega a 70%, enquanto a confiança nas instituições europeias alcança 69%, uma ligeira subida face a 2022.
Quatro em cada dez não se preocupam com a segurança alimentar
O estudo apura ainda que 41% dos europeus afirma não se preocupar com a segurança alimentar, assumindo que os alimentos disponíveis no mercado são seguros. 30% acredita já saber o suficiente para evitar riscos e 27% considera a informação demasiado técnica ou difícil de interpretar.
Perante alertas ou surtos de contaminação, 78% dos consumidores mudaria o modo de preparar ou consumir alimentos, enquanto os restantes dizem já seguir as recomendações ou acreditam que há sempre um risco residual impossível de eliminar.


