Tempos de Mudança

Vivemos tempos de mudança. Creio que é percetível e, mais do que uma opinião, acredito ser algo unânime mesmo para os mais desatentos. O que mudou, porque mudou, como mudou seriam motivo para uma reflexão profundamente mais demorada, mas, estou em crer, que o que está em “cima da mesa” prende-se, essencialmente, com o que é a proposta de valor e a respetiva conotação que lhe atribuímos. Se até aqui sempre se viveu na era dos preços e das promoções, a sua repetição e, sobretudo, assunção de que era o mecanismo – o único? – “eficaz” para gerar vendas, não duvido que agora se está a entrar numa era de serviços, onde ter preço, folheto, diversidade e quantidade já não atributos suficientes.

É neste contexto de expectativa, renovação e afirmação que assistimos a mais uma importante movimentação no mercado doméstico. Após o aparato da apresentação do Alibaba, em Lisboa, da expectativa em torno da anunciada chegada da Mercadona, já em 2019, da dúvida em torno dos moldes como a Amazon operará no nosso país, de como será o amanhã da DIA, conhecidos que são os contornos mais recentes daquela estrutura, de como a Sonae desenhará o seu futuro, mais ou menos imediato, sem a liquidez necessária de uma entrada em bolsa bem sucedida, é chegada a vez de a Makro deixar, em definitivo, de ser exclusivamente “brick and mortar”, ao anunciar, em primeira mão na Grande Consumo, o concretizar de uma mudança de rumo que poderá ser estruturante para reforçar o seu papel junto de uma franja muito importante da economia nacional: a restauração e a hotelaria.

Com o MShop, a Makro começa a desenhar, com a ligeireza possível para um peso pesado como o Grupo Metro, um novo rumo no nosso país, após uma “morte” tantas vezes anunciada e uma “sangria” que levou a uma “arrumação de casa” muito brusca e incisiva. Os tempos são outros, as mentalidades e as necessidades também e a complementaridade de formatos no comércio grossista e retalhista uma necessidade cada vez mais premente. A Makro percebeu e, sobretudo, conseguiu concretizar isso, no reforçar do compromisso com o país e com os postos de trabalho que consegue assegurar, desenhando um renovado caminho num novo canal que trará novas possibilidades e oportunidades a anunciar, mais ou menos, em breve. Até porque ainda não é possível tirar proveitos da central Horizon, que irá, seguramente, permitir à insígnia do Grupo Metro, em Portugal, tirar os dividendos dessa mesma união de esforços que já chegou ao mercado espanhol.

Ventos de mudança, que surgem num contexto muito favorável para o país, mas que concretizam uma importante alteração de rumo para um dos principais operadores grossistas presentes no nosso mercado. Aquele mesmo que fez o reposicionamento de lojas no culminar do pico da crise, mas que agora volta a demonstrar a sua pertinência no nosso universo com a abertura de um novo canal de comercialização. E se isto é uma realidade no canal grossista, apenas se pode antecipar que 2019 será profícuo em novidades também a nível do comércio retalhista. E, nesse caso, os protagonistas já se perfilaram há algum tempo.

Vamos ver como a teia se desenrola.

Bruno Farias
Diretor Grande Consumo

Seis pinceladas na pintura de 2019