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CAP critica resposta do Governo às intempéries na região Centro

CAP

Entre a letra do despacho e os números financeiros para a sua execução vai um mundo de distância de tal forma expressivo que, à surpresa dos agricultores, se junta a indignação, explica a CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal. Para prejuízos confirmados superiores a 20 milhões de euros, o Governo respondeu com 40 mil euros para toda a região.

As chuvas intensas, acompanhadas de forte queda de granizo, que atingiu vastas zonas da região Centro do país, ocorridas no passado dia 31 de maio, provocaram prejuízos avultados nas explorações agrícolas, nomeadamente nos pomares de prunóideas, com destaque para a cultura da cereja e pêssego e na cultura da vinha”. Assim começa o primeiro parágrafo do despacho normativo 6-A/2020 publicado em Diário da República no passado dia 30 de junho.

Cerejas do Fundão e vinha

Na zona do Fundão, existem cerca de 750 hectares de cerejais que pertencem a um conjunto de 130 agricultores (seis hectares, em média). Pelas contas da CAP, um agricultor com cinco hectares que tenha perdido 50 mil euros, se decidir candidatar-se a esta ajuda, irá receber, no máximo, 200 euros.

No caso de se tratar de vinha, muitas delas sem uma única uva para colher em 2020, a ajuda desce para metade. Um viticultor também com cinco hectares, com prejuízos na ordem das dezenas de milhares de euros, poderá candidatar-se a uma ajuda de 100 euros no total. “Acresce que, para poder receber esta quantia insignificante face aos prejuízos verificados, terá que realizar despesas em adubos ou fitofármacos, conforme estipula o referido despacho“, indica a CAP.

A confederação defende que a resposta adequada passaria também pela abertura, por parte do Ministério da Agricultura, a candidaturas a ajudas constantes do PDR (Programa de Desenvolvimento Rural), designadamente, para a Reposição do Potencial Produtivo. “Adicionalmente, o Estado deveria, no mínimo, entregar à região afetada cerca de 20% das perdas efetivas, ou seja, quatro milhões de euros (100 vezes mais que o valor aprovado). O mero anúncio de uma linha de crédito para quem teve perdas totais só vai agravar o problema, criando endividamento“.

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