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Estados Unidos redesenham a pirâmide alimentar

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A administração do presidente Donald Trump, através dos departamentos de Agricultura e de Saúde e Serviços Humanos, divulgou uma nova pirâmide alimentar que integra as diretrizes oficiais para os próximos cinco anos.

A representação gráfica foi radicalmente alterada, reduzindo a tradicional estrutura de seis grupos a apenas três grandes blocos: proteínas, lacticínios e gorduras saudáveis; frutas e vegetais; e cereais integrais.

O objetivo declarado da mudança é promover uma alimentação baseada em “comida real” — alimentos inteiros ou minimamente processados — com maior ênfase nas proteínas e menor destaque para alimentos ultraprocessados e doces, que deixam de aparecer no gráfico.

 

Minimalismo visual

O novo desenho adota um estilo gráfico simplificado e minimalista, inspirado em tendências de comunicação visual típicas de marcas de alimentação saudável, com tipografias limpas, uso de espaços em branco e ilustrações evocativas, numa tentativa de tornar o guia mais apelativo e acessível ao público.

As diretrizes recomendam aumentar significativamente a ingestão de proteínas, sugerindo entre 1,2 e 1,6 gramas por quilo de peso corporal por dia, acima das recomendações anteriores. Alimentos como carnes vermelhas, ovos, peixe, lacticínios integrais e fontes de gorduras naturais passam a ocupar um papel central nas orientações, enquanto os açúcares adicionados e produtos altamente processados são fortemente desencorajados.

Vegetais, frutas e cereais integrais permanecem recomendados, mas o novo formato da pirâmide altera a hierarquia visual destes grupos face às proteínas e gorduras “saudáveis”, refletindo a prioridade atribuída pelo Governo nesta revisão.

 

Debate entre especialistas

A mudança gerou debate entre nutricionistas e especialistas em saúde pública. Alguns saúdam o foco na redução de alimentos ultraprocessados e na simplicidade de comunicação. Contudo, outros alertam para os potenciais riscos de enfatizar excessivamente as proteínas de origem animal e gorduras saturadas, dado o histórico de associações desses alimentos com doenças cardiovasculares, e referem que a comunicação gráfica pode ser ambígua sem informações claras sobre proporções e ração diária recomendada.

A nova pirâmide representa uma evolução significativa das tradicionais recomendações alimentares nos Estados Unidos. Trata-se da primeira versão em pirâmide desde que o modelo foi substituído pelo guia MyPlate em 2011, reforçando um regresso simbólico e ideológico à iconografia nutricional tradicional, agora reinterpretada para refletir a agenda de saúde pública da atual administração.

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Por Carina Rodrigues

Responsável pela redacção da revista e site Grande Consumo.

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