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Discount ganha quota de mercado aos restantes retalhistas

Em todo o mundo, o discount está a ganhar quota de mercado ao restante retalho. Numa década, aumentou de 10% para 20%, graças à modernização do seu parque de lojas, a aposta nos frescos e à qualidade dos produtos.

Os dados são de um estudo da Boston Consulting Group feito em 14 países, incluindo Portugal, onde a quota do discount cresceu de 12% para 18% entre 2000 e 2015.

Os operadores de discount estão a abrir maiores pontos de venda, a oferecer funcionalidades inovadoras, a alargar as suas gamas de produtos frescos e orgânicos e a comercializar marcas próprias que desafiam cada vez mais as marcas principais. “Não é coincidência que em vários mercados os operadores de discount tenham um desempenho melhor que as outras empresas em termos de fidelização dos clientes”, nota o estudo.

O crescimento destes retalhistas está a ter consequências na indústria. “Os operadores tradicionais deverão transformar-se fundamentalmente para melhorar os seus preços, o seu sortido e a experiência de compra proposta. Alguns podem optar por ampliar as suas gamas de marca própria e oferecer uma gama mais de entrada. Quanto aos discounters, deverão evitar o risco da sobre-expansão, escolhendo vem os mercados onde desejam implantar-se e assegurando-se que possuem uma vantagem estrutural face aos outros retalhistas”.

O discount começou a sua ascensão nos anos 90 do século passado, em particular na Alemanha, com a Aldi e Lidl. Na época, a sua fórmula assentava em preços baixos e marcas próprias. Entre 2000 e 2015, progrediram de forma sustentada. Se em alguns mercados a sua quota ainda está abaixo dos 10%, como a Austrália, os Estados Unidos e a França, quadruplicou na Turquia, passando de 15% para 60%, duplicou na Polónia, de 20% a 41%, e na Dinamarca, de 19% para 40%.

Em todo o mundo, os operadores de discount contam aumentar o seu parque de lojas em 4,4% até 2020, o que compara com os 1,6% dos hipermercados. Algumas regiões terão uma expansão ainda mais rápida, caso da Europa de Leste, com 30%, e a América Latina, com 8%.

O aspeto demográfico desempenha um papel importante neste crescimento. Segundo o Boston Consulting Group, os Milllennials são fãs do discount, situação que acontece na maior parte dos mercados analisados. “Nos grandes mercados desenvolvidos (EUA, Europam Austrália, Canadá e Japão), esta população representa 275 milhões de pessoas, mais que qualquer outro segmento demográfico, e o seu poder de compra rivaliza com o dos outros segmentos combinados. Os Millennials tendem a ser muito pragmáticos, optam pela compra do que precisam numa loja prática, sem o fardo de ter de escolher entre uma gama demasiado ampla”.

Mas o maior fator de sucesso reside na evolução e redefinição do conceito e da sua abordagem, com produtos de melhor qualidade e uma experiência de compra melhorada. O único aspeto que se manteve na sua proposta de valor foi a competitividade do preço. De acordo com a consultora, os preços dos discounters são geralmente 15% inferiores às marcas próprias dos restantes retalhistas e 200% às marcas principais.

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