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Economia portuguesa reforça capacidade de financiamento

O estudo “Economia de Portugal entre 1947 e 2017” da Iberinform Portugal, filial da Crédito y Caución, evidencia a capacidade competitiva das empresas portuguesas que criaram e acumularam mais valor e dinheiro e diminuíram o seu risco estratégico.

A economia de Portugal entre 1947 e 2017 aumentou substancialmente o seu grau de abertura ao exterior, que passou de 29,3% do Produto Interno Bruto (PIB) para 85,2%. Ao longo de seis décadas, as importações foram significativamente superiores às exportações, até que, nesta década, com um maior crescimento do seu peso, as exportações passaram a ser superiores, tendo a balança comercial no primeiro trimestre de 2017, representando 1,2% do PIB.

Esta situação foi resultante das estratégias realizadas pelas empresas portuguesas que, por um lado, se integraram de forma cada vez mais favorável nas cadeias de valor mundiais e, por outro, se descondicionaram das limitações da procura interna. O contínuo crescimento das exportações, em aceleração com o aumento das suas quotas nas importações mundiais, continua a manifestar a capacidade competitiva das empresas portuguesas e o seu contributo decisivo para a economia nacional, mas necessitam de reforço político-económico.

As exportações de bens das empresas portuguesas passaram de uma quota nas importações mundiais de 0,32%, em 2010, para 0,35%, em 2016, um aumento de 7,7%. Apesar dos resultados muito favoráveis das exportações de bens, estas só conseguem cobrir parcialmente as importações de bens, tendo-se registado um défice da balança comercial de bens de 10.820 milhões de euros, em 2016, menos 281 milhões relativamente ao défice de 2015. No primeiro trimestre de 2017, registou-se um défice de 2.610 milhões de euros, resultante dos aumentos dos saldos positivos nas bebidas, têxteis, vestuário e calçado, borracha e plásticos, minerais não metálicos (cerâmica, vidro, pedra), nos produtos metálicos e nos equipamentos elétricos.

São as exportações de serviços e o saldo positivo da balança comercial de serviços que mais do que compensam o défice da balança comercial de bens e que determinam um excedente da balança comercial. Por detrás deste excedente nos serviços estão fundamentalmente as viagens e turismo, que aumentaram as suas exportações no primeiro trimestre em 12,4% (mais 245 milhões de euros) e as suas importações em 9,9%, (mais 86 milhões de euros), passando o saldo negativo de 1.110 milhões de euros, em 2016, para mais 1.269 milhões, em 2017.

A política económica cada vez mais integrada favoreceu também o forte aumento da procura interna, indutor de importações, mas que face à sua frágil sustentação na oferta interna, com a crise do final da última década, foi fortemente reduzido seu peso (cerca de menos 11%). A procura interna assenta num conteúdo importado muito elevado não é sustentável e só o será com uma substituição competitiva de importações. São os veículos automóveis que continuam a estar por detrás desse aumento das importações, para a satisfação da procura externa e da procura interna. Os outros equipamentos (informáticos, eletrónicos, elétricos, óticos e outros equipamentos e máquinas), depois da quebra de 2015, voltaram de novo a aumentar em 2016 (6,6%) e no primeiro trimestre de 2017 (18,2%). Outra dimensão de dependência externa, os produtos agrícolas e alimentares também tiveram um aumento das importações em 2016 (3,4%) e no primeiro trimestre (9,4%).

O aumento das exportações está a compensar e a financiar as insuficiências da cobertura pela oferta interna da procura interna, mas terão que aumentar ainda mais ou existir substituições competitivas de importações, para que a procura interna possa aumentar de forma sustentável. A economia de Portugal está condicionada no seu mercado interno pelo excessivo endividamento do Estado não reformado, pelas fragilidades das instituições financeiras com muitas imparidades e contingências, decorrentes das opções de risco realizadas e pelo excessivo endividamento das famílias.

Os graves problemas de necessidades de financiamento da economia portuguesa, manifestos no início da década, foram suavizados com o aumento das exportações, que permitiram às sociedades não financeiras passarem a ter capacidades de financiamento, com as empresas exportadoras a terem cada vez maior peso nos financiamentos e a manifestarem um risco muito menor em relação às outras empresas. Em 2016, a economia portuguesa reforçou a sua capacidade de financiamento do resto do mundo com a melhoria da capacidade de financiamento das sociedades não financeiras e com a diminuição das necessidades de financiamento do Estado, com continuidade no primeiro trimestre.

Com o aumento da sua taxa de exportações, as sociedades não financeiras criaram e acumularam mais valor e dinheiro, aumentaram a produtividade e diminuíram o seu risco estratégico, aumentaram a rendibilidade económica e diminuíram o risco económico, aumentaram a rendibilidade financeira e diminuíram o seu risco financeiro, diminuíram o seu risco de tesouraria, diminuíram a qualidade da informação e melhoraram a sua relação rendibilidade versus risco.

Os efeitos da nova política económica e do crescimento económico induzido pelas exportações fizeram-se sentir na diminuição da taxa de desemprego para níveis anteriores ao “ajustamento” (10,2% em 2016, 9,7% no primeiro trimestre), na diminuição da carga fiscal e na melhoria do rendimento nacional (RN) nas sociedades não financeiras, nas famílias e nas administrações públicas, com exceção do RN das sociedades financeiras.

No entanto, a política económica que tem por objetivo aumentar o crescimento do PIB, por via do repetido estímulo da procura interna, seja pela política de rendimentos, seja pela política orçamental, mantém os seus riscos, sem o aumento da competitividade das exportações e da substituição competitiva de importações. O estímulo à procura interna numa economia demasiado dependente de importações tem induzido sempre um crescimento insustentável, sendo o sobre endividamento público e privado uma das suas manifestações.

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