Caixa transparente com resíduos eletrónicos e símbolo de reciclagem

Portugal entre os países que menos recolhem resíduos elétricos

No Dia Internacional dos Resíduos Elétricos, dados do Eurostat revelam que Portugal recolheu seis quilos destes resíduos por habitante em 2024, um dos valores mais baixos da UE

A União Europeia (UE) recolheu, em 2024, uma média de 12,3 kg de resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos por habitante, menos de metade dos 32,4 kg de novos equipamentos colocados no mercado por pessoa nesse ano. Em Portugal, a recolha ficou-se pelos seis quilos, segundo dados divulgados pelo Eurostat.

Os números ganham particular relevância hoje, 14 de outubro, assinalado como Dia Internacional dos Resíduos Elétricos, uma iniciativa que procura sensibilizar para a importância da recolha e reciclagem de equipamentos em fim de vida.

A diferença entre os equipamentos colocados no mercado e os resíduos recolhidos evidencia a acumulação destes produtos. Parte continua em utilização ou armazenada em casa, enquanto outra pode acabar em circuitos de tratamento informais, sem monitorização.

Na UE, entre 2015 e 2024, aumentam os novos produtos no mercado e os resíduos eletrónicos recolhidos, em kg por pessoa

Equipamentos no mercado aumentam 79%

Entre 2015 e 2024, o peso dos equipamentos elétricos e eletrónicos colocados no mercado europeu aumentou 79%, passando de 18,1 kg para 32,4 kg por habitante. Os equipamentos de grandes dimensões, como máquinas de lavar roupa e loiça e painéis fotovoltaicos, foram os principais responsáveis por esta evolução. Entre 2022 e 2024, o indicador manteve-se praticamente estável.

A recolha de resíduos cresceu a um ritmo mais lento: passou de 7,3 kg por habitante, em 2015, para 12,3 kg em 2024. Ainda assim, face a 2023, registou uma subida de 0,7 kg por pessoa.

Gráfico compara, por país da UE, kg de novos equipamentos elétricos e eletrónicos colocados no mercado e resíduos recolhidos em 2024

Portugal regista um dos valores mais baixos

Entre os países da UE, a Bulgária liderou a recolha, com 18,9 kg de resíduos elétricos e eletrónicos por habitante, seguida da Chéquia, com 17,8 kg, e de França, com 17,7 kg. No extremo oposto ficaram Chipre, com 4,7 kg por habitante, Portugal, com seis quilos, e Malta, com 6,4 kg.

Quanto aos equipamentos colocados no mercado, a Áustria registou o valor mais elevado, com 38,2 kg por habitante, seguida da Alemanha, com 38 kg, e da Dinamarca, com 37 kg. Chipre apresentou o valor mais baixo, com 15,4 kg, seguido da Eslováquia, com 17,5 kg, e da Grécia, com 18 kg.

Em todos os países com dados disponíveis, o peso dos equipamentos colocados no mercado superou o dos resíduos recolhidos. Na Eslováquia, a diferença foi a menor, com 6,4 kg por habitante. Em Espanha e na Alemanha, pelo contrário, o peso dos equipamentos introduzidos no mercado foi superior a três vezes o dos resíduos recolhidos: 36 kg face a 9,3 kg em Espanha e 38 kg face a 11 kg na Alemanha.

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