A indústria global de embalagens enfrenta um ponto de viragem em 2026, com a entrada em vigor, em agosto, do novo regulamento da União Europeia sobre embalagens e resíduos de embalagens (PPWR). De acordo com a GlobalData, este novo enquadramento legislativo está a acelerar a adoção de soluções mono-material, consideradas mais simples e eficazes para reciclagem em larga escala.
As embalagens mono-material, produzidas a partir de um único tipo de material, em contraste com as soluções multi-material, surgem como alternativa para reduzir a complexidade tanto para recicladores como para consumidores. Ao eliminar a necessidade de separar diferentes camadas e componentes, estas soluções simplificam o processo de reciclagem e facilitam decisões de descarte mais intuitivas.
Segundo Richard Parker, analista principal de consumo da GlobalData, “os reguladores em todo o mundo estão a integrar nas suas legislações elementos que promovem soluções mono-material, sobretudo como forma de aumentar as taxas de reciclagem e a eficiência dos sistemas”.
Tendências emergentes
O relatório mais recente da consultora, “Top Trends in Packaging 2026: Industry Insights”, identifica cinco tendências emergentes que estão a moldar o sector: embalagens mono-material, embalagens inteligentes, soluções de base biológica, personalização avançada com recurso a inteligência artificial e modelos reutilizáveis ou recarregáveis.
Para além da União Europeia, outras geografias reforçam esta tendência. Nos Estados Unidos, o estado da Califórnia determinou que todas as embalagens de uso único deverão ser recicláveis ou compostáveis até 2032, enquanto vários estados avançam com regimes de responsabilidade alargada do produtor (EPR). Já a China alcançou, em 2025, marcos relevantes no controlo de plásticos descartáveis, incentivando soluções recicláveis baseadas em mono-materiais.

Novos comportamentos de consumo
A pressão regulatória coincide com uma mudança no comportamento dos consumidores. Dados de um inquérito global da GlobalData, realizado no quarto trimestre de 2025, indicam que cerca de um quarto dos consumidores já considera a reciclabilidade uma característica essencial nos produtos que compra, enquanto quase metade a vê como um fator desejável. Este alinhamento entre exigência legal e preferência do consumidor reforça o apelo das soluções mais simples e facilmente recicláveis.
Além de melhorar os índices de reciclabilidade, as embalagens mono-material ajudam as marcas a reduzir custos associados às taxas de responsabilidade alargada do produtor e a simplificar os processos de conformidade. A par disso, respondem também às críticas crescentes sobre o desperdício associado a embalagens excessivamente grandes, ao permitirem formatos mais ajustados e eficientes no transporte e armazenamento.
Garantir a segurança alimentar
Ainda assim, persistem desafios. A principal dificuldade passa por garantir que as embalagens mono-material oferecem um desempenho equivalente ao das soluções multi-material, tradicionalmente mais eficazes na preservação, higiene e durabilidade dos produtos. A substituição exige, por isso, investimento contínuo em inovação de materiais e em tecnologias de barreira.
Para Richard Parker, o caminho é claro: as embalagens mono-material deixaram de ser uma inovação de nicho para se tornarem uma expectativa base. “Para se manterem competitivas e em conformidade, as marcas devem redesenhar os seus portfólios de embalagens, investir em inovação e assegurar que as suas escolhas estão alinhadas com as infraestruturas de reciclagem e com a evolução das regulamentações”, conclui.








