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O relatório anual “Eating Patterns in America”, da Circana, mostra que a incerteza económica continua a marcar o comportamento alimentar dos norte-americanos, mas revela também um consumidor resiliente, que mantém o gasto em alimentação a crescer cerca de 3% face ao ano anterior.
A análise, que examina 1,7 biliões de dólares em despesa e 618 mil milhões de ocasiões de consumo, apresenta a leitura mais abrangente do comportamento alimentar dos Estados Unidos em 2025.
David Portalatin, senior vice president e advisor da Circana, resume o momento atual em duas palavras: “incerteza e resiliência”. Segundo o especialista, fatores como as tarifas, as políticas migratórias e as preocupações com a pureza e qualidade dos alimentos estão a gerar apreensão entre os consumidores. Apesar disso, indicadores como a inflação baixa, o emprego forte e a procura estável ajudam a sustentar o crescimento do sector.
Regresso ao escritório está a mudar os horários e padrões de consumo
O regresso parcial ao trabalho presencial volta a redefinir os momentos de consumo. A ocupação média dos escritórios subiu para 52% em 2025, face aos 49% do ano anterior.
Este movimento impulsiona procura por soluções rápidas e on the go, especialmente ao pequeno-almoço, cuja frequência em canais de foodservice registou o primeiro aumento desde o segundo trimestre de 2023.
O estudo confirma uma tendência estrutural: o apetite por proteína está a aumentar. 41% dos adultos afirma querer aumentar a ingestão de proteína, o que favorece produtos com alegações proteicas em praticamente todas as categorias.
Menos artificiais e ultraprocessados
Ganha força um movimento de “regresso à pureza”, associado ao desejo de reduzir aditivos e processamentos excessivos: 28% evita adoçantes artificiais e 25% corantes e aromas artificiais. Estes comportamentos estão alinhados com iniciativas sociais mais amplas, como o movimento “Make America Healthy Again”.
O relatório também destaca a crescente versatilidade no modo como os consumidores integram os snacks no dia a dia. O número de ocasiões em que os snacks são consumidos durante refeições subiu para 462 por ano, aproximando-se das 789 ocasiões registadas entre refeições. A fronteira entre “comida” e “snack” esbate-se, reforçando a necessidade de as marcas oferecerem soluções híbridas e convenientes.



