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China e EUA anunciam um acordo que pode perturbar o comércio mundial

A China vai abrir as suas fronteiras à carne dos Estados Unidos da América, enquanto que as suas aves de criação cozinhadas estão cada vez mais perto de se venderem no mercado norte-americano, como parte de um acordo comercial entre ambos os países.

O secretário do Comércio norte-americano, Wilbur Ross, anunciou os primeiros resultados do plano de ação de 100 dias com a China, que representa um passo significativo para impulsionar as exportações dos Estados Unidos da América e fechar do “gap” comercial com a segunda maior economia do mundo.

Os Estados Unidos vão ainda permitir às empresas nacionais enviar gás natural líquido à China, como parte do acordo bilateral alcançado após a reunião entre presidente Donald Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, na Casa Branca. O acordo quebra uma série de obstáculos que têm dificultado o desenvolvimento de empresas norte-americanas na China em vários sectores por um longo tempo, desde a agricultura à energia ou finanças.

Wilbur Ross propôs que o acordo também inclua concordâncias sobre produtos químicos e serviços financeiros e qualificou-o de “a grande conquista” forjada em tempo recorde. “Isto é mais do que aquilo que tem sido feito na história das relações entre os Estados Unidos e a China sobre o comércioNormalmente, os acordos comerciais firmam-se após vários anos, não em dezenas de dias“.

Numa conferência, Wilbur Ross assegurou que “não se trata apenas de acordos comerciais, mas de melhorar a capacidade das empresas e produtos norte-americanos concorrerem no mercado chinês” e disse que Washington espera que facilite também os investimentos da China nos Estados Unidos.

Em Pequim, o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao, assegurou que os primeiros resultados do acordo mostraram que a cooperação económica entre os dois lados “não poderia estar mais perto“.

Mas enquanto o acordo quebra muitas das barreiras comerciais de que as empresas norte-americanas se queixam há muito tempo, está por ver como a China vai permitir mais exportações norte-americanas.

Ao longo da campanha eleitoral para a presidência, Donald Trump acusou Pequim de manipular a sua moeda para obter benefícios comerciais e criticou o alto déficit no comércio com a China como um reflexo dessa intervenção económica, causando a perda de milhões de empregos em fábricas norte-americanas. Após chegar ao governo, Donald Trump tem moderado levemente a retórica, mas manteve as suas chamadas à China para cumprir com regras de jogo “justas e equilibradas“.

Segundo o acordo, os Estados Unidos dariam as boas-vindas às empresas chinesas que negoceiam para comprar gás natural líquido produzido no departamento de Energia norte-americano, que autorizou o envio de 19.200 milhões de pés cúbicos por dia de gás natural à China e outros países interessados. O acordo também vai suavizar as restrições às importações de produtos agrícolas, incluindo a eliminação da proibição de exportação de carne bovina dos Estados Unidos para a China, que foi imposta em 2003, depois de um caso de doença das vacas loucas. Os governos Bush e Obama tentaram eliminá-la. Em troca, os Estados Unidos  permitem a venda de aves de criação cozinhadas, uma medida que Wilbur Ross disse que poderia ser feita com segurança. “Não temos nenhuma intenção de pôr em perigo a saúde ou segurança de qualquer pessoa“, disse.

O acordo também agiliza a avaliação dos pedidos pendentes para os produtos de biotecnologia norte-americanos, abre o caminho para permitir que fornecedores norte-americanos de serviços de pagamento eletrónico iniciem o processo de licenciamento na China e facilita a entrada de bancos chineses no mercado bancário norte-americano entre outras medidas.

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