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A Pernod Ricard encerrou o exercício fiscal de 2025 com um lucro líquido atribuível de 1.626 milhões de euros, um aumento de 10% face ao ano anterior, apesar de um contexto de desaceleração económica e incertezas geopolíticas.
Este desempenho positivo foi alcançado apesar de uma queda nas vendas, que totalizaram 10.959 milhões de euros, refletindo um decréscimo orgânico de 3% (-5,5% reportado), sobretudo devido à fraqueza da procura em mercados estratégicos como China e Estados Unidos, e ao impacto cambial desfavorável.
O lucro operacional recorrente situou-se nos 2.951 milhões de euros, com uma ligeira queda orgânica de 0,8%. No entanto, a empresa conseguiu expandir a sua margem operacional orgânica em 64 pontos base, impulsionada pela conclusão de um ambicioso programa de eficiência no valor de 900 milhões de euros e por uma rigorosa disciplina na gestão de custos. O fluxo de caixa livre atingiu 1.100 milhões de euros, um aumento de 18%, suportado por uma gestão eficiente do capital circulante.
Desempenho geográfico desigual
A performance da Pernod Ricard variou significativamente por região. Na América, o crescimento no Canadá e Brasil contrastou com a queda de 6% nas vendas nos EUA, impactadas por uma procura mais fraca e pela incerteza em torno das tarifas comerciais, agora parcialmente resolvida. A empresa estima que o impacto anualizado das tarifas impostas pelos EUA e China será de 80 milhões de euros, muito abaixo dos 200 milhões inicialmente previstos.
Na Ásia, os resultados foram mistos: a Índia apresentou um crescimento robusto de 6%, impulsionado pela procura por marcas premium, enquanto a China registou uma quebra de 21% nas vendas, penalizada pela redução do consumo e por incertezas regulatórias, incluindo o fim de uma investigação antidumping. A empresa prevê uma nova queda acentuada nas vendas na China no primeiro trimestre de 2026, antes de uma eventual estabilização.
Na Europa, as vendas recuaram 2%, embora tenham permanecido estáveis excluindo o mercado russo. Houve bom desempenho em França e na Europa de Leste, enquanto Alemanha e Espanha registaram quedas. O canal de travel retail caiu 13%, muito penalizado pela suspensão das importações de conhaque no mercado duty free chinês.
Perspetivas
A Pernod Ricard continua a apostar numa estratégia de longo prazo, com 1.200 milhões de euros investidos em Capex e inventário estratégico. A empresa manteve também uma gestão ativa do seu portefólio, incluindo a alienação de negócios como Wines e Imperial Blue. O dividendo proposto é de 4,70 euros por ação, refletindo o compromisso da empresa com a sustentabilidade financeira e a criação de valor para os acionistas.
Apesar de prever um primeiro trimestre desafiante no exercício de 2026, a Pernod Ricard acredita numa recuperação progressiva ao longo do ano fiscal, especialmente na segunda metade. O CEO, Alexandre Ricard, afirmou que “iremos fazer melhor do que este ano”, embora tenha reconhecido que ainda é cedo para fornecer previsões concretas.
A empresa mantém a sua orientação estratégica para o médio prazo, reiterando a meta de crescimento orgânico anual das vendas entre 3% e 6% no período de 2027 a 2029, bem como uma expansão sustentada da margem operacional.