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O supermercado do futuro

O supermercado, tal como hoje o conhecemos, poderá desaparecer no ano de 2040. Mas esta não é a visão da Coop Italia, o maior retalhista de base alimentar italiano, que abriu recentemente aquilo que no seu entender é o supermercado do futuro. Com recurso à mais avançada tecnologia, este conceito vai buscar o melhor dos antigos mercados, onde as pessoas trocavam produtos e ideias. E é assim que, no supermercado do futuro da Coop, os produtos passam a contar histórias e a interagir com os consumidores, reinventando o conceito de conveniência, valor e experiência de compra.

O supermercado, como é conhecido hoje, pode desaparecer no ano 2040. Quem o diz é Jaime Castelló, professor de Marketing da Esade. “Basta pensar em duas grandes causas da mudança do sector de retalho, a conveniência (mais fácil, barato, próximo e confortável) e a experiência de compra (quem agrega mais valor), para prever que, em 2040, podem desaparecer os supermercados como hoje os conhecemos“, disse o professor num debate sobre o supermercado do futuro, realizado em colaboração com a Accenture Digital.

Nisto coincide Tony Stockil, CEO do Grupo Javelin, para quem, em 20 anos, a paisagem da indústria será irreconhecível, com a digitalização a transformar o mercado. “Globalmente, o e-commerce amadureceu e está a crescer rapidamente nas grandes cidades“.

Tony Stockil observa que, à medida que a digitalização avança no sector do retalho, “muitas empresas são obrigadas a incorporar vendas online para sobreviver”. Isso acontece também no retalho alimentar, onde ainda não se alcançaram margens de lucro. Além disso, “a digitalização aumentou a diversidade de canais e criou uma maior transparência de preços“, num mercado onde “é particularmente difícil de lidar com concorrentes como a Amazon, que já vende diretamente produtos alimentares online“, reconhece o CEO do Grupo Javelin. Portanto, o negócio do retalho tradicional deve incorporar “uma gama de novas competências e habilidades” e “inovar os seus modelos de negócios.”

 

Supermercado do futuro

Batizado como “supermercado do futuro”, a Coop Itália inaugurou no passado mês de dezembro um ponto de venda totalmente inovador no centro comercial Bicocca Village, em Milão. Este modelo foi experimentado durante a Expo Milão, em 2015, desenvolvido pela Accenture, Avanade Intel e Microsoft e desenhado por Carlo Ratti, arquiteto, engenheiro e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Este ponto de venda, que tem uma área de 1.000 metros quadrados e representa um investimento de 4,5 milhões de euros. Apesar de, por enquanto, os números de vendas serem encorajadores, em função da sua evolução, o modelo poderá ser aplicado a outras cidades italianas. A loja, que usa a tecnologias Cloud e sensores de reconhecimento gestual da Microsoft, parte da ideia de que os produtos podem contar histórias.

Estamos a tentar que as tecnologias nos ajudem a redescobrir a cadeia alimentar. Penso que os supermercados podem ser espaços de experiência e não apenas um local onde se vendem produtos. No futuro, vamos considerar cada vez mais as compras como uma experiência”, explica Carlo Ratti. “Ao escolher produtos frescos, vamos sempre gostar de entrar num lugar físico onde podemos tocar e cheirar. Desenvolvemos o conceito de ‘supermercado do futuro’ pensando nos velhos mercados onde as pessoas trocavam tanto produtos como ideias. Como muitas vezes acontece com as novas tecnologias, podemos experimentar com o futuro olhando para o passado”, conclui o professor do MIT.

 

Coop Bicocca

Os clientes da Coop Bicocca, ao deslocarem-se pela loja, têm acesso instantâneo à informação sobre mais de seis mil produtos, incluindo calorias, composição e origem dos mesmos, através de ecrãs digitais interativos suspensos nas prateleiras. Estes ecrãs fornecem também sugestões de acompanhamento, assim como de menus, que se transformam numa lista de compras, e mostram ainda o registo de compras feitas anteriormente. No “supermercado do futuro”, sensores, robots, ecrãs digitais e apps ajudam a conhecer melhor sobre os produtos que se querem comprar e a encontrar os mais adequados.

Para além de beneficiar o consumidor, este conceito permitirá à Coop transformar as suas decisões de compra. Por exemplo, ao analisar dados sobre a frequência com que os consumidores pegam em determinado produto e voltam a colocá-lo no lugar, a Coop pode alterar as suas encomendas para assegurar-se que compra os itens mais populares e que estes estão sempre em stock.

A Coop está otimista quanto ao futuro dos supermercados físicos e assegurar-se, assim, que o seu modelo vai sobreviver ao horizonte de 2040. Aliás, para Gabriele Tubertini, CIO da Coop Italia, os supermercados ainda existirão em 2050. “Mas serão transformados em lugares onde as pessoas vão não só para comprar, como também para se encontrarem com outras pessoas e encontrarem informação relevante sobre os produtos de elevava qualidade que procuram”.

Este artigo foi publicado na edição 43 da Grande Consumo.

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