Oiça este artigo aqui:
As recentes tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre uma vasta gama de produtos importados, incluindo têxteis, aço, semicondutores e componentes de veículos elétricos, estão a provocar um abalo nas cadeias de abastecimento globais e nos planos de expansão das grandes multinacionais do retalho.
De acordo com a Reuters, plataformas como a Shein, a Walmart ou a Amazon enfrentam agora o dilema de absorver os custos adicionais, o que reduz margens, ou repassá-los ao consumidor, arriscando a perda de competitividade num mercado já pressionado por preços baixos.
“É um jogo de equilíbrio muito sensível. Se passarmos os custos ao consumidor, arriscamos perder quota de mercado. Se os absorvermos, afetamos os resultados financeiros”, afirmou um executivo de um dos principais retalhistas entrevistados pela agência noticiosa.
Impacto nas exportações e na confiança
Segundo um estudo recente da Allianz Trade, as novas tarifas norte-americanas desencadearam uma quebra acentuada na confiança dos exportadores globais. Antes da entrada em vigor das tarifas, apenas 5% das empresas esperava quedas nas exportações. Após o anúncio, esse número subiu para 42%.
A expectativa de perdas globais em exportações é de 305 mil milhões de dólares em 2025, cerca de 280 mil milhões de euros.
“Em claro contraste com o otimismo vivido antes do Dia da Libertação, o inquérito global confirma o que vemos em todos os mercados: a incerteza e a fragmentação vieram para ficar”, declara Aylin Somersan Coqui, CEO da Allianz Trade.
Realinhamento logístico
As empresas da área de moda, bens eletrónicos e utilidades domésticas são especialmente penalizadas, já que dependem fortemente da produção em países asiáticos, particularmente a China. Para além disso, marcas europeias como a Zara, que exportam para os Estados Unidos, admitem a necessidade de rever localizações de produção ou investir em nearshoring para mitigar riscos.
A Alemanha, pela sua elevada exposição exportadora, surge como um dos países mais afetados: 39% das empresas alemãs espera uma queda nas suas exportações e 35% identifica o protecionismo como principal risco geopolítico.
Efeito dominó nas estratégias de pricing e inovação
A pressão crescente sobre as margens poderá limitar os investimentos em inovação, marketing e expansão. Ao mesmo tempo, várias cadeias estudam ajustes nas gamas de produto e estratégias de marca própria, privilegiando fornecedores regionais com menor exposição tarifária.
Plataformas como a Temu e a Shein, conhecidas por envios diretos ao consumidor, enfrentam também o escrutínio adicional das autoridades alfandegárias, que têm sinalizado potenciais abusos do sistema de envios de baixo valor.


