Cubos de madeira com símbolos de homem, igualdade e mulher sobre fundo azul e rosa, representando igualdade de género Foto Shutterstock

Maioria dos consumidores considera que igualdade de género em Portugal ainda é baixa

53% dos inquiridos acredita que as empresas não estão a adotar práticas adequadas para promover a igualdade de género

A maioria dos consumidores portugueses considera que o nível de igualdade entre mulheres e homens em Portugal permanece reduzido. Estes consumidores entendem também que as empresas ainda não adotam práticas suficientes para promover a igualdade de género, segundo um estudo divulgado pela ConsumerChoice.

De acordo com o inquérito, 41% dos participantes classifica o nível de igualdade de género no país como muito baixo. 33% considera que o nível é médio. Por outro lado, 18% dos entrevistados classifica o nível de igualdade como elevado e apenas 8% como muito elevado. Resultados que mostram que, apesar de ser reconhecerem alguns progressos, parte significativa entende que o país ainda tem um caminho relevante a percorrer.

“A história da evolução da mulher na sociedade é também a história da evolução da própria sociedade. Cada lugar conquistado, cada oportunidade criada e cada barreira ultrapassada representa, não apenas um avanço para as mulheres, mas também um progresso coletivo. Os resultados deste estudo mostram que os consumidores reconhecem esse caminho e valorizam cada vez mais contextos onde talento, mérito e oportunidade têm espaço para crescer, independentemente do género”, afirma Nassrin Majid, diretora-geral da ConsumerChoice.

Igualdade de género com pouco progresso

Grande parte dos participantes (62%) afirma não ter sentido ou presenciado qualquer tipo de situações de desigualdade de género. Contudo, 28% refere já ter vivido ou observado esse tipo de experiências. Nomeadamente no contexto profissional, destacam-se as diferenças salariais entre homens e mulheres que ocupam funções semelhantes, o menor acesso das mulheres a promoções e cargos de liderança e as dificuldades na gestão da vida profissional e familiar.

Relativamente à evolução da igualdade de género nos últimos cinco anos, 63% dos participantes considera que a situação se manteve igual. Ainda assim, 30% considera que o país registou progressos e 7% acredita que houve um retrocesso. Entre as justificações mencionadas, destacam-se os avanços graduais, sobretudo ao nível legislativo, da modernização social e do aumento de oportunidades para as mulheres, sobretudo no acesso a cargos de liderança.

No que diz respeito ao papel das organizações, 53% discorda da afirmação de que “as empresas em Portugal estão a adotar práticas cada vez mais adequadas para promover a igualdade de género”. Cerca de 29% assume uma posição neutra e somente 19% concorda com esta declaração. Embora seja assinalado que algumas empresas têm implementado políticas específicas, muitos participantes consideram que os progressos são moderados e desiguais, indicando lacunas na aplicação prática das medidas, especialmente em questões como a igualdade salarial e o acesso a cargos de liderança.

Educação e licenças parentais

Quanto à perceção geracional, os resultados mostram-se divididos. 40% dos inquiridos discorda que as gerações mais jovens tenham uma visão mais igualitária sobre o papel das mulheres e dos homens na sociedade. 30% mantém uma posição neutra e os restantes 30% concorda com esta declaração. Isto revela que existe alguma evolução geracional por parte dos participantes, apesar de ainda persistir uma perceção significativa de que essa mudança poderá não ser tão expressiva ou generalizada quanto seria expectável.

Quando questionados sobre qual a principal medida para acelerar a igualdade de género na sociedade portuguesa, os inquiridos destacam a maior partilha das licenças parentais (30%). Seguem-se a educação para a igualdade desde a escola (22%) e a igualdade salarial entre géneros (21%).

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