As exportações britânicas de alimentos e bebidas recuaram 11,7% em volume no primeiro semestre de 2026, ampliando o défice comercial do setor para 21,1 mil milhões de libras (cerca de 24,2 mil milhões de euros). De acordo com dados da Food and Drink Federation (FDF), citados pela Just Food, a quebra das vendas ao exterior foi influenciada pelas tensões no Médio Oriente e pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Entre janeiro e junho, o Reino Unido exportou 4 mil milhões de quilogramas de alimentos e bebidas, enquanto o valor das vendas ao exterior caiu 3,4%, para 12 mil milhões de libras (cerca de 13,8 mil milhões de euros). O volume de exportações foi o terceiro mais baixo de que há registo, ficando apenas ligeiramente acima dos níveis observados durante a pandemia de Covid-19 e do surto de febre aftosa de 2001.
Em sentido contrário, as importações totalizaram 19,1 mil milhões de quilogramas, menos 2,5% do que no primeiro semestre de 2025. Ainda assim, este foi o segundo valor mais elevado de sempre para um primeiro semestre, apenas ultrapassado pelo registado no mesmo período do ano anterior.
Quebra nas exportações para a UE
As exportações para a União Europeia continuaram a diminuir, com o valor das vendas a recuar 0,9%. Entre os principais mercados europeus, a Irlanda e a França registaram quebras de 4,9% e 4,6%, respetivamente. A FDF aponta os custos acrescidos e a complexidade das trocas comerciais após o Brexit, bem como a aplicação inconsistente das regras nos Estados-membros, como fatores que penalizam os produtores britânicos.
Fora da União Europeia, as vendas ao exterior diminuíram 6,9%. As exportações para os Emirados Árabes Unidos caíram 23,4%, num contexto de perturbações nos fluxos comerciais associadas às tensões entre os Estados Unidos e o Irão.
Já as vendas de alimentos e bebidas para os EUA recuaram 16,5%, com a FDF a atribuir parte da quebra à tarifa de 10% aplicada pelo país.
FDF alerta para custos e competitividade
A diretora executiva da FDF, Karen Betts, alertou para o impacto da instabilidade regulatória e dos elevados custos de conformidade na competitividade dos produtores britânicos, tanto no mercado interno como no exterior.
A responsável criticou também a suspensão de tarifas, introduzida pela então chanceler Rachel Reeves, sobre produtos importados como bolachas e chocolate. Segundo Betts, a medida coloca em risco os produtos e os postos de trabalho britânicos.
Tom Bradshaw, presidente da National Farmers’ Union (NFU), classificou os dados como um “alerta”. O responsável defendeu que, se o Governo pretende reforçar a segurança alimentar, o crescimento económico e a resiliência nacional, deve criar condições que permitam às empresas investir, inovar e crescer.















