“Continuaremos a criar relações fortes e duradouras, pois é algo que está no nosso ADN”

Rui Mendonça, CEO Aviludo
Rui Mendonça, CEO Aviludo

Rui Mendonça, CEO da Aviludo, aborda a atualidade da empresa portuguesa recentemente adquirida pela Metro AG. Decisão estratégica que irá permitir a este operador especializado não só criar outro tipo de sinergias, como alavancar crescimento num mais curto espaço de tempo. Com foco no abastecimento ao canal Horeca, e a todos os restantes segmentos profissionais do mercado alimentar, a Aviludo prepara-se para a reabertura económica do país, de modo a dar continuidade ao que tem vindo a fazer desde 1984: “criar relações fortes e duradouras”.

 

Grande Consumo – Desde a sua fundação, em 1984, que a Aviludo tem vindo a atuar em diversas áreas de negócio, como a indústria, o comércio e a distribuição de produtos alimentares. Se, na altura da sua fundação, esta aposta fez sentido, em 2021, e volvido mais de um ano sobre a pandemia de Covid-19, a diversificação de portfólio e das áreas de atuação faz ainda mais sentido?

Rui Mendonça – Sim, faz todo o sentido. E, nesta fase de pandemia, a prova disso mesmo é a procura que sentimos dos nossos clientes a cada período de desconfinamento. A Aviludo, durante todo o seu trajeto, tem-se conseguido afirmar, em Portugal Continental, como um parceiro distinto em todos os sectores do mercado alimentar, altamente especializado no canal da hotelaria e restauração, com uma oferta ímpar e diversificada de produtos e serviços.

 

GC – Foi esta abrangência de oferta e eficácia de serviço que levou a Metro AG a avançar para a aquisição da empresa?

RM – Foram esses aspetos e o nosso ADN. A Metro AG está, há largos anos, focada no sector da hotelaria e restauração e no crescimento através do canal de “food service”. Nesse contexto, a Aviludo e a Metro AG encetaram conversações, há mais de dois anos, e o negócio concretizou-se, precisamente, porque partilham a mesma visão e estratégia para este mercado, tendo subjacente o ADN diferenciador da Aviludo na proximidade que tem com os seus clientes. Foi tudo isto que cativou a Metro AG a adquirir a Aviludo. 

 

GC – Na prática, o que mudou com esta aquisição? Ou nada mudou?

RM – O que mudou é que passámos a pertencer a um grupo muito forte, de dimensão global, o que permitirá alavancar o nosso crescimento num mais curto espaço de tempo, criar sinergias e contar com a presença e a experiência internacional da Metro AG para tomar decisões estratégicas.

No entanto, a Aviludo é um projeto que se iniciou há 37 anos, com uma cultura e uma identidade muito próprias e isso não pretendemos mudar.

Garantidamente que o ADN da Aviludo irá manter-se igual. Continuaremos a preservar as premissas que sempre estiveram na base da construção da cultura da empresa, isto é, a relação de proximidade com um serviço profissional personalizado ao cliente, disponibilizando soluções alimentares que lhe permita otimizar o seu rendimento. 

Nesse sentido, a Aviludo mantém a sua autonomia e a sua equipa de gestão continuará a liderar o negócio.

Esta aquisição deu-se num momento muito desafiante para todos, mas irá, certamente, fortalecer a nossa posição no mercado e permitirá criar novas sinergias geradoras de valor para os nossos clientes.

 

GC – O que faz com que a Aviludo seja uma referência no fornecimento de produtos secos, frescos, congelados, ultracongelados e refrigerados nos diversos canais de comercialização onde se faz representar?

RM – É termos todo um serviço de excelência que permite que esses canais nos vejam como um verdadeiro parceiro de negócio. Ao longo da nossa existência, temos seguido esta linha estratégica de pensamento e implementado um conjunto de metodologias que consideramos fundamentais para a nossa diferenciação no mercado. Por exemplo, selecionamos criteriosamente os produtos e os fornecedores, dispomos de frota própria, apostamos constantemente na formação das equipas, investimos em soluções tecnológicas e inovadoras de suporte às nossas atividades e, saliento ainda, a confiança que transmitimos aos nossos parceiros por termos implementado um Sistema de Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar, devidamente certificado. 

 

GC – Falar, hoje, do portfólio da empresa é falar de quantas referências comercializadas? Quais as marcas próprias que comercializam?

