Conferência sobre sustentabilidade e economia circular com intervenção de Ana Isabel Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde, perante uma plateia num espaço histórico em Lisboa

Re_source: 12 projetos-piloto para transformar gestão de resíduos de embalagens

Programa de inovação colaborativa promovido pela Sociedade Ponto Verde

A Sociedade Ponto Verde (SPV) e a Beta-i juntaram, na quarta edição do Re_source, 148 startups e 20 parceiros da cadeia de valor das embalagens. O objetivo foi apoiar na transformação deste sector, através de soluções ambiciosas, transversais e replicáveis, que promovam impacto mensurável.

Das 201 candidaturas recebidas, e após 11 meses de trabalho, identificaram-se soluções que avançam agora para a fase de piloto. Essas soluções vão receber 330 mil euros de cofinanciamento por parte da SPV para a sua implementação.

O desenvolvimento será feito em colaboração com 10 entidades que operam em várias fases da cadeia, com capacidade de testar os projetos-piloto no terreno. Estas soluções vêm dar respostas concretas às três missões estratégicas que foram definidas para esta edição do Re_source. A primeira é reciclar 75% do vidro em Portugal até 2030, com foco no canal Horeca. Além disso, o objetivo é reduzir em 5% a produção de resíduos de embalagens do fluxo urbano per capita até 2030 (versus 2018). Finalmente, pretende-se digitalizar e integrar os fluxos de informação do Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) até 2034.

Tecnologia a favor da sustentabilidade

Globalmente, destacam-se soluções inovadoras que combinam tecnologia e comportamento do consumidor. Algumas propostas recorrem à inteligência artificial e visão computacional para tornar a triagem de resíduos mais eficiente e melhorar a gestão operacional. Outras estão assentes em sistemas digitais e mecanismos de incentivo, como smartbins e aplicações. Assim, promovem a participação dos cidadãos e aumentam a reciclagem de vidro.

Reduzir o desperdício e promover modelos de consumo mais sustentáveis estão igualmente em destaque. Nomeadamente, através de soluções que incluem embalagens reutilizáveis, sistemas de refill e estratégias de nudging comportamental para incentivar hábitos mais responsáveis em centros comerciais e espaços urbanos. A inovação tecnológica assume um papel central. Combina automação, análise de dados e plataformas digitais para desenvolver soluções práticas, eficientes e com impacto direto na cadeia de valor.

Expansão global

A quarta edição do Re_source, que finalizou com o Re_source Day, demonstra o alcance internacional e um crescimento contínuo, nomeadamente em relação à edição anterior. Este crescimento é evidenciado ao registar 201 candidaturas provenientes de 54 países. Assim, superou as 182 da edição anterior. No total, participaram 134 startups internacionais e 14 nacionais.

O programa contou com o apoio de parceiros institucionais. Nomeadamente, a Agência Portuguesa do Ambiente, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos e a Direção-Geral da Economia. Contou ainda com o apoio dos Guardiões de Missões, Turismo de Portugal, Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos e GS1 Portugal.

A quarta edição do Re_source envolveu, ainda, 14 parceiros de piloto. Nomeadamente, Applus+, Casa Mendes Gonçalves, DS Smith, DIG-IN, Micronipol, Resíduos do Nordeste, Via Verde, Colibri, Colep Packaging, EGF, VALNOR, RESINORTE, Seda Ibérica e Sonae Sierra. Estes parceiros vão agora apoiar a implementação das 12 soluções.

Re_source

Para Ana Trigo Morais, CEO da SPV, o Re_source reforça o papel da inovação colaborativa na transformação do sector de resíduos em Portugal. “Na prática abrimos espaço a novas soluções e novas parcerias, o que cria condições para que haja uma mudança real. É fundamental, para o futuro do sector, que os projetos piloto sejam testados no terreno, pois permite-nos recolher dados concretos, avaliar se estão preparados para ser replicados e ganharem escala, levando a mais e melhor reciclagem de embalagens. Estamos muito empenhados em promover a circularidade em Portugal e contribuir para o cumprimento das metas ambientais que estão estabelecidas para este sector e acreditamos que este é o caminho”, refere.

Já para Diogo Teixeira, CEO da Beta-i, o Re_source evoluiu ao longo das quatro edições. Passou de um espaço de ligação entre parceiros e inovadores para um programa orientado para execução, onde os pilotos são testados no terreno. “Sabemos que os desafios da economia circular são sistémicos e exigem mais do que inovação incremental. Exigem coordenação entre empresas, inovadores, entidades públicas e reguladores, mas acima de tudo exigem ação”, sublinha.

Desde o seu lançamento, em 2021, e contando com esta edição, o Re_source já registou um investimento superior a um milhão e 700 mil euros. Este investimento foi distribuído por 35 pilotos, com 55 parceiros envolvidos e mais de 600 candidaturas.

O programa demonstra como a inovação colaborativa é essencial para enfrentar os desafios do sector da reciclagem de embalagens. A necessidade desta aposta tornou-se ainda mais evidente. Em 2025, Portugal entrou em incumprimento das metas europeias de reciclagem de embalagens, apesar de um investimento recorde de 212 milhões de euros. Esse era o ano em que deveria ter garantido a recolha seletiva de 65% de todas as embalagens colocadas no mercado.

Cartaz da conferência Grande Consumo: “Consumo na Era da Imprevisibilidade”, 4 de novembro de 2026, Taguspark, Oeiras
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