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A Casa Peixoto nasceu pequena, numa casa agrícola de Viana do Castelo, mas cresceu com a mesma solidez dos materiais que vende. Hoje, quase 50 anos depois, é uma referência nacional, aposta forte na Grande Lisboa e projeta chegar aos 80 milhões de euros de faturação em 2025. Com seis irmãos a liderar o negócio, a empresa familiar destaca-se pela diversificação total da oferta, pelo atendimento personalizado e por investimentos de grande escala que marcam uma nova fase de expansão.
Dizem que o maior desafio das empresas familiares é a resistência ao tempo. O passar de geração em geração. A Casa Peixoto, uma empresa de origem familiar com raízes firmemente plantadas em Viana do Castelo, é uma das exceções. Mais do que uma empresa de materiais de construção, é um testemunho de quase 50 anos de resiliência, visão e crescimento orgânico. Fundada em 1976, nasceu num contexto de profundas transformações sociais e económicas em Portugal, o pós-25 de Abril, e soube evoluir de um pequeno negócio familiar para um gigante do sector, com uma faturação que se projeta nos 80 milhões de euros para 2025.
Começou modestamente numa casa agrícola, com a venda de materiais básicos como tijolos, areia e cimento. Um negócio local, virado para o particular que construía a sua casa, que evoluiu para um player de referência no mercado nacional e internacional, com uma estratégia de crescimento assente na diversificação, na inovação e, sobretudo, na personalização do serviço ao cliente.
O administrador da Casa Peixoto, Luciano Peixoto, um dos seis irmãos que hoje administram a empresa, partilha com a Grande Consumo a história da sua génese e a estratégia que a catapultou para a liderança, mantendo sempre o foco na proximidade e na personalização do serviço ao cliente. Recorda as origens da empresa, que hoje celebra a sua longevidade: “começou tudo numa casa agrícola, onde nasci, com os meus irmãos e os meus pais”.
O crescimento foi gradual e impulsionado pela satisfação e exigência dos clientes. A expansão inicial deu-se de forma natural, arrastando clientes para fora da freguesia e, consequentemente, exigindo mais material e mais complementos para as obras.
Fundada em 1976, nasceu num contexto de profundas transformações sociais e económicas em Portugal, o pós-25 de Abril, e soube evoluir de um pequeno negócio familiar para um gigante do sector, com uma faturação que se projeta nos 80 milhões de euros para 2025
Para Luciano Peixoto, a grande mais-valia da empresa reside na sua capacidade de diversificação. Isto porque a Casa Peixoto deixou de ser apenas um fornecedor de materiais de construção para se tornar um parceiro que oferece uma solução completa para o edifício. “Isto é uma mais-valia para quem nos procura. O facto de sermos totalmente diversificados em matéria de construção. Desde os alicerces, que são os solos de cimento, o ferro de chouro, o gesso, as placas de gesso, as estruturas; depois entra na parte decorativa, com cerâmicos sanitários, tintas, decoração, iluminação e cozinhas. Tudo isto existe na Casa Peixoto, onde um único fornecedor consegue completar todo o processo da construção de uma casa, até à parte decorativa”, aponta o administrador. Esta abrangência de produtos e serviços não foi uma decisão inicial, mas um processo evolutivo, moldado pela procura e pela exigência do mercado. Na opinião de Luciano Peixoto, esta diversificação total otimizar os projetos em termos económicos e de material.
Para responder à competitividade do mercado, especialmente face às grandes superfícies, a Casa Peixoto adotou uma estratégia de segmentação e desenvolvimento de marcas próprias. A empresa garante trabalhar com as melhores marcas a nível nacional e internacional, mas também criou as suas próprias insígnias, como a Cozy, para atuar no nicho de mercado mais económico. Optou por definir uma estratégia em três segmentos: baixo, médio e alto, por forma a dar resposta ao mercado nas suas várias necessidades, permitindo apresentar soluções diferenciadas em termos de preço, qualidade e marcas.

Expansão nacional e o mega investimento em Lisboa
A expansão geográfica da Casa Peixoto começou no norte, com a abertura de lojas em Viana do Castelo, Porto, Braga, Guimarães e Aveiro. Mas a empresa não se ficou por aí. A nova aposta passa por conquistar o espaço mais a sul. E o passo mais recente e significativo é a aposta estratégica na zona de Lisboa. Por um lado, a abertura de uma megaloja na capital – investimento anunciado há três anos e em vias de conclusão – e de uma loja em Palmela.
