Houve um tempo em que bastava estar no Facebook para estar nas redes sociais. Esse tempo acabou há muito. As plataformas digitais transformaram-se num elemento central da nossa vida quotidiana: na forma como comunicamos, como nos informamos, como compramos e como nos relacionamos com marcas e empresas. São, hoje, um pilar incontornável da economia e um espelho fiel dos nossos comportamentos enquanto sociedade. E é precisamente esse espelho que o estudo anual da Marktest, “Os Portugueses e as Redes Sociais”, nos devolve na sua edição de 2025, a tempo de assinalar o Dia Mundial das Redes Sociais, a 30 de junho.
A primeira grande conclusão é que o domínio do Facebook ficou para trás. A rede que durante anos reinou sozinha nas preferências dos portugueses vive hoje uma espécie de meia-idade digital: ainda é a primeira que nos vem à cabeça quando pensamos em redes sociais – mais de 58% dos inquiridos referem-na espontaneamente –, mas já não é aquela que mais usamos.
Esse lugar pertence agora ao Instagram, que lidera a frequência de utilização pelo segundo ano consecutivo, com mais de 32% de referências, e ao WhatsApp, que pela primeira vez surge como a rede com maior penetração no país, alcançando 89,9% dos utilizadores. O Facebook mantém-se relevante, sobretudo entre os utilizadores mais velhos, mas a tendência é clara.
Curiosamente, ao mesmo tempo que os portugueses diversificam a sua presença – tendo, em média, perfil em sete plataformas diferentes, número que chega a dez entre os mais jovens –, cresce também o fenómeno do abandono. Quase um em cada quatro utilizadores deixou pelo menos uma rede no último ano.
O X, antigo Twitter, foi o mais atingido, com 32% de referências entre quem abandonou alguma plataforma, seguido do Snapchat (31%). As razões vão da perda de interesse ao cansaço, mas no caso do X há um fator singular: 13% dos seus ex-utilizadores apontam diretamente o comportamento de Elon Musk como motivo para sair. É um sinal dos tempos: as pessoas já não separam a plataforma de quem a lidera.
No plano da relação entre consumidores e marcas, o cenário é igualmente revelador. O Instagram consolidou-se como a montra digital preferida dos portugueses: 73% de quem segue empresas nas redes sociais escolhem-no, contra 55% que indicam o Facebook. Estes utilizadores valorizam, acima de tudo, ofertas e promoções, referidas por quase 70%, e os vídeos ultrapassaram pela primeira vez as fotografias como formato preferido (73% contra 70%) nestas páginas; ou seja, mais uma prova de que o consumo de conteúdos se torna cada vez mais dinâmico e imediato. Ainda assim, há um dado que merece reflexão: a maioria dos portugueses (62%) considera que dois posts diários é o máximo aceitável, o que sugere que o excesso de presença da marca pode ser tão prejudicial quanto a sua ausência.
O retrato é claro: as redes sociais continuam a ganhar peso na vida dos portugueses, mas a forma como as usamos está em permanente mutação. Somos mais seletivos, mais exigentes e menos fiéis a uma única plataforma. Para as marcas e para quem comunica, a mensagem é simples: já não basta estar presente. É preciso estar bem, no sítio certo e com o conteúdo certo.








