Corredor de centro de dados com bastidores de servidores iluminados Foto Shutterstock

UE cria sistema para medir eficiência dos centros de dados

Comissão Europeia quer tornar o consumo de energia e água dos centros de dados mais transparente e prepara novas normas para a eficiência

A Comissão Europeia propôs um sistema comum de classificação para os centros de dados da União Europeia, com o objetivo de tornar mais transparente o consumo de energia e água e avaliar a forma como estas infraestruturas contribuem para o sistema energético. Em paralelo, lançou uma consulta pública sobre possíveis normas mínimas de desempenho para o sector.

A iniciativa surge num contexto de rápido crescimento da capacidade dos centros de dados, impulsionado pela digitalização e pela expansão da Inteligência Artificial. A Comissão estima que a capacidade instalada na UE deverá triplicar nos próximos cinco a sete anos, enquanto a Agência Internacional de Energia prevê que os centros de dados possam representar mais de 3% da procura total de eletricidade da UE em 2030.

Nova classificação para os centros de dados

O sistema de classificação proposto abrange centros de dados individuais com capacidade superior a 500 kW. O objetivo é disponibilizar informação comparável sobre a utilização efetiva de recursos, nomeadamente energia e água, e sobre o contributo destas instalações para o sistema energético.

A classificação deverá também considerar a capacidade dos centros de dados para contribuir para a rede, incluindo a reutilização do calor residual e a instalação de capacidade de produção de energia limpa.

Segundo a Comissão, centros de dados sustentáveis e flexíveis, capazes de adaptar o seu consumo de eletricidade às condições da rede, podem contribuir para reduzir os custos globais do sistema elétrico, melhorar a estabilidade da rede e facilitar a integração de mais energia renovável.

Os primeiros rótulos de sustentabilidade para centros de dados individuais deverão começar a ser apresentados em 2027, depois de concluído o período de escrutínio de dois meses pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho.

Água e calor entram na avaliação

A nova abordagem não se limita ao consumo de eletricidade. A utilização de água e a contribuição dos centros de dados para a eficiência do sistema energético também passam a integrar a informação a disponibilizar.

A Comissão destaca, em particular, o potencial de reutilização do calor residual. Segundo os seus dados, se cerca de metade do calor residual produzido pelos centros de dados na Europa fosse aproveitado, poderia corresponder às necessidades de aquecimento de cerca de quatro milhões de famílias.

A maior transparência deverá ainda facilitar a comparação entre diferentes centros de dados numa mesma região e incentivar soluções capazes de reduzir o consumo de energia e água, aumentar a utilização de fontes renováveis e de energia com baixas emissões de carbono e aproveitar o calor produzido nas instalações.

Consulta prepara novas regras

A classificação é apenas uma das medidas previstas pela Comissão. Bruxelas lançou também uma consulta pública e uma recolha de contributos sobre a necessidade e o conteúdo de futuras normas mínimas de desempenho energético para os centros de dados que operam na UE.

A consulta decorre durante 12 semanas, até 14 de dezembro de 2026. Os contributos recebidos deverão apoiar os trabalhos preparatórios da Comissão para uma proposta legislativa prevista para o segundo trimestre de 2027.

Estas futuras normas poderão estabelecer requisitos mínimos destinados a reduzir o consumo de energia e a pegada ambiental dos centros de dados, numa altura em que o aumento da capacidade do sector coloca pressão adicional sobre as redes elétricas, as emissões de carbono e recursos naturais como a água.

Mais capacidade = maior pressão energética

A Comissão considera o aumento da capacidade dos centros de dados necessário para reforçar a independência tecnológica e a soberania digital da UE. Ao mesmo tempo, reconhece que a expansão do sector terá impactos crescentes sobre o sistema energético.

A capacidade europeia deverá passar dos atuais níveis para cerca do triplo nos próximos anos, tornando a eficiência e a integração destas infraestruturas na rede elementos cada vez mais relevantes para a política energética europeia.

Com o novo sistema de classificação e o trabalho preparatório para possíveis requisitos mínimos, a Comissão procura criar maior transparência sobre o desempenho dos centros de dados e preparar o sector para uma expansão que terá de conciliar o crescimento da procura digital com a utilização eficiente dos recursos.

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