Covid-19: segurança para a retoma

Covid-19
Gonçalo Lobo Xavier, diretor geral APED

Mais de 160 empresas de distribuição de retalho, alimentar e não alimentar. Perto de 11% do PIB.

Este é o universo que a APED representa. Um universo de múltiplas dimensões, sobre o qual o impacto da crise provocada pela Covid-19 também se refletiu em múltiplas consequências. Por isso, à questão que se coloca, “como reagimos perante este cenário?”, teremos certamente diversas respostas, considerando, no entanto, que será cedo ainda para retirarmos conclusões definitivas.

Mas falemos do retalho alimentar. Esteve na linha da frente, desde o primeiro momento, sempre com uma missão: “Alimentar Portugal”. Superámos os desafios de uma vaga de procura inusitada. Adotámos, proativamente, novas medidas de segurança para garantir o bem-estar dos nossos colaboradores e clientes. Reforçámos a colaboração e cooperação entre todos os parceiros da cadeia de abastecimento, desde a produção e indústria, à logística e transportes, passando pela operação em loja e online. Criámos novas sinergias com produtores de bens agroalimentares nacionais e de proximidade, procurando, por um lado, disponibilizar aos consumidores produtos locais e, por outro, abrir a estes pequenos produtores novos canais para escoarem produtos outrora destinados a pequenos mercados, ao canal Horeca e à exportação, agora fechados. Estivemos em permanente contacto com todas as entidades públicas e governamentais competentes nas áreas da saúde, comércio e agricultura. Estes são apenas alguns dos exemplos da forma como a APED e os seus associados têm atuado, para garantir a possível tranquilidade e normalidade neste cenário e neste segmento. Agimos, fomos proativos, fomos responsáveis.

 

Um outro lado

Mas no universo APED existe um outro lado. O do retalho não alimentar especializado. Empresas que, na sua maioria, encerraram, mantendo apenas, e quando possível, sempre com todos os esforços, as operações online que, apesar de importantes, são residuais para sustentar as operações no global. Assumiram a missão conjunta, de um país, de salvaguardar a saúde pública e combater a pandemia provocada pela Covid-19. Contudo, como o grosso do tecido económico, estão a absorver o impacto negativo do abrupto encerramento da economia.

Certo é que poderá haver uma primeira perceção de que este segmento não representa o que são chamados “bens essenciais”. Contudo, arriscamos dizer que essa é uma perceção definitivamente errada. São empresas que empregam mais de 40 mil colaboradores diretos e que, da tecnologia aos brinquedos, passando pelo mobiliário, reparação e auto e do-it-yourself, representam bens e serviços que fazem mover uma economia. São empresas que querem voltar a operar, legitimamente, pela sua sobrevivência e também pelo importante contributo que, nos últimos anos, têm vindo a dar para o desenvolvimento económico do país, criando emprego e receita e inovando na oferta ao dispor dos portugueses. E, perante este cenário, não se tratará apenas de reinventar o negócio em contexto de crise.

 

Esforços

Reconhecemos, naturalmente, os melhores esforços do Governo, na tentativa de mitigar os efeitos devastadores provocados pela recente crise pandémica, mas fazer face a este cenário terá de passar, obrigatoriamente, por adotar, acima de tudo, medidas que permitam preparar o futuro “faseado” dos cidadãos. Para colaborar neste sentido, a APED estará sempre disponível. Seja pelo retalho alimentar e pelo retalho especializado, como primeiro passo, teremos de reestabelecer a confiança do consumidor, num trabalho de um país a remar num só sentido, para assim revitalizar o consumo, as empresas e o país. O quanto antes e em segurança.

Covid-19
Gonçalo Lobo Xavier
diretor geral APED
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