A instabilidade geopolítica no Golfo está a alterar as rotas aéreas, os momentos de reserva e a escolha dos destinos, favorecendo mercados alternativos como Portugal, revela um estudo da McKinsey & Company.
De acordo com a análise “How conflict in the Gulf is remapping global travel”, o Algarve, o Porto e o Alentejo registaram evoluções positivas na ocupação hoteleira entre março e abril, face ao período homólogo.
O Algarve apresentou um aumento de 5,7 pontos percentuais, enquanto o Porto avançou 3,3 pontos e o Alentejo 2,7 pontos.
A evolução surge num contexto de reorganização dos fluxos turísticos internacionais, com os viajantes a privilegiarem destinos considerados mais seguros, próximos ou acessíveis por ligações diretas.
Segurança ganha peso na escolha dos destinos
Apesar da instabilidade internacional, a procura por viagens mantém-se resiliente. Os consumidores continuam a demonstrar intenção de viajar, mas estão a tomar decisões mais tarde e a valorizar soluções flexíveis.
Num inquérito realizado pela McKinsey em Itália, 74% dos consumidores afirmou pretender viajar durante o verão de 2026. Contudo, 63% ainda não tinha concluído as reservas no momento da consulta.
Mais de metade, 56%, indicou que os planos tinham sido afetados pela situação geopolítica. Apenas 3% cancelou totalmente as viagens, enquanto 24% optou por adiar a decisão até dispor de maior clareza sobre preços, rotas e segurança.
Nos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, entre 60% e 70% dos consumidores afirma estar a ajustar os planos de viagem devido à situação no Médio Oriente.
A perceção de segurança surge, nos mercados analisados, entre os principais critérios de escolha, chegando a superar fatores como o preço e a conveniência.
Tráfego nos hubs do Médio Oriente cai 53%
O impacto do conflito é particularmente visível na conectividade aérea. Entre março e abril, os principais hubs do Médio Oriente perderam cerca de 5,1 milhões de passageiros internacionais em ligação, comparativamente ao período homólogo. O volume representa uma quebra aproximada de 53%.
Perante as limitações do espaço aéreo e a alteração das rotas, companhias e passageiros estão a procurar ligações alternativas e voos diretos. A McKinsey analisou mais de 90 variáveis relacionadas com a procura turística internacional e concluiu que a existência de voos diretos está entre os fatores com maior influência na capacidade de um destino captar visitantes internacionais de lazer.
A conectividade poderá, assim, tornar-se ainda mais determinante para a competitividade dos destinos à medida que as redes globais de transporte aéreo são reorganizadas.
Custos dos voos podem aumentar até 63%
As restrições ao espaço aéreo e a subida dos preços dos combustíveis estão também a pressionar os custos operacionais das transportadoras.
Num cenário ilustrativo analisado pela consultora, um voo entre Londres e Bombaim poderá registar um aumento de custos até 63%.
Caso essa subida seja transferida para os passageiros, o preço dos bilhetes poderá aumentar entre 13% e 44%, dependendo da rota e da política comercial de cada companhia aérea.
Espanha e Marrocos também ganham procura
Além de Portugal, outros destinos mediterrânicos apresentam sinais positivos de ocupação hoteleira.
Em Marrocos, Tânger registou um aumento de 9,9 pontos percentuais e Agadir de 7,5 pontos. Em Espanha, Alicante avançou oito pontos e Marbella 7,1 pontos.
Em sentido contrário, os destinos mais expostos ao conflito registaram quebras significativas na atividade turística e nas receitas da hotelaria.
No Dubai, a receita hoteleira caiu 75% entre março e abril, correspondendo a uma redução de 1,8 mil milhões de dólares face ao mesmo período de 2025.
Abu Dhabi registou uma quebra de 49%, enquanto o Qatar recuou 43%. Em Riade, na Arábia Saudita, a redução foi de 42%.
Para destinos, operadores turísticos e companhias aéreas, a capacidade de compreender rapidamente estas alterações será determinante para adaptar a oferta, os preços, a conectividade e as estratégias de promoção.