RM – A Aviludo tem, hoje, no seu portfólio de produtos uma oferta de mais de 3.500 referências, das quais mil referem-se a produtos de marca própria.

As marcas próprias em que temos apostado, e desenvolvido ao longo dos últimos anos, por considerarmos que são um fator de diferenciação e de valor acrescentado ao mercado alimentar, são a Uli e a Bestfood.

 

GC – Ter apostado, desde a fundação, na criação de marcas próprias foi uma decisão acertada? Ou teria sido mais “fácil” optar somente pela representação e comercialização de marcas de terceiros?

RM – Apostar no desenvolvimento das marcas próprias foi, com toda a certeza, uma decisão estratégica acertada. Apesar de ser um processo bastante exigente no âmbito da certificação alimentar e do ponto de vista da introdução de novos produtos no mercado, constitui mais um elemento complementar e diferenciador da oferta aos nossos clientes, pois permite-nos ter uma gama diversificada de produtos de elevada qualidade. A Uli e a Bestfood são, hoje, duas das principais referências no “modus operandi” do negócio da Aviludo, pelo reconhecimento de valor que o mercado lhes atribui.

 

Garantidamente, que o ADN da Aviludo irá manter-se igual. Continuaremos a preservar as premissas que sempre estiveram na base da construção da cultura da empresa, isto é, a relação de proximidade com um serviço profissional personalizado ao cliente, disponibilizando soluções alimentares que lhe permita otimizar o seu rendimento

 

GC – A distribuição direta assegurada pela empresa é uma das suas mais-valias? A atual capacidade logística deixa-os satisfeitos ou faz parte dos planos futuros da empresa reforçar a cobertura geográfica?

RM – Sem dúvida que é uma mais-valia. O facto de termos distribuição própria, e direta ao cliente, torna-nos completamente autónomos a nível logístico, dá-nos a possibilidade de prestar um serviço customizado e que se quer de excelência, garantindo entregas diárias ou com a regularidade acordada.

Quanto à capacidade logística instalada, pretendemos continuar a reforçar a abrangência à cobertura nacional que já temos. Este é um tema que a empresa analisa permanentemente, tendo em conta a evolução do mercado e as oportunidades do mesmo.

 

GC – Foi essa mesma capacidade logística que levou a vender diretamente ao consumidor final? A que se deveu essa aposta?

RM – A venda ao consumidor final surgiu em plena pandemia, com a declaração do estado de emergência e o confinamento obrigatório, numa fase em que mais de 90% dos nossos clientes do canal Horeca encerrou. Para garantirmos muitos dos nossos postos de trabalho, e em função da imensa quantidade de produto que tínhamos em stock, tivemos de nos ajustar temporariamente e procurar um novo canal que nos desse alguma sustentabilidade e, neste caso, nos ajudasse a reduzir potenciais perdas. Por outro lado, a complexidade da situação que o país atravessava era enorme e sentimos que a população necessitava de mais soluções e alternativas para adquirir bens alimentares. Naturalmente, o facto de termos capacidade logística própria potenciou esta situação e permitiu-nos abrir o serviço ao consumidor final. 

 

GC – Trata-se de um canal de comercialização que é para manter em funcionamento, não obstante o previsível desconfinamento do país? 

RM – O canal do consumidor final surgiu de uma necessidade momentânea e de resposta à comunidade, mas, com o previsível desenvolvimento da atividade económica, a tendência será extinguir-se. A nossa atividade está completamente focada no canal Horeca e em todos os restantes segmentos profissionais do mercado alimentar.

 

GC – Quantos pontos logísticos tem a empresa e qual a cobertura a nível nacional? 

RM – Atualmente, a Aviludo desenvolve a sua atividade em todo o Portugal Continental, dispondo de seis estabelecimentos de entrepostagem e três unidades de produção com salas de desmancha próprias, onde se faz a transformação de carne fresca à medida das necessidades de cada cliente, nomeadamente, a desossa, a desmancha, o corte e o embalamento, o que se tem revelado um fator distintivo do nosso negócio.

 

GC – Com que expectativas encara a empresa a “abertura” da atividade económica no país? O que pode a Aviludo oferecer aos seus clientes nesta fase de reabertura da atividade económica?

RM – Encaramos a reabertura da atividade económica com confiança, mas convictos de que a mesma será gradual e que todo o mercado terá de ser muito resiliente, como tem demonstrado ser.

Apesar da grande maioria dos nossos clientes terem estado fechados, nos últimos meses, a Aviludo continuou muito ativa no mercado, junto dos que se mantiveram abertos. 

