O índice global de volume de negócios no comércio – que agrega retalho, grosso e comércio e reparação de veículos automóveis – registou uma variação homóloga de 2,7% em junho, uma aceleração de 1,4 pontos percentuais face ao valor observado em maio. O comércio por grosso apresentou uma variação positiva de 0,5%, recuperando da contração de 0,8% do mês anterior, enquanto a manutenção e reparação de veículos automóveis acelerou de forma expressiva, de 4,4% em maio para 9,0% em junho.
Em termos trimestrais, as vendas no comércio cresceram 2,9% no segundo trimestre de 2026, consolidando uma trajetória de recuperação do sector face ao arranque do ano. Os dados nacionais seguem, de resto, a tendência europeia: segundo o Eurostat, as vendas a retalho subiram tanto na área do euro como no conjunto da União Europeia em junho, com Portugal a destacar-se entre os países com maior crescimento mensal do volume de vendas a retalho.
O desempenho do comércio surge num contexto em que consultoras de mercado como a NIQ e a Kantar têm assinalado um consumidor português “mais intencional“, com o retalho em reconfiguração e categorias a reagir a novas prioridades – conveniência, saúde, valor percebido e influência cultural – depois de um período prolongado de pressão inflacionista sobre o cabaz de compras. As marcas próprias, que já representam cerca de 47% das vendas em hipermercados e supermercados, continuam a ganhar espaço, sustentadas pela relação preço-qualidade mais do que pela simples procura do preço mais baixo.
O Banco de Portugal projeta, no seu Boletim Económico de junho, um crescimento da economia portuguesa de 1,8% em 2026 e uma inflação média de 3,1%, impulsionada sobretudo pela evolução dos preços da energia – um pano de fundo que ajuda a explicar por que motivo o crescimento em valor do comércio não se traduz necessariamente, na mesma proporção, em ganhos de volume para os consumidores.









