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Mercado mundial do luxo poderá recuar 2% em 2025 devido à instabilidade económica global

Bernstein revê previsões para o sector do luxo, alertando para os efeitos de segundo grau: queda das bolsas, incerteza económica e retração do consumo premium

Foto Shutterstock

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O mercado mundial do luxo, que nos últimos anos vinha a registar taxas de crescimento robustas, enfrenta agora um cenário de contração. De acordo com a mais recente análise da consultora Bernstein, o sector deverá sofrer uma quebra de 2% em 2025, numa inversão acentuada face à anterior previsão de crescimento de 5%.

A revisão em baixa é justificada pelo agravamento das tensões comerciais, em especial as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, e pelos efeitos macroeconómicos negativos que delas resultam: aumento da incerteza, quedas significativas nos mercados bolsistas, desvalorização do dólar e riscos crescentes de recessão.

 

Incerteza, volatilidade e retração do consumo premium

O relatório da Bernstein destaca que o sector do luxo está a ser atingido não tanto pelas tarifas em si, mas pelos efeitos de segundo e terceiro grau. “O que nos preocupa são os efeitos colaterais: a incerteza gerada, a recente queda das bolsas, a pressão cambial e o risco de uma recessão mundial que retraia ainda mais o consumo de bens de luxo”, explica Luca Solca, analista líder do sector na Bernstein.

A análise sublinha que, historicamente, o mercado do luxo é altamente sensível a oscilações económicas e financeiras, em particular à confiança dos consumidores premium, que tendem a retrair o consumo em períodos de instabilidade.

Mesmo antes do agravamento do contexto macroeconómico, o sector do luxo já mostrava sinais de enfraquecimento. A China, uma das principais locomotivas do luxo mundial, registou um abalo no consumo interno, devido a fatores como o prolongamento da crise no sector imobiliário e a menor confiança dos consumidores.

Na Europa, o aumento dos preços e uma procura menos elástica penalizaram o consumo em grandes capitais do luxo, como Paris, Milão e Londres, e nos Estados Unidos, a procura mostra-se mais seletiva, focada em experiências e viagens, em detrimento de bens materiais. Agora, a instabilidade nas bolsas e a valorização de moedas alternativas ao dólar agravam ainda mais a pressão sobre as marcas.

 

Reação das marcas: resiliência, mas com cautela

Perante este contexto adverso, grandes grupos de luxo, como LVMH, Kering, Hermès e Richemont estão a rever as suas estratégias, através do foco nos clientes ultraprivilegiados (top 5% do consumo de luxo mundial), menos sensíveis às oscilações económicas; da diversificação geográfica, com maior aposta em mercados resilientes, como o Médio Oriente e o sudeste asiático; da valorização do storytelling e da exclusividade, para justificar o valor premium dos produtos; e do reforço da aposta no digital, com experiências de compra cada vez mais exclusivas no online.

Ainda assim, analistas como Luca Solca alertam que mesmo o segmento de clientes muito ricos pode tornar-se mais prudente, caso a instabilidade económica global se prolongue ou agrave.

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Por Carina Rodrigues

Responsável pela redacção da revista e site Grande Consumo.

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