O delivery consolidou-se como um dos canais mais dinâmicos do mercado global de consumer foodservice. De acordo com a Euromonitor International, representou 22% da despesa total em foodservice em 2025, mais do dobro da quota registada em 2019, quando pesava 9% no mercado.
A evolução reflete a crescente procura por conveniência, a maior adoção digital e a preferência dos consumidores mais jovens por formatos de consumo fora do estabelecimento.
Mercado global atinge 2,88 biliões de euros
Segundo o relatório “World Market for Consumer Foodservice 2026”, a indústria global de foodservice atingiu 3,36 biliões de dólares em 2025, cerca de 2,88 biliões de euros, um crescimento de 4% face ao ano anterior, apesar da pressão do custo de vida.
A Ásia-Pacífico manteve-se como a principal região contributora, representando 40% das vendas globais de foodservice.
Nik Allen, head of global insights for consumer foodservice da Euromonitor International, sublinha que os consumidores continuam a procurar conveniência, mas permanecem “profundamente orientados para valor”.
“Embora o delivery continue a expandir-se e as gerações mais jovens adotem cada vez mais o fulfilment digital, os operadores têm de equilibrar acessibilidade económica com inovação”, afirma o responsável.
Delivery deverá ultrapassar 858 mil milhões de euros até 2029
A Euromonitor antecipa que o delivery ultrapasse um bilião de dólares até 2029, o equivalente a cerca de 858 mil milhões de euros.
A consultora identifica a digitalização como uma das forças mais relevantes para esta evolução. Mesmo num contexto de maior sensibilidade às taxas de entrega, o cumprimento online tornou-se uma parte integrada da vida dos consumidores.
As taxas de delivery subiram de 9% em 2019 para 14% em 2025. Ainda assim, operadores próprios e plataformas terceiras continuam a procurar formas de justificar estes custos adicionais, reforçando simultaneamente a sustentabilidade operacional e a confiança dos consumidores.
Conveniência versus taxas
O crescimento do delivery está, assim, marcado por uma tensão entre conveniência e custo. Por um lado, os consumidores valorizam rapidez, acessibilidade e facilidade de encomenda. Por outro, a chamada “fadiga das taxas” obriga operadores e plataformas a repensarem a proposta de valor.
Para a Euromonitor, o desafio passa por equilibrar inovação, acessibilidade e rentabilidade, num canal em que a procura continua a crescer, mas em que a tolerância dos consumidores a custos adicionais tem limites.
Mercados emergentes impulsionam crescimento
Os mercados de foodservice com maior crescimento em 2025 foram a Turquia, com uma subida de 32%, o Egito, com 27%, e a Nigéria, com 19%. Segundo a Euromonitor, este desempenho foi sustentado pelo crescimento das populações jovens, pelo aumento do rendimento discricionário, pela rápida expansão dos formatos de serviço limitado e pela adoção crescente do delivery digital.
Na Ásia-Pacífico, China, Índia e Filipinas mantiveram-se como mercados de elevado crescimento.
A expansão liderada pelas bebidas é um dos fenómenos mais relevantes na China. Segundo a Euromonitor, os especialistas em café e chá acrescentaram 73 mil pontos de venda desde 2020, intensificando a concorrência e pressionando o preço médio por transação.
A nível global, as lojas especializadas em café e chá atingiram 133 mil milhões de dólares em 2025, cerca de 114 mil milhões de euros, e deverão crescer a uma taxa média anual composta de 5% nos próximos cinco anos.
A inovação em bebidas está a transformar a concorrência, sobretudo na Ásia e na América do Norte, através de sabores hiperlocais, propostas associadas ao bem-estar e conceitos que respondem a consumidores motivados por novidade, funcionalidade e autenticidade.
Fidelização evolui para experiências personalizadas
Os programas de fidelização estão também a mudar. De acordo com a Euromonitor, deixam de estar centrados apenas em descontos transacionais para evoluírem para ecossistemas personalizados e orientados pela experiência.
As marcas estão a apostar em exclusividade, recompensas adaptadas ao perfil dos consumidores e experiências digitais mais fluidas, com o objetivo de reter clientes num ambiente cada vez mais competitivo.
No conjunto, os dados da Euromonitor apontam para uma nova fase do foodservice global, em que o delivery já não é apenas um canal complementar, mas uma parte estrutural do mercado.
A conveniência continua a ser o grande motor de crescimento, mas o preço, a inovação e a experiência digital serão decisivos para a sustentabilidade do modelo.
Para operadores de restauração, plataformas e marcas de bebidas, o desafio passa por encontrar o equilíbrio entre rapidez, valor percebido, diferenciação e rentabilidade, num mercado em que o consumidor quer conveniência, mas continua atento ao custo final.








