No dia 25 de setembro assinala-se o Dia Nacional da Sustentabilidade, uma data que convida a refletir sobre a forma como produzimos os alimentos que chegam diariamente às nossas mesas. Por detrás de cada refeição há um caminho longo: um solo que foi cuidado, mãos que trabalharam a terra, fábricas que transformaram, pessoas que decidiram. E é olhando para esse caminho por inteiro que percebemos uma verdade simples: sistemas alimentares mais resilientes não se constroem sozinhos. Constroem-se quando agricultores, indústria, parceiros e consumidores decidem caminhar na mesma direção.
Esta é uma conversa especialmente importante num setor como o agroalimentar, que é um pilar relevante da economia e da internacionalização portuguesa. Mais recentemente, a AICEP reportou que as exportações do setor agroalimentar representam cerca de 13,3% das exportações totais de bens do país em 2025. Mais do que traduzirem a capacidade produtiva do país, estes números mostram a importância de assegurar que o crescimento económico é acompanhado por práticas que protejam os recursos naturais, apoiem as comunidades e reforcem a resiliência dos sistemas alimentares.
A qualidade dos alimentos começa muito antes de chegarem à fábrica. Começa no campo, nas mãos dos agricultores portugueses que, geração após geração, trabalham a terra e asseguram a produção das matérias-primas que fazem parte da alimentação de milhões de pessoas.
É neste ponto que a agricultura regenerativa ganha todo o seu sentido. Não é uma moda nem um chavão. É uma forma diferente de olhar para a terra. Trata-se de uma abordagem que procura melhorar a saúde do solo, promover a biodiversidade, contribuir para uma melhor gestão da água e apoiar a redução das emissões associadas à produção agrícola. Mais do que uma prática isolada, representa uma forma de preparar a agricultura para responder aos desafios climáticos e produtivos das próximas décadas.
Na Nestlé, em Portugal, temos vindo a construir parcerias sólidas com agricultores no Alentejo, uma região marcada pela tradição agrícola e fundamental para a produção de matérias-primas de excelência. Esta transição foi iniciada há três anos com um pequeno grupo de produtores, e hoje já contamos com onze agricultores em Elvas, Castro Verde e Évora. Estes parceiros cultivam os seus campos de forma a restaurar a saúde do solo, proteger a biodiversidade, otimizar o uso da água e reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, tudo com o apoio da empresa.
Em 2025, estas práticas foram implementadas em cerca de 1.550 hectares, que forneceram aproximadamente 2.800 toneladas de trigo destinadas à produção de alimentos infantis da gama CERELAC na Fábrica de Avanca. Com base na metodologia utilizada para avaliar as práticas implementadas, estimou-se uma redução de cerca de 40% das emissões associadas à produção deste trigo.
São resultados concretos que demonstram como a colaboração ao longo da cadeia de valor pode transformar compromissos em impacte mensurável.
A fábrica de Avanca é um dos corações da operação da empresa em Portugal: é em Avanca que há mais de 60 anos se produzem bebidas de cereais e farinhas alimentares, reunindo conhecimento, capacidade produtiva e inovação desenvolvidos em Portugal.
Ao valorizar ingredientes produzidos no país e ao investir continuamente em conhecimento, tecnologia e capacidade produtiva, Avanca demonstra como a indústria alimentar pode contribuir para a criação de valor económico, para a dinamização dos territórios e para o fortalecimento das cadeias agroalimentares nacionais.
Também na operação industrial, a procura de maior eficiência tem sido uma prioridade. As fábricas da Nestlé em Avanca e no Porto operam com eletricidade proveniente de fontes 100% renováveis certificadas, enquanto os resíduos operacionais são encaminhados para soluções de valorização, reciclagem ou recuperação, evitando a sua deposição em aterro.
Com mais de um século de presença em Portugal, a Nestlé tem tido o privilégio de crescer e evoluir lado a lado com os portugueses. Esse percurso tem também uma responsabilidade acrescida: continuar a criar valor partilhado, investindo na produção local, no talento nacional, na inovação e em relações duradouras para com os parceiros que fazem parte da nossa cadeia de valor, sendo estes pilares essenciais para um desenvolvimento sustentável.
A sustentabilidade dos sistemas alimentares não se constrói através de uma única iniciativa nem de um único interveniente. Constrói-se todos os dias, no campo onde são produzidos os ingredientes, na fábrica onde são transformados e na mesa onde são partilhados.