Sabemos que o momento é muito complexo, de grande incerteza para todos, e temos consciência de que as dificuldades no início da reabertura serão muitas.

No entanto, estamos preparados, e mobilizados, para lidar com esta situação. Vamos reforçar a presença junto dos nossos clientes, prestando apoio técnico e aconselhamento especializado em função das necessidades dos seus negócios.

Além disso, lançámos campanhas promocionais, com folhetos direcionados às várias áreas do sector alimentar, onde poderão encontrar os principais produtos a preços muito competitivos. Esta é uma ação e um esforço financeiro que consideramos ser fundamental fazer nesta fase, em prol dos nossos clientes, para garantirmos a sustentabilidade da cadeia. O seu sucesso será o nosso sucesso.

 

GC – Consideram que os clientes estão mais exigentes? Quais os principais desafios?

RM – Consideramos que os nossos clientes estão mais exigentes, mais informados, mais conscientes da evolução e adaptados às novas tendências de mercado, que todos precisamos de acompanhar, e isto traduz-se em desafios enormes para todos. Sendo mais exigentes, consequentemente, exigem mais de nós enquanto parceiros de negócios e é nessa base que a Aviludo tem evoluído, com esta relação dinâmica e de grande proximidade ao cliente.

Quanto aos desafios, entendemos que, neste momento, os três principais são o “novo normal” do nível da procura no nosso mercado, o que implicará, naturalmente, o ajustamento gradual das operações, das equipas e do controlo da rentabilidade do negócio; o envolvimento das equipas e a capitalização de sinergias, pela integração na Metro AG, no sentido da criação de valor para os nossos clientes; a adaptação e transformação da organização que teremos de gerir, para lidar com a nova realidade que tem surgido por via da introdução do mundo digital, sem nunca perdermos o nosso ADN, e mantermos o foco na relação de proximidade com os nossos clientes, que tanto nos distingue e nos caracteriza.

 

GC – Qual tem sido o segredo para o sucesso da empresa?

RM – Sem dúvida que a cultura da Aviludo e o sentido de missão, responsabilidade e compromisso de toda a equipa que a compõe, imbuída dos valores instituídos pelos fundadores, têm feito com que este projeto seja um caso de sucesso, há já 37 anos.

 

GC – A pandemia veio atrasar algum investimento previsto? Volvidas mais de três décadas após a sua criação, a Aviludo está, enquanto empresa, onde deveria estar?

RM – Como qualquer outra empresa do sector, não só em Portugal, mas por todo o mundo, a Aviludo teve de tomar decisões para assegurar a sua sustentabilidade económica e financeira. Provámos que somos robustos e resilientes e, após um período delicado, sabemos que temos os principais ingredientes para assegurar a viabilidade e o futuro da empresa: pertencemos à Metro AG, confiamos nas nossas equipas, confiamos na nossa proposta de valor e confiamos no futuro do setor em Portugal.

GC – O universo do “food service”, em Portugal, é competitivo? A restauração é um dos pontos fortes de atração do país?

RM – É bastante competitivo. Ao longo dos últimos anos, os empresários de “food service” têm feito uma aposta muito profissional nesta área.

A restauração nacional apresenta, atualmente, uma ampla e muito diversificada oferta gastronómica, que proporciona uma experiência única e diferenciadora a quem a procura. Os turistas, em geral, têm passado cada vez mais a mensagem de que Portugal é um país com uma gastronomia positivamente sui generis, o que torna o nosso país ainda mais atrativo para quem o visita ou quer visitar.

Pela capacidade que a gastronomia nacional tem de criar, inovar e pelos prémios e diverso reconhecimento internacional tido, na minha opinião, podemos afirmar que temos, hoje, uma das melhores gastronomias do mundo.

 

GC – O que seria um bom exercício de 2021 para a Aviludo?

RM – Um bom exercício para a Aviludo seria recuperar o mercado aos níveis de 2019, mas sabemos que não será fácil, por tudo o que temos passado, e não depende só de nós. Será um desafio não só nosso, mas coletivo, da sociedade, pois todos os agentes económicos precisam dessa recuperação. Acreditamos que, a seu tempo, e com as nossas equipas motivadas e comprometidas, como até aqui, vamos lá chegar. 

Continuaremos a criar relações fortes e duradouras, pois é algo que está no nosso ADN. 

 

Este artigo foi originalmente publicado na edição N.º 68 da Grande Consumo.

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