Esta última iniciativa representa um investimento avaliado em 4,5 milhões de euros. A escolha do local, revela Luciano Peixoto, não foi aleatória. O crescimento económico registado na região, assim como a existência de fábricas como a Autoeuropa, foram determinantes.
O administrador sublinha que a loja de Palmela representa um “passo firme na consolidação da Casa Peixoto no sul do país. Uma região com enorme dinamismo e potencial, onde acreditamos que a proximidade com os nossos clientes é essencial para continuarmos a crescer”. O executivo acrescenta ainda que a loja foi pensada para servir os profissionais da construção e da reabilitação, com “oferta técnica especializada, serviços dedicados, logística própria e soluções que simplificam o dia a dia em obra”.
O projeto mais ambicioso, contudo, é a chegada à Grande Lisboa, com a abertura de um grande showroom na zona da Expo/Parque das Nações e outra loja em São João da Talha, visando uma cobertura total. O showroom, cuja construção já está em curso e tem inauguração prevista para 2026, representa um investimento avultado de mais de 20 milhões de euros.
Este espaço é descrito como a maior e mais moderna exposição da Casa Peixoto, pensada como uma “galeria de arte” na área dos cerâmicos e sanitários, onde o cliente poderá concretizar os seus sonhos através de espaços operativos e digitalizados. O entusiasmo na voz de Luciano Peixoto é evidente ao apontar que a loja de Lisboa será uma versão “melhorada” e mais digitalizada das lojas existentes, como a do Porto, com espaços dinâmicos onde o cliente poderá simular e imaginar a sua casa pronta em termos de cerâmica e decoração.
Personalização como vantagem competitiva
Num mercado altamente competitivo, onde a Casa Peixoto se bate com empresas multinacionais e grandes superfícies, a sua principal estratégia de diferenciação é o atendimento personalizado e a proximidade com o cliente. É desta forma que Luciano Peixoto se refere à estratégia da empresa. Para o administrador, é a personalização – imbuída na cultura da Casa Peixoto – que faz a diferença. “O cliente aqui é acompanhado, não compra por impulso, tem uma solução sugerida por técnicos que procuram indicar a solução mais correta e ajustável”. A empresa atende tanto o mercado profissional (mais exigente em termos de especificidade e competitividade) como o consumidor final. A personalização estende-se ao acompanhamento do cliente por um vendedor dedicado, que gere a conta, a encomenda e até o crédito.
Não obstante, e apesar do foco na personalização, a Casa Peixoto também abraçou a inovação digital, com uma loja online a funcionar e em “franco crescimento”, que serve como complemento e ponto de recolha de mercadorias.
O projeto mais ambicioso, contudo, é a chegada à Grande Lisboa, com a abertura de um grande showroom na zona da Expo/Parque das Nações e outra loja em São João da Talha, visando uma cobertura total. O showroom, cuja construção já está em curso e tem inauguração prevista para 2026, representa um investimento avultado de mais de 20 milhões de euros
No que toca à execução de obras, a Casa Peixoto mantém o foco no fornecimento e projeto, realizando apenas a montagem de cozinhas em regime chave-na-mão. Para as restantes obras, apenas indica parceiros, sem interferência direta.
As decisões executadas até hoje levam a que a Casa Peixoto tenha um sólido desempenho económico. O crescimento tem-se mantido robusto, com a empresa a fechar o primeiro semestre de 2025 com um volume de negócios de 39 milhões de euros, um crescimento de 18% face ao período homólogo de 2024. E a previsão para o fecho deste ano é de 80 milhões de euros.
A nível internacional, a estratégia passa por parcerias e não por investimento direto em lojas. Pelo menos para já, revela Luciano Peixoto, que acrescenta que a empresa tem parceiros a trabalhar fora de Portugal, incluindo em África, e que o mercado externo está em crescimento.
O futuro da Casa Peixoto é pautado por uma “grande ambição de querer crescer e continuar a evoluir para uma empresa cada vez mais moderna, competitiva e orientada para o cliente”. Mantém o seu coração minhoto e os valores de rigor e proximidade, mas com uma visão de inovação, trabalhando para que cada projeto e cada loja reflitam esta combinação de tradição e modernidade. O sucesso da Casa Peixoto é a prova de que, mesmo num mercado globalizado e altamente competitivo, os valores de proximidade, personalização e serviço completo, quando aliados a uma visão estratégica e a um forte investimento, são a fórmula para um crescimento sustentável e ambicioso.



