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Poupança do IVA não chega a 5 euros

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Menos de cinco euros é quanto os portugueses começaram a poupar a 18 de abril, com o IVA zero em 41 produtos. A DECO PROTESTE comparou os preços de um cabaz de 41 bens alimentares essenciais a 17 de abril, véspera da entrada em vigor do IVA zero, e a 18 de abril, primeiro dia da isenção de IVA, apurando um custo de 134,11 euros, menos 4,66 euros do que no dia anterior.

O preço por quilo de pescada fresca foi aquele que mais desceu entre 17 e 18 de abril. Na véspera da entrada em vigor da isenção de IVA, um quilo de pescada fresca custava 9,14 euros. A 18 de abril, passou a custar 7,90 euros por quilo, menos 1,24 euros.

Entre os produtos com as descidas de preço mais significativas estão também o óleo alimentar e o arroz carolino. A 17 de abril, uma garrafa de óleo alimentar custava 3,04 euros. A 18 de abril, o preço desceu 34 cêntimos, para 2,70 euros, mas a descida é inferior aos 23% de IVA que incidiam neste produto. Já o arroz carolino custava 2,18 euros a 17 de abril. No dia seguinte, com a isenção de IVA em vigor, passou a custar 1,98 euros, menos 21 cêntimos. Recorde-se que o arroz carolino tem sido um dos produtos cujo preço mais tem aumentado desde o início de 2022, de acordo com a monitorização da DECO PROTESTE.

 

Poupança esperada para 18 de abril era superior

Se os preços verificados a 17 de abril se mantivessem no dia 18 de abril, o impacto da descida do IVA deveria ter-se traduzido numa poupança de 8,25 euros para o consumidor, indica a associação de defesa do consumidor. No entanto, a DECO PROTESTE contabilizou uma descida de apenas 4,66 euros, “o que comprova uma oscilação ascendente de preços de um dia para o outro”. 

Dos 41 produtos analisados, a descida de preços verificou-se em apenas 39. As exceções foram a carne de novilho para cozer, cujo preço médio aumentou três cêntimos por quilo, e a couve-flor, cujo preço médio aumentou dois cêntimos por quilo.

Entre os produtos que registaram descida de preço, em 36 a quebra foi inferior aos 6% de IVA esperados.

Os 41 alimentos monitorizados pela DECO PROTESTE já integravam o cabaz de 63 alimentos essenciais que tem acompanhado desde o início de 2022. A 28 de março, um dia depois da assinatura do pacto entre o Governo e a cadeia de abastecimento para a isenção do IVA, o cabaz de 41 alimentos custava 136,86 euros, mais 2,75 euros do que a 18 de abril.

A lista de produtos que têm agora IVA zero resulta das recomendações da Direção-Geral da Saúde e inclui os alimentos mais consumidos pelas famílias em Portugal, de acordo com a informação disponibilizada pela associação que representa as empresas de distribuição alimentar.

 

Custo de vida disparou no último ano

As contas da DECO PROTESTE têm mostrado que a alimentação pesa cada vez mais no orçamento familiar. A 23 de fevereiro de 2022, na véspera do início da guerra na Ucrânia, uma cesta com 63 alimentos essenciais custava 183,63 euros. Um ano depois, a 22 de fevereiro de 2023, comprar exatamente os mesmos produtos representava já uma despesa de 226,60 euros.

“A tendência de subida dos preços revelou-se terreno fértil para a utilização de estratégias que mascaram a subida de preços. A DECO PROTESTE detetou, por exemplo, um creme vegetal para barrar que reduziu 50 gramas numa das suas embalagens, mas não baixou o preço cobrado, assim como um achocolatado em pó que, apesar de retirar 10 gramas a uma embalagem, aumentou o custo final. Mas os casos de reduflação são diversos, com várias marcas a reduzirem a quantidade de produto nas embalagens, mas a manter (ou a subir) o preço cobrado ao consumidor”, alerta.

Já os produtos de marca própria também aumentaram, em média, 32%, em 2022, segundo uma análise da DECO PROTESTE aos preços de 30 produtos de marcas da distribuição e aos equivalentes com marca de fabricante. E, com um cabaz de higiene e limpeza seguido pela organização, a despesa passou de cerca de 88 euros para mais de 100 euros no prazo de um ano.

Por Carina Rodrigues

Responsável pela redacção da revista e site Grande Consumo.

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