Continuidade no trajeto desenhado

Eça de Queirós, o mandarim e a Covid-19
Bruno Farias, diretor da Grande Consumo

Na altura de olhar para o que foi, de possível, o ano de 2020, torna-se difícil encontrar os termos certos para colocar, em poucas palavras, todos os sentimentos, receios, anseios e decisões que se tiveram que tomar ao longo deste ano. Onde a noção de trabalho, família, bem-estar, comunidade e equipa foram questionadas e, nalguns casos, postas à prova e testadas como nunca antes foi visto, pois nunca havíamos vivido nada assim.

Numa primeira instância, o sentimento que prevalece, ao mesmo tempo que as pontas dos dedos me conduzem na construção deste breve editorial, é o de gratidão. Por ter chegado aqui com saúde, sobretudo. Por termos, enquanto equipa e projeto editorial, conseguido concretizar a nossa proposta de valor em todos os formatos e moldes a que nos propusemos. Por termos abraçado, com sucesso, outras situações que nos tiraram da zona de conforto. Por termos ambicionado, trabalhado, sonhado e alcançado, merecendo, assim, a confiança de todos os que se identificam com e acreditam na Grande Consumo.

 

Sentimento gratidão

Com essa concretização vem, necessariamente, um renovado sentimento de gratidão, por termos tido, sempre, o apoio necessário dos nossos parceiros de negócio para fazer, ao longo de 2020, a Grande Consumo tal como acreditamos nela. A todos os que connosco partilharam as suas decisões de gestão, as medidas de proteção das equipas, as complexas dimensões que permitiram à suas empresas continuar a laborar, a trazer “normalidade” quando o “novo normal” veio ser a tónica dominante e o chão nos parecia fugir, a promover serviço, conveniência, subsistência, quando mais do que nunca a mesma foi questionada e, por outro lado, necessária.

 

2021 e os seus desafios

Se tivesse dons de adivinho, partilharia convosco inúmeras perspetivas do que poderá ser 2021. Deixo, no entanto, isso para os especialistas. Creio, contudo, que o primeiro semestre de 2021 não se augura nada famoso, tendo em conta o desfecho deste ano, e espero, sinceramente, que as decisões tomadas no Natal não hipotequem as nossas hipóteses coletivas, no próximo ano. Já tolerámos tantas alterações coercivas à nossa noção de socialização e vivência que se espera mais acerto, do que nunca, nas decisões tomadas em prol do bem-estar da nação e de todos aqueles que a consubstanciam nas suas mais distintas formas. Quando o Natal mais solitário das nossas vidas se aproxima, quero acreditar que o altruísmo irá prevalecer, tem que prevalecer, para se conseguir erradicar o inimigo mais mortal e invisível que a sociedade moderna já conheceu. Esta “gripe”, como muitos apelidam, já causou demasiado dano para que possamos ser permissivos e, sobretudo, irresponsáveis. Cabe a cada um de nós dar o exemplo, deixar os abraços para depois, por muito que nos façam faltam. E a mim, confesso, faltam-me os afetos de todos aqueles com quem não pude conviver ao longo do ano. O meu Natal não será o mesmo. Para nenhum de nós, estou em crer.

 

Ambições

2021 será, seguramente, um exercício onde o “fraco rei” não poderá continuar a “fazer fraca a forte gente”. Está, como sempre esteve, nas nossas mãos evitar a delapidação constante do erário público para alimentar lobbies, esquemas, conivência e incompetência. A gestão, em 2021, terá quer ser mais rigorosa do que nunca, para que a próxima maré seja apenas uma vaga ligeira e passageira, antes de se tornar no tão desejado mar de acalmia. Agora que damos mais valor a tudo o que já tivemos, cabe-me continuar a sonhar com o dia em que tudo voltará a ser parecido com o que já foi. Onde cada entrevista poderá ser feita “in loco” (algo que até conseguimos ao longo deste ano), onde a minha equipa estará, uma vez mais, junta fisicamente, onde, juntos, seremos mais fortes do que a soma das nossas forças, onde a amizade, a camaradagem, a competência, o profissionalismo e o respeito estará, de novo, numa única sala e não repartidas por vários computadores, múltiplos IP’s e distintas salas de chat. A todos eles, o meu agradecimento pela “extra mile” de cada um e pelo difícil equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.

Por tudo isto, o sentimento só pode ser, mais uma vez, de gratidão perante mais um ano de concretizações e onde todos os que gravitam em nosso redor tornaram este projeto editorial possível. Sem saltar edições, continuando a estar presentes no papel e no digital como nos propusemos, desde há largos anos para cá, criando novos formatos de comunicação e apostando em novas plataformas para levar mais e melhor informação até si, a nossa razão de ser.

Um ano desafiante que não deixará saudades e para o qual olhamos em perspetiva com um claro sentimento de concretização. Que 2021 seja uma continuidade na linha que desenhámos até aqui é o que desejo. Iremos, é incontornável, trabalhar com afinco para isso. E contamos, claro está, com a sua atenção e preferência.

Boas Festas e que 2021 seja um ano de maiores concretizações para todos nós. Pode ser que um dia tenha capacidade para colocar por palavras o que este ano significou para nós…

 

*artigo publicado na edição N.º 66 da revista Grande Consumo

Eça de Queirós, o mandarim e a Covid-19
Bruno Farias
Diretor Grande Consumo
pós-Covid 19

Um Natal mais triste, com uma pedra no “sapatinho”