Pessoa a transportar um cesto de compras cheio de frutas e legumes num supermercado Foto Shutterstock

Um terço dos consumidores está financeiramente pior do que há um ano

A pressão económica continua a moldar o comportamento dos consumidores. De acordo com a NielsenIQ, 34% dos consumidores em todo o mundo diz estar financeiramente pior do que há um ano, enquanto 30% afirma estar numa situação melhor. A diferença evidencia uma maior fragmentação do consumo e das prioridades de compra.

Num contexto em que a incerteza económica se tornou mais persistente, os consumidores estão a adaptar o modo como compram e a afastar-se cada vez mais das opções de posicionamento intermédio.

Consumo polariza entre valor e premium

A NIQ observa uma transferência de despesa das marcas mainstream para propostas situadas nos extremos do mercado: opções de valor, orientadas para poupança, e produtos premium, associados a maior qualidade ou desempenho.

Segundo o estudo, mais de 23 mil milhões de dólares, cerca de 20,26 mil milhões de euros, em quota de valor migraram das marcas mainstream para alternativas de valor ou premium.

A qualidade e o desempenho permanecem, ainda assim, fatores relevantes: 34% dos consumidores identifica-os como critérios importantes na decisão de compra.

Lauren Fernandes, vice-presidente de Global Content da NIQ, considera que a próxima fase do crescimento do consumo será menos determinada por um “consumidor médio” e mais por realidades de despesa cada vez mais distintas.

Segundo a responsável, os consumidores estão a procurar “poupanças ou melhorias significativas”, aumentando a pressão sobre o segmento intermédio do mercado.

Custo de vida pesa sobre 77% dos consumidores em dificuldade

Entre os consumidores que afirmam estar numa situação financeira mais frágil, 77% aponta o aumento do custo de vida como a principal causa. A NIQ ilustra essa pressão com a evolução de um cabaz global: um conjunto de produtos que custava 100 dólares em 2024 custa agora aproximadamente 105 dólares, refletindo o impacto acumulado da inflação sobre o poder de compra.

Esta evolução está a obrigar marcas e retalhistas a clarificar o respetivo posicionamento, num mercado em que competir apenas no segmento intermédio se torna progressivamente mais difícil.

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