O “novo normal”, a liberdade e a incerteza

“novo normal”
Pedro Rodrigues, CEO PLM

Nos últimos meses, temos vindo a consciencializar que estamos perante um “novo normal”, repleto de incertezas de questões sobre “liberdades” antes incontestáveis.

Vivendo entre geografias de “liberdades”, culturas e comportamentos bastante díspares, tenho vivenciado diferentes abordagens sobre prevenção, segurança e o socialmente correto. Sou privilegiado por experienciar, na primeira pessoa, estas diferentes realidades.

Janeiro: em Shenzheng, os botões dos elevadores, interruptores, puxadores de porta, etc., eram permanentemente desinfetados e a verificação de temperatura à entrada dos escritórios e, ou, hotéis era regular. O uso de máscara voluntário, uma vez que a prevenção impera na mente dos cidadãos.

Fevereiro: as nossas equipas na Ásia não questionaram o dever de permanecer em casa nem a quarentena por motivo de viagem (também aqui sem imposição, apenas pautadas pelo desejo de proteger família e amigos de algo cujo alcance era uma incógnita). Na Península Ibérica e Brasil, tentei contextualizar a recomendação de proteção. Nestas geografias, nesta fase, um flop.

Março: eu e o meu companheiro de viagem, ambos saudáveis, fomos “outliers” no uso de máscara num voo Porto-Madrid. Em simultâneo, na Dinamarca a vida decorria com normalidade e o entendimento do dever cívico de recolhimento, apenas com saídas essenciais. Já no Dubai, vivi o programa intensivo de sanitização, massificação de testes gratuitos, isolamento de zonas para contenção viral, com real apoio à população isolada, recurso à inovação digital para viabilizar, em tempo útil, saídas de casa, informação atualizada, respostas caso-a-caso.

É um privilégio viajar em táxis com isolamento físico entre motorista e ocupantes, opção de registo de saídas, informação permanente sobre como agir nas diversas situações, visitar fábricas onde a sensação térmica é muito elevada, mas onde a prevenção face à pandemia nunca é esquecida. É um privilégio experienciar a digitalização e a informação como prioridade ao serviço da população geral, adaptadas a diferentes graus de literacia digital e em saúde.

 

Quotidiano no “novo normal”

Tenho uma opinião muito clara, baseada no respeito pela liberdade e prevenção, sobre o quotidiano no “novo normal”. Liberdade e prevenção que, quando colocadas lado a lado, se tornam muitas vezes antagónicas. Quando as condimentamos com questões culturais, políticas e sociais, agudizamos esta controvérsia. O respeito pela liberdade preventiva de cada um é fundamental. No patamar da liberdade preventiva coletiva, o antagonismo exacerba-se com introdução de aspetos culturais e políticos.

Se não podemos ou, no limite, não pretendemos alterar culturas, reconheçamos a relevância de focar em ações comuns, que permitam implementação da prevenção global sem ferir os aspetos culturais/políticos. Com o atual teor de incertezas, onde fica o certo e o errado? Certamente, no respeito. Quando confrontados com aspetos fundamentais como a saúde física e mental, assumimos coletivamente uma intolerância ao erro. Mas, quando essa intolerância se confronta com a incerteza, enfrentamos um tema fulcral do nosso quotidiano: conhecimento. Não o conhecimento sobre Covid-19, pandemias ou questões médicas, mas o que permite assimilar a inexistência de certezas absolutas, viabilizando o respeito pelas incertezas.

 

Economia estagnada acelera o estado crítico da Humanidade

É verdade que uma economia estagnada acelera o estado crítico da Humanidade, que há muito está desequilibrada. Não advogo o ficar parado, mas uma retoma assente na prevenção e reconhecimento de que estamos a passar um momento negativo, restando-nos aproveitá-lo para aprender e melhorar. O Homem aceita e cumpre procedimentos que compreenda, tornando-se mais evidente a importância da informação e formação. Se a primeira pode ser ministrada, de imediato, a segunda requer anos. Eleva-se, por isso, a importância de quem lidera, social e politicamente, na aplicação de medidas de acordo com entendimento social atual, com coragem para, se necessário, tomar medidas impopulares. Todos estamos conscientes que a capacidade de reagir com eficácia e serenidade, em tempo útil, é fundamental para uma sociedade saudável.

Estamos, inevitavelmente, a acelerar a adoção de um “novo normal”. Mas que o façamos com segurança e respeito. O ser humano é incrível na sua capacidade de se adaptar. Se adicionarmos o respeito, seremos extraordinários e, certamente, brindados com um mundo melhor.

“novo normal”
Pedro Rodrigues
CEO PLM
